terça-feira, 6 de julho de 2010

SOJA/EUA: USDA INFORMA VENDA DE 120 MIL T PARA CHINA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta terça-feira a venda de 120 mil toneladas de soja para China em 2010/11. O ano comercial da oleaginosa começa em 1º de setembro. Exportadores norte-americanos devem relatar ao USDA vendas de 100 mil toneladas ou mais feitas em um único dia para um mesmo destino.

O USDA também anunciou hoje a venda de 40 mil toneladas de óleo de soja para China em 2010/11. O ano comercial do produto começa em 1º de outubro. Exportadores norte-americanos devem relatar ao USDA vendas de 20 mil toneladas ou mais feitas em um único dia para um mesmo destino.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

LA NIñA DEVE MUDAR CLIMA JÁ NA PRÓXIMA PRIMAVERA.

Depois de um período de aproximadamente um ano com águas aquecidas (El Niño), desde o mês passado se observa um processo de resfriamento das águas do Oceano Pacífico equatorial, indicando o retorno do fenômeno La Niña. Alterações no clima já são previstas para a próxima primavera no Hemisfério Sul, segundo avaliação da Somar Meteorologia em boletim especial com projeções para a safra de grãos 2010/11.
Conforme a Somar, o resfriamento das águas do Oceano Pacífico equatorial deve aumentar gradualmente no decorrer deste inverno, com o La Niña totalmente configurado durante a primavera e permanecendo durante o verão 2011. "A previsão é de um episódio de intensidade moderada a forte e deve durar pelo menos até o outono de 2011", informa o sócio diretor da Somar, Paulo Etchichury.
O mais recente episódio de La Niña ocorreu no verão 2007/08. No entanto, dadas as características como intensidade, rapidez na formação e provavelmente duração, o episódio deste ano está muito semelhante com o observado no segundo semestre de 1998 e verão 1999.

Os principais impactos para o segundo semestre de 2010 e verão 2011 na agropecuária:
Soja
Para a lavoura de soja do Brasil, o fenômeno La Niña tem dois impactos bem caracterizados: primeiro atrasa o retorno das chuvas no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Enquanto para as lavouras do Sul do Brasil e também de Mato Grosso do Sul reduz a incidência de chuva e aumenta o risco de estiagens regionalizadas no verão. Para a safra 2011, portanto, muda o cenário climático, principalmente quando comparado com o observado na safra passada.
O retorno das chuvas este ano deve ocorrer somente no fim de outubro e no decorrer de novembro, mesmo assim de forma muito irregular, o que deve implicar atraso do plantio para as lavouras de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins. Durante o verão as chuvas nesses Estados devem apresentar um comportamento médio, com o risco das chuvas se prolongarem até abril e meados de maio.
Já as lavouras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e também de Mato Grosso do Sul não devem enfrentar grandes problemas na fase de plantio entre outubro e novembro. No entanto, deve-se considerar o risco de estiagem durante os meses de verão. A continuidade do La Niña remete para a possibilidade de um outono também com chuvas abaixo da média.
Milho verão
Conforme a Somar, o cenário climático para a lavoura de milho é muito semelhante às condições da lavoura de soja. O risco aumenta principalmente para as lavouras do Sul do Brasil em virtude das estiagens no verão. As lavouras do norte/noroeste do Rio Grande do Sul e do oeste de Santa Catarina, no entanto, que são plantadas mais cedo (em agosto), ainda podem se beneficiar das chuvas da primavera. Elas poderão escapar assim do risco de estiagem que aumenta a partir de dezembro e durante o verão.
Para as lavouras de milho do Nordeste do Brasil, incluindo o agreste e sertão nordestino, a presença do La Niña num primeiro momento indica um bom período de chuvas ("inverno nordestino") que vai de fevereiro a maio. No entanto, a qualidade do período de chuvas ainda vai depender das condições do Oceano Atlântico que, no momento, ainda não estão definidas. De qualquer forma, o cenário climático para 2011 é bem melhor que o observado na safra deste ano.
Arroz irrigado
O fenômeno La Niña está associado a chuvas abaixo da média e períodos de estiagens nas áreas produtoras de arroz do Sul do Brasil. Considerando, porém, que a região vem de um período chuvoso, com a maioria dos reservatórios/barragens cheios e ainda com as chuvas da primavera para completar nível, o indicativo do verão mais seco representa um cenário climático favorável para a próxima safra de arroz do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A Somar observa que o principal problema da safra passada foi o excesso de chuva da primavera, por causa do El Niño.
Além disso, a previsão de redução das chuvas durante o inverno, com a incidência de períodos secos nas principais áreas produtoras de arroz irrigado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, deve beneficiar o processo de drenagem e preparação do solo para o plantio, cujas atividades em grande parte se concentram nos meses de inverno, o que depois favorece o plantio que se inicia a partir de outubro.
Algodão
O atraso no retorno das chuvas na primavera não deve representar grande problema no plantio da lavoura de algodão de Mato Grosso e da Bahia. Durante o verão deve prevalecer o padrão médio de chuvas, o que não deve interferir no desenvolvimento das fases vegetativas. É importante considerar, porém, a possibilidade de o período de chuvas se prolongar até abril e meados de maio de 2011, o que em tese favorece a lavoura de algodão adensado/safrinha na fase vegetativa. Em compensação, pode representar risco nas fases finais (abertura da pluma) e colheita. Portanto, em 2011 não deve se repetir o problema observado na safra passada, quando a falta de chuva em abril e maio acabou reduzindo o potencial de produção de algumas lavouras.
Milho safrinha
O fenômeno La Niña aumenta o risco para as lavouras do Paraná, Mato Grosso do Sul e de São Paulo, que enfrentam período de escassez de chuva durante o outono, assim como não dá para eliminar o risco de frio (geada) a partir de maio. Já para as lavouras de milho safrinha de Mato Grosso e Goiás, o cenário climático é mais favorável, pois o período de chuvas deve se prolongar até abril e meados de maio de 2011. O cenário climático para a lavoura do milho safrinha 2011 muda, portanto, em relação ao observado em 2010. O cenário é mais favorável para as lavouras de Mato Grosso e Goiás, enquanto se pode esperar problemas e aumento de risco para as lavouras do Paraná e de Mato Grosso do Sul.
Cana-de-açúcar
O período seco mais definido e longo que vem sendo observado em 2010 tem favorecido o corte e o processo de moagem da cana-de-açúcar do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil. No entanto, como o período seco está bem mais crítico (severo) e considerando a possibilidade do atraso no retorno das chuvas da primavera, isso deve interferir no desenvolvimento das plantas novas e assim comprometer a produção da safra de 2011. A Somar ressalta, ainda, que em 2011, em virtude da presença do La Niña, o período de chuvas pode se prolongar até abril e meados de maio, retardando assim o início do corte/moagem.
Café/laranja
Este ano o outono e o inverno mais secos e com temperaturas mais amenas beneficiaram a finalização e a qualidade da safra, assim como tem favorecido o processo de colheita. No entanto, como o período seco será bem mais severo e considerando a possibilidade do atraso no retorno das chuvas, isso poderá prejudicar o desenvolvimento das plantas e as fases de floradas na primavera, comprometendo assim a produção da safra de 2011.
Leite/carne
A Somar alerta para o período seco deste ano, que começou antes e deve se estender pelo menos até outubro. Para o Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil isso implicará um período maior de suplementação alimentar dos animais. A atual condição climática se diferencia completamente do ano passado(2009), que teve período seco curto e com boa oferta de pastagem em praticamente todo o ano. Essa situação deve influenciar diretamente na produção de leite e carne, com uma tendência de aumento do custo de produção. As condições de produção devem se regularizar com o retorno das chuvas no verão.
Já para o Sul do Brasil as condições climáticas são favoráveis até a primavera deste ano. No entanto, como o La Niña está associado à escassez de chuvas no verão, que pode se prolongar até o outono de 2011, é de se esperar um cenário mais adverso para a produção de pastagem no próximo ano, o que deve indiretamente prejudicar a produção de leite e carne da região.
Argentina/Paraguai
Assim como ocorre com lavouras de soja do Sul do Brasil, na Argentina e no Paraguai também se observa uma redução das chuvas e aumenta o risco de estiagens regionalizadas no verão, durante período de La Niña. Para a safra 2011, portanto, muda o cenário climático em relação ao observado na safra passada, diminuindo em tese o potencial de produção.
Para a fase de plantio das lavouras de verão entre outubro e novembro, os produtores não devem enfrentar grandes problemas, pois a primavera, mesmo com a presença do La Niña, ainda é um período de boas chuvas. Os agricultores da Argentina, porém, devem considerar fortemente o risco de estiagem durante os meses de verão. Inclusive, a continuidade do La Niña remete para um outono também com chuvas abaixo da média.
Estados Unidos
Definidas as condições favoráveis de plantio das lavouras de soja e milho, daqui para frente as preocupações dos agricultores norte-americanos se voltam para a ocorrência e distribuição das chuvas durante o verão. De um modo geral, pode-se afirmar que as condições climáticas se mostram favoráveis para produção das lavouras do Meio-oeste dos Estados Unidos.
A tendência para este verão é de uma condição média, com elevação da temperatura e redução das chuvas. Cabe ressaltar apenas que, como é típico do verão norte-americano, este ano podem ocorrer alguns períodos de estiagens regionalizadas, entre julho e agosto, principalmente nas áreas produtoras localizadas mais a oeste, incluindo parte dos Estados de Nebraska, Iowa, e Missouri. A previsão da instalação do La Niña para o outono no Hemisfério Norte está associado com redução das chuvas, o que em tese deve favorecer o período de colheita a partir de setembro.
Energia
O período seco mais longo nos reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste significa uma menor oferta de energia no segundo semestre de 2010, o que implicará manutenção da expectativa de elevação do preço da energia pelo menos até o fim do ano.
Para 2011, com a presença do La Niña, o cenário muda primeiramente para as Bacias Hidrográficas do Sul do Brasil, que a partir do verão entram em um período de deficiência de chuva. Para as Bacias Hidrográficas do Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte, a previsão é de uma recuperação dos níveis, com as chuvas do verão e do outono de 2011. O prolongamento do La Niña em 2011 é que vai definir o nível de problemas e riscos do Sistema para o segundo semestre. A Somar ressalta que em períodos longos de La Niña (duração maior que um ano) o Sistema de Geração de Energia Hidrelétrica do Brasil apresenta deficiência.

EUA: BOLSAS FECHADAS HOJE.

As bolsas americanas estão fechadas nesta segunda-feira (5), entre elas a Bolsa de Nova York (ICE Futures US), que cota commodities softs (algodão, açúcar, cacau, café e suco de laranja) e a Chicago Board of Trade (CBOT), que tem contratos futuros de grãos (soja, milho e trigo). Os mercados não abrem hoje por causa do feriado de Dia da Independência dos Estados Unidos, celebrado ontem (4). Os negócios serão retomados normalmente amanhã de manhã.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

MILHO SAFRINHA : COLHEITA EM MT ATINGE 41,1%.

O ritmo da colheita do milho safrinha em Mato Grosso neste ano está 20,3 % mais adiantado em relação à igual período do ano passado, segundo levantamento semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), vinculado à Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato).
Segundo o Imea, nesta semana a colheita atingiu 41,1% dos 2,002 milhões de hectares cultivados, enquanto no mesmo período do ano passado 20,8% da área havia sido colhida. O volume retirado das lavouras até agora é estimado em 3,445 milhões de toneladas, levando em conta a projeção do Imea de produção de 8,383 milhões de toneladas.
A expectativa é grande em relação às lavouras de milho que começam a ser colhidas nesta semana, pois foram plantadas mais tarde e sofreram mais os efeitos da forte estiagem durante abril e maio. Um produtor explica que a avaliação visual não permite dimensionar as perdas provocadas pela falta de chuvas, o que será possível apenas após a colheita. No último levantamento feito pelo Imea, os técnicos constataram que em Lucas do Rio Verde, as primeiras lavouras produziram 90 sacas de milho por hectare e agora o rendimento está em 85 sacas.
Nesta semana colheita evoluiu 16,3% em relação a anterior, com volume estimado em 1,366 milhão de toneladas. A região do médio-norte de Mato Grosso, maior produtora do Estado, registra colheita de 46,6% da área cultivada, que equivale a 1,934 milhão de toneladas. Na região sudeste, onde a colheita está mais atrasada, os trabalhos atingiram 31,5% da área plantada, com produção de 560 mil toneladas.


EVOLUÇÃO DA COLHEITA DE MILHO EM MATO GROSSO
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                   SAFRA 2009/10            EVOLUÇÃO DA COLHEITA
                  ÁREA   PRODUÇÃO   2/JUL/09   1/JUL/10 VARIAÇÃO
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Noroeste       113.250    444.527     13,80%     33,10%   19,30%
Norte                8.700      32.745    125,30%     52,90%   27,60%
Nordeste        76.000    303.814     13,00%      48,50%   35,50%
Médio-norte 982.820  4.151.998    129,80%     46,60%   16,80%
Oeste           296.900  1.239.934    123,30%     38,00%   14,70%
Centro-sul    106.000    432.560     13,30%      39,20%   25,90%
Sudeste       418.400  1.778.365       5,60%     31,50%   25,90%
Mato Grosso 2.002.070  8.383.943  120,80%   41,10%   20,30%
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quinta-feira, 1 de julho de 2010

SAFRA 2010/11: CONSUMO DE INSUMOS CRESCE E LOGÍSTICA PREOCUPA.

A indústria de fertilizantes trabalha com perspectiva de boa demanda na safra 2010/11, mas especialistas e executivos destacam que a rentabilidade ligeiramente menor na safra 2009/10 e a concentração das compras no segundo semestre podem puxar os custos logísticos no período. "Os preços de algumas commodities e dos fertilizantes estão mais baixos, mas foram recuos compatíveis. A soja, por exemplo, apesar da queda, ainda mantém a marca de US$ 9/bushel em Chicago", avalia Carlos Eduardo Florence, o diretor executivo da Associação dos Misturadores de Adubo do Brasil (Ama-Brasil).
Para o executivo, a situação do produtor nesta temporada não é ruim, por conta da disponibilidade de linhas para o financiamento agrícola. A expectativa da indústria é de que o setor retorne à sazonalidade histórica, com 65% a 70% das vendas concentradas no segundo semestre.
Neste cenário, a demanda pode ser afetada por custos mais altos para transportar os fertilizantes. "O custo da matéria-prima ficou estável nos últimos três meses, e não deve subir mais, mas compras no segundo semestre sofrerão o impacto de preços mais altos de frete. Quem está distante, certamente, sentirá mais o efeito deste movimento", observa.
O diretor comercial da Galvani, Celso Fajardo, destaca que o setor trabalha com a perspectiva de fortalecimento do mercado neste ano, especialmente para algodão e cana-de-açúcar, culturas que operam com preços firmes. "Se tudo correr bem, a tendência é mesmo superar 22,47 milhões de toneladas comercializadas no ano passado, podendo chegar a 23,5 milhões de toneladas", estima. Para atender a este crescimento na demanda por fertilizantes, haverá necessidade de mais suprimento, o que puxará as importações ao longo do ano. O problema, diz ele, é que a concentração das compras no segundo semestre pode acarretar custos logísticos mais altos também para a indústria de insumos.
Importação - O número mais recente da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda) aponta firme crescimento das importações de fertilizantes intermediários, utilizados na mistura para a formulação do produto. Até abril, houve um acréscimo de mais de 200% nas compras externas destes insumos. Tal movimento é favorecido pelos preços estáveis da matéria-prima no mercado internacional. Acompanhamento da Ama-Brasil indica valores estáveis nos últimos três meses e próximo de níveis históricos do setor: em torno de US$ 400/tonelada para o cloreto de potássio, US$ 490/tonelada para o monoamônio fosfato (MAP) e US$ 290/tonelada para a ureia.
O superintendente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Claudio Teoro, que reúne 4.900 associados em 12 municípios concentrados no sudoeste de Goiás, também trabalha com um cenário positivo para este ano. "Em 2009/10, o produtor já diminuiu a adubação. Agora ele está consciente de que não há espaço para reduzir mais, se não quiser comprometer a produtividade", afirma.
Defensivos - A perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor agrícola acima de 5% neste ano é a base para as projeções otimistas da indústria de defensivos agrícolas no ciclo 2010/11. "Estimativas iniciais indicam crescimento da ordem de 4% no ano, mas, diante das relações de troca mais favoráveis para os produtores, este porcentual pode chegar a 7%", afirma o diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef).
De acordo com o executivo, levantamentos realizados pelo setor mostram redução nos custos do insumo neste começo de ano, mantendo movimento já registrado em 2009. Avaliação da indústria, a partir de levantamento feito em abril pelo Instituto de Economia Agrícola de São Paulo (IEA), aponta uma queda de 12% a 17% nos preços de uma cesta com os produtos mais utilizados nas lavouras de soja, milho, cana e algodão, culturas que respondem por 75% das vendas no setor.
"O consumo de defensivos é diretamente proporcional à produção e à produtividade. Os níveis atuais indicam que o agricultor tende a usar toda a tecnologia disponível para garantir uma boa safra", afirma José Roberto Da Ros, vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag). "Esperamos expansão neste ano porque estas são as sinalizações dos principais órgãos do setor", afirma ele, citando cenários traçados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o IEA.
O vice-presidente da unidade de proteção de cultivos da Basf no Brasil, Eduardo Leduc, é mais cauteloso. Segundo ele, o alto nível dos estoques e os baixos preços do milho e do trigo, duas culturas que fazem rotação com a soja, podem influenciar na rentabilidade agrícola. Na avaliação de Leduc, os produtores devem fazer operações de hedge e travar os custos de produção para ficarem menos vulneráveis às oscilações de preço no mercado.
Mesmo assim, Leduc considera que o surgimento de ervas daninhas mais resistentes e a maior incidência de doenças fúngicas, especialmente no Sul do País, devem sustentar a demanda por defensivos neste ano. Outro segmento que deve apresentar bom desempenho na nova safra é o de tratamento de sementes. "O investimento em genética produz sementes com alto potencial de produtividade que precisam ser protegidas", afirma. Fator que preocupa o executivo, a exemplo do que já ocorre no caso dos fertilizantes, é o gargalo logístico que o setor pode enfrentar se postergar demais as compras de insumos no segundo semestre.

SAFRA 2010/11: MERCADO PREVÊ LEVE CRESCIMENTO DA ÁREA DE SOJA.

Apesar de os preços estarem hoje menos favoráveis do que no ano passa e da expectativa de grande safra no maior produtor mundial - os Estados Unidos -, analistas de soja consideram que os produtores brasileiros plantarão área ao menos semelhante à da safra 2009/2010, senão ligeiramente maior, em 2010/2011. "Esperamos uma área igual ou até mesmo um pouco maior. Com a expansão de algumas áreas novas e a migração de parte do milho para a soja, a área de plantio pode ser até 5% maior", prevê Glauco Monte, analista da FCStone.
Questões como câmbio, preços e nível de oferta seguem como fatores de incerteza. "Os produtores estão atrasando a decisão sobre plantio. Eles esperam um quadro mais claro, mais consolidado, sobre o nível da produção nos Estados Unidos. E estão atrasando também a compra de fertilizantes, como aconteceu no ano passado, quando quem comprou mais tarde, conseguiu preço melhor", disse Fernando Pimentel, analista da Agrosecurity. "Neste ano, a situação é outra: as indústrias de fertilizantes estão menos estocadas", acrescentou o analista, referindo-se ao risco embutido na repetição desta estratégia.
"O câmbio é uma incógnita muito importante, mas acreditamos que, se houver perdas em uma ponta, podem ser compensadas na outra - se Chicago recuar, é possível que haja um offset do câmbio", explicou Pimentel. A expectativa do alto nível de produção da safra atualmente em desenvolvimento nos Estados Unidos é outro fator fundamental. "Analisando estritamente no contexto de oferta e demanda, é de se esperar que haja um pouquinho de sobreoferta, se a safra dos EUA terminar dentro do que se espera. Esperamos que a soja em Chicago fique nessa faixa de US$ 8,50 a US$ 9,50 por bushel até o início da próxima safra nos Estados Unidos, a partir de maio", acrescentou o analista da Agrosecurity.
"No que diz respeito ao mercado físico, o produtor brasileiro vai seguir plantando soja. Pode haver uma migração marginal de soja apara algodão, na Bahia e em Mato Grosso, da ordem de 200 mil hectares no total, e no Paraná, uma pequena migração de milho para soja no verão", disse Pimentel. "Se a safra forte nos Estados Unidos se confirmar, o produtor do Cerrado deve investir menos em tecnologia, especialmente em adubação", acrescentou.
No Paraná, a migração de parte do milho para soja é dada como certa. "Aqui, tivemos uma safrinha muito boa, com um grande excedente de milho. Apesar de o preço da soja ter também recuado, ainda está melhor do que o do milho", disse Washington Terra, analista da WA Corretora de Cereais, de Maringá (PR). "É difícil falar com precisão porque ainda estamos longe do início do período de plantio de soja no Paraná, que começa em outubro, com a soja precoce, e em novembro, o plantio deve aumentar em função do menor interesse pelo milho. A soja tem mais liquidez e carrega valor para o futuro."

SAFRA 2010/11: MARGEM DE LUCRO CAIRÁ, MESMO COM REDUÇÃO DE CUSTO.

Uma safra de custos mais baixos, mas com margens de lucro menores para os produtores por causa da queda dos preços dos grãos e da competição internacional. É este o panorama traçado para o ciclo 2010/11 por especialistas consultados pela Agência Estado. "O resultado da safra não será ruim, mas, com as margens mais apertadas pela queda de preços, não será um céu de brigadeiro", afirmou Francis Kinder, analista de commodities da consultoria AgraFNP.
Embora as estimativas de área variem, é consenso que as despesas serão menores, mas também que os produtores vão embolsar menos na próxima safra. Na soja, por exemplo, o custo de produção deve recuar entre 5% e 6%, de acordo com projeção da Agroconsult. Mas a margem de lucro deve ceder entre 18% e 40%. No milho, a redução dos ganhos deve chegar a 12%.
"A soja tem fundamentos baixistas, com mais uma grande safra nos Estados Unidos e, no Brasil, um câmbio apreciado. Isso vai ajudar a pressionar as cotações da oleaginosa", afirmou Fábio Meneghin, analista da Agroconsult. No caso do milho, o problema é interno. Os baixos preços vistos na safra 2009/10 não devem se recuperar diante da grande oferta ainda existente do produto, que continuará a puxar para baixo o valor do cereal. Kinder, da AgraFNP, estima que os estoques de passagem do atual ciclo deverão crescer para 12,4 milhões de toneladas, de 11 milhões de t em 2008/09.
O algodão, por sua vez, será um ponto fora da curva no cenário das principais commodities brasileiras. Com preços altos e demandas interna e externa fortes, ambos os analistas preveem aumentos expressivos na área plantada do País em 2010/11, 28% no caso da Agroconsult, 39% no da AgraFNP.
Estimativa da Agroconsult indica que a área total de grãos deve crescer de 47,509 milhões em 2009/10 para 48,144 milhões de hectares em 2010/11. A produção deverá ser recorde, com 148,131 milhões de toneladas, ante 147,694 milhões de t em 2009/10, um aumento de 0,3%. A área de verão deve crescer 2%, para 38 milhões de hectares, de 37,2 milhões de hectares. A área de inverno deve recuar 1,7%, de 10,285 milhões, para 10,113 milhões de hectares.
Margens - Bem-vinda, a queda de custos não deverá compensar a redução dos preços dos grãos. Estimativas da Agroconsult levam em conta que a cotação média da soja em 2010/11 será de US$ 8,75/bushel. O dólar foi estimado em R$ 1,90 ao final de 2010. Isso deve resultar em preços médios de R$ 25,00 a saca de 60 quilos da oleaginosa em Mato Grosso, e R$ 31,3/saca no Paraná. Ontem, o contrato janeiro da soja negociada na Bolsa de Chicago fechou em US$ 9,1225/bushel. No caso do milho, o preço médio em Mato Grosso deverá ser de R$ 9,80 por saca de 60 quilos e, no Paraná, de R$ 15,80 por saca, de atuais R$ 10,50 e R$ 16,50, respectivamente.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional, a margem do produtor de soja deverá ser 40% menor, ou R$ 222 por hectare em 2010/11, considerando uma produtividade de 53 sacas/ha, ante R$ 366/ha em 2009/10, com 51 sacas/ha. "Eles vão colher mais e embolsar menos", comentou Fábio Meneghin. No Paraná, a margem da oleaginosa deve ficar em R$ 450 (produtividade de 50 sacas por ha), ante R$ 550 na safra passada (com produtividade de 52,5 sacas), queda de 18%.
As margens do milho também estarão menores. No Paraná, elas devem diminuir 12%, de R$ 813/ha na safra 2009/10, para R$ 716/ha em 2010/11. Em Mato Grosso, a safrinha do milho deve ter margem negativa de R$ 122 por ha, mas com a subvenção do governo de R$ 275/ha, avaliada com base nos leilões em apoio à comercialização, deve ter um saldo positivo de R$ 154/ha. Em 2009/10, a safrinha teve saldo positivo de R$ 14/ha.
Mundo - Os analistas consideraram que a turbulência no mercado financeiro internacional não deve afetar tanto as commodities agrícolas, cuja demanda deve continuar forte. Por outro lado, fornecedores mundiais importantes como Estados Unidos e Argentina terão safras expressivas, não permitindo uma valorização significativa das cotações.
Na sexta-feira passada, o ministro de Agricultura da Argentina, Julián Domínguez, anunciou que a produção de grãos do país atingirá recorde de 100 milhões de toneladas. Nos EUA, o Departamento de Agricultura (USDA) informou ontem que a área de soja deverá bater o recorde de 78,9 milhões de acres (31,93 milhões de hectares) e a de milho deverá crescer para 87,9 milhões de acres (35,57 milhões de hectares) em 2010/11; ambas terão incremento de 2% ante a safra anterior. No caso do algodão, o plantio deverá aumentar expressivos 19%, para 10,9 milhões de acres (4,41 milhões de hectares).

SAFRA 2010/11: ESTIMATIVA DE NOVO RECORDE NA PRODUÇÃO DE GRÃOS.

A produção de grãos da safra 2010/11 poderá superar ligeiramente o recorde do atual ciclo, se as condições climáticas permitirem. De acordo com estimativa da Agroconsult, a área plantada total deverá crescer 1,3%, para 48,14 milhões de hectares, de 47,51 milhões de ha cultivados em 2009/10. A produção deverá chegar a 148,131 milhões de toneladas, ante 147,694 milhões de t na mesma base de comparação. A área de verão foi estimada em 38,03 milhões de hectares, um aumento de 2,2% sobre os 37,22 milhões de ha do ciclo anterior. A de inverno, contudo, deve recuar 1,7%, de 10,28 milhões, para 10,11 milhões de ha.
Responsável por mais de um terço da produção de grãos, a soja deverá ter uma área parecida com a deste ano. A Agroconsult prevê aumento de 1,5%, ou 355 mil hectares, para 23,704 milhões/ha. A produção, contudo, deve recuar 0,6% para 68,422 milhões de tonelada devido a ajustes na produtividade de estados como o Paraná, onde a relação deverá recuar de 52,5 sacas/ha para 50 sacas/ha. Para Mato Grosso, a estimativa é de produtividade média de 53 sacas/ha, de 51 sacas/ha na safra atual.
"A soja tem fundamentos baixistas, com mais uma grande safra nos Estados Unidos e o câmbio apreciado. Isso deve ajudar a pressionar as cotações da oleaginosa. Ainda assim haverá aumento de plantio sobre áreas de milho", comentou Fábio Meneghin, analista da consultoria. Ele avalia que o plantio vai crescer mais em áreas novas, onde há injeção de capital estrangeiro, como Bahia (+50 mil ha), Maranhão (+50 mil ha) e Piauí (+20 mil ha). No Sul, área de soja vai crescer mais em cima do milho.
A Agroconsult reduziu sua estimativa inicial de 8,4 milhões de hectares para a área plantada com milho de verão, para 7,96 milhões/ha.
Ainda assim, será um aumento de 1,4% ante a safra anterior. A produção, contudo, deve recuar 5,8%, a 32,062 milhões de toneladas. A área de milho safrinha deve aumentar 1,4%, a 5,33 milhões de ha, com produção 5,4% maior, em 21,13 milhões de toneladas. Para Meneghin, esse aumento da safrinha apesar dos baixos preços do cereal tem relação direta com a força política dos produtores do Mato Grosso junto ao governo, que deve garantir a eles a continuidade dos leilões de subsídio à comercialização. "A política de subsídio tem dado resultado. Eles têm ganho um saldo de R$ 150 por hectare por conta dessa política. Não é pouco", avaliou.
Ao contrário da Agroconsult, a consultoria AgraFNP prevê redução nas áreas dos principais grãos em 2010/11. No caso da soja, a estimativa é de uma leve redução de 0,9%, ou 200 mil hectares, para 22 milhões de ha. No milho, a retração será mais forte: 7%, ou 900 mil hectares, para 12,1 milhões de ha. "O cenário para o cereal está muito complicado", afirmou o analista de commodities Francis Kinder. "O milho safrinha deve ser substituído pelo algodão em Mato Grosso e, no Paraná, cederá lugar à soja", afirmou. Ele estima redução de 10% no plantio de milho em Mato Grosso, para 1,8 milhão de ha. No algodão, sua projeção é de aumento de 39% na área em 2010/11 para 1,15 milhão de hectares. Mato Grosso deverá ampliar as lavouras em 35%.
Estrela - O algodão, aliás, deve ser a estrela das commodities agrícolas brasileiras na safra 2010/11, com preços em alta e demandas interna e externas aquecidas, afirma Marcos Rubin, especialista da Agroconsult neste mercado. Mesmo a forte expansão de 19% da área cultivada nos Estados Unidos, como mostrou ontem o governo norte-americano, não deve arrefecer as cotações. "Em 2010/11, a situação entre oferta e demanda continuará bastante ajustada e, os preços, elevados", disse. O produtor fixou 25% da produção da próxima safra a valores altos. "Haverá boa rentabilidade novamente e os custos ficarão estáveis. Vários fatores positivos estão convergindo para um bom ano para os cotonicultores", afirmou.
Essas condições favoráveis devem elevar o plantio do algodão em 28,5% na safra 2010/11, para 1,09 milhão de hectares no País. A produção em caroço e em pluma deverá crescer, ambas, 36%, para 2,404 milhões e 1,705 milhão de toneladas respectivamente, estima a Agroconsult.
Cautela - O governo federal ainda não divulgou estimativa oficial da safra 2010/11, mas já mostrou estar cauteloso quanto aos resultados do próximo ciclo. No dia 8 de junho, quando divulgou a mais recente estimativa para a safra 2009/10, o diretor de Política Agrícola e Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Silvio Porto, disse que o próximo ciclo dificilmente terá o mesmo vigor da atual. "Não sei se teremos essa generosidade da natureza em 2011. Sabemos que o clima oscila muito e podemos ter um comportamento diferenciado", disse. Na ocasião, contudo, ele salientou que o momento está muito favorável ao plantio. A Conab divulgará a primeira estimativa da safra 2010/11 no dia 7 de outubro.

SAFRA 2010/11: PREÇO DA PLUMA AUMENTARÁ ÁREA DE PLANTIO EM MATO GROSSO.

A perspectiva para a safra 2010/11 em Mato Grosso é de manutenção da área plantada para a maioria das culturas, com leve recuo no cultivo de soja, em função da baixa rentabilidade proporcionada pela oleaginosa neste ano, e aumento no plantio de algodão, devido à recuperação dos preços da pluma. O diretor executivo da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Seneri Paludo, prevê também a repetição do padrão tecnológico registrado na safra passada, levando em conta os custos e a expectativa de que os preços se mantenham nos patamares atuais.
Além da rentabilidade da soja, que, apesar de positiva, foi a menor dos últimos três anos, outro fator que influenciará a decisão de plantio da safra 2010/11 são as perspectivas ruins para a comercialização de milho. Paludo explica que os produtores mato-grossenses aumentaram a área plantada de safrinha, mas estão colhendo menos cereal por hectare, por causa da quebra provocada pela estiagem. Com a área maior a produção se manteve estável e a oferta vem deprimindo os preços. Por isso, diz ele, a safra 2010/11 começou num ritmo devagar, tanto na compra de insumos como nas vendas antecipadas da soja, em relação aos últimos dois anos.
Em relação ao milho, Seneri Paludo considera prematuro fazer previsões, pois as tradings começam a fechar os pacotes de troca do cereal por insumos a partir de setembro. Na opinião do dirigente, a comercialização do milho nos próximos dois meses será determinante para a tomada de decisão em relação ao plantio da próxima safra.
Área menor para a soja - A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) prevê uma redução de 2% da área plantada de soja na próxima safra, para 6,09 milhões de hectares. Segundo a Aprosoja, os produtores devem deixar de plantar em solos que, além de exigir mais investimentos e ter maior risco, proporcionam retorno menor. Um aspecto que a Aprosoja destaca é a necessidade de maior participação de capital próprio dos agricultores para bancar o plantio, por causa da menor oferta de crédito por parte das tradings.
Um estudo elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que as tradings que respondiam por 50% do financiamento da safra de soja em Mato Grosso, na safra 2010/11 devem responder por apenas 25%. Em contrapartida, os recursos próprios dos agricultores que há dois anos correspondiam a 22% dos gastos com a lavoura, nesta safra deve atingir 37%. O presidente da Aprosoja, Glauber Silveira, observa que a retração do crédito por parte das tradings, que começou com a menor oferta de financiamento em espécie, agora chegou às operações de troca.
Algodão - Na safra 2009/10 a área plantada com algodão cresceu 17% em Mato Grosso, para 416,7 mil hectares, impulsionada pela recuperação dos preços da pluma, a partir do final do ano passado. Na safra 2008/09, a área havia retraído 33% em relação à anterior, para 355,6 mil hectares. A perspectiva é de retomada do plantio para atingir o recorde de 529,6 mil hectares registrado na safra 2007/08.

SAFRA 2010/11: ALGODÃO DEVE AVANÇAR SOBRE ÁREA DE MILHO E SOJA

1º - O cenário de oferta apertada no mercado mundial de algodão aponta para preços remuneradores na safra 2010/11, que se inicia. "A expectativa é positiva para a nova safra", informa o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), João Carlos Jacobsen. O Estado da Bahia tem hoje uma das maiores produtividades do mundo, de cerca de 270 arrobas por hectare, superando os Estados Unidos, maior produtor e exportador da fibra.
Conforme Jacobsen, a alta dos preços futuros do algodão na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) se deve, em grande parte, à redução dos estoques mundiais do produto, provocada por problemas pontuais em importantes países produtores, como China e Estados Unidos. Os preços subiram de 10% a 15% em relação ao ano passado e a tendência é de o mercado brasileiro acompanhar o ritmo, melhorando a margem de lucro dos cotonicultores.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do Comitê Consultivo Internacional do Algodão (Icac), o estoque mundial final de pluma na safra 2008/09 era de 13,5 milhões de t, recuou para 11 milhões na safra seguinte e a expectativa é de nova queda em 2010/11. Jacobsen informa que os Estados Unidos, principal exportador mundial, reduziu a área de plantio nos últimos anos, por causa da concorrência com o milho para etanol e da discussão sobre a eliminação dos subsídios aos produtores.
Na China, a produção custa a crescer acima de 7 milhões de t, em virtude da elevação dos custos de produção. Em contrapartida, a demanda chinesa segue "voraz". Para a safra 2009/10, a estimativa é de que as aquisições alcancem 2,1 milhões de toneladas, segundo o USDA, e, para a safra 2010/11, de que a demanda fique em 2,4 milhões de toneladas, de acordo com o Icac.
"Na Bahia, em particular no oeste do Estado, a tendência é de o produtor migrar para o algodão, já que milho e soja estão com preços deprimidos", diz Jacobsen. De acordo com ele, a área de plantio com algodão no Estado pode crescer de 20% a 25%, para cerca de 310 mil hectares, retomando nível da safra 2008/09. "Produtores que saíram da atividade devem retornar, aproveitando a infraestrutura já existente", comenta.
O Brasil deve produzir na safra 2009/10 cerca de 1,2 milhão de t de pluma, concentrado em Mato Grosso, Goiás e Bahia (perto de 90% do total). O consumo está projetado em 1 milhão de t. O presidente da Abapa relata que a indústria têxtil está preocupada com a oferta apertada e pretende se reunir com os produtores na próxima quarta-feira (7), em São Paulo. "A ideia é criar estratégia para manter o setor abastecido", diz Jacobsen, que deve participar do encontro.
O preço mínimo de garantia do algodão é de R$ 44,60 a arroba, posto em São Paulo. Atualmente, a cotação de mercado está um pouco acima, mas é preciso considerar os custos com transporte, da ordem de 15%. "Por enquanto, está empatando, mas o preço tende a cair mais, conforme avança a colheita", ressalta Jacobsen.

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