Horas depois de o Banco Central anunciar medidas prudenciais que dificultam a aposta dos bancos no mercado cambial, o novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, lançou diversos alertas sobre a trajetória futura do câmbio. Ao lembrar que o regime de câmbio no Brasil é flutuante, ele afirmou que a palavra de ordem ao tratar do câmbio é, agora, “cautela”. “Também dizíamos que era preciso ter cautela com o câmbio em 2008, quando o câmbio acabou se ajustando rapidamente. Isso pegou muita gente desprevenida”, disse Tombini, que ressuscitou discurso do BC que alerta que o câmbio é flutuante e pode oscilar para cima ou para baixo. “Temos um sistema de câmbio flutuante que funciona bem no Brasil porque flutua para os dois lados”.
Tombini citou que a cautela é necessária especialmente para quem pensa em contrair dívidas em moeda estrangeira. “Empresas e indivíduos precisam ter cautela quando tomar compromisso em moeda estrangeira. A tendência de curto prazo não necessariamente vai continuar pelo horizonte”, disse durante a primeira entrevista.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
CÂMBIO: CAUTELA É A PALAVRA DO DIA.
CÂMBIO-GOVERNO ALTERA RETENÇÃO DO COMPULSÓRIO DOS BANCOS.
O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta, dia 6, uma medida para redimensionar a posição de câmbio vendida das instituições financeiras. A medida aperfeiçoa os instrumentos de regulação existentes e contribui para manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Com a medida, o BC pretende melhorar o funcionamento do mercado de câmbio à vista e reduzir as posições vendidas, que em dezembro passado alcançaram o valor de US$ 16,8 bilhões.
A circular publicada hoje no Sisbacen determina que as instituições financeiras deverão recolher ao Banco Central, sob a forma de depósito compulsório, 60% sobre o valor da posição de câmbio vendida que exceder o menor dos seguintes valores: US$ 3 bilhões, ou o patrimônio de referência (PR).
Conforme a nota, esse depósito compulsório será recolhido em espécie e não será remunerado. Segundo o BC, as instituições terão 90 dias para se adequar à nova regra e a medida terá efeitos a partir do dia 4 de abril.
Na terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo brasileiro não permitirá que o dólar "derreta", ou seja, continue em queda. Segundo o ministro, o dólar barato prejudica as condições de competitividade das empresas brasileiras, por deixar as exportações mais caras e as importações mais baratas.
CONAB/MILHO DEVE DIMINUIR 7,5%, PARA 31,5 MI DE TONS
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou a estimativa da produção de milho de primeira safra em 2010/11 para 31,511 milhões de toneladas em seu quarto levantamento de safra, divulgado hoje. Em dezembro, a estatal previa 31,347 milhões de tons. Apesar da revisão positiva, o volume ainda será 7,5% menor que o da safra 2009/10, de 34,079 milhões de tons.
A safra total de milho esperada para 2010/11 é de 52,723 milhões de toneladas, queda de 5,8% ante 55,968 milhões de tons do ano anterior. A produtividade média prevista para a primeira safra de milho é 4.236 kg/ha, 4,0% menor que a da safra 2009/10, que alcançou 4.316 kg/ha.
A área cultivada com milho primeira safra 2010/11, deve ficar em 7,393 milhão hectares, extensão 3,7% menor que a área cultivada na primeira safra 2009/10, que foi de 7,724 milhões de ha.
A Conab ressalta que o plantio do milho primeira safra ocorreu de forma mais lenta que na safra passada, devido à irregularidade das chuvas.
No Rio Grande do Sul, que semeia mais cedo, os produtores tiveram que interromper a semeadura em vários momentos, devido a falta de umidade no solo tendo e as lavouras registram estágios de desenvolvimento diferenciados. A falta de chuva dos últimos dias já causa perdas, principalmente no centro do Estado e na metade sul.
Em Minas Gerais e Goiás, as lavouras tem desenvolvimento normal depois do início do período chuvoso, recuperando os danos causados pela falta de umidade no solo, que atrasou o início da semeadura.
CONAB/SOJA PRODUÇÃO REDUZ 0,2% PARA 68,6 MI DE TONS
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) manteve a estimativa da produção de soja na safra 2010/11 em 68,55 milhões de toneladas, queda de 0,2% ante a produção de 68,68 milhões de t produzidas em 2009/10, no quarto levantamento divulgado hoje.
A área plantada teve incremento de 2,6% em 2010/11, para 24,08 milhões de hectares. A extensão é recorde, superando a maior até então, da safra 2004/05, de 23,3 milhões de hectares. O incremento na área cultivada ocorreu em todas as unidades da federação, com destaque para Mato Grosso onde se prevê um crescimento de 147,3 mil hectares, seguido do Paraná, 128,1 mil hectares, do Rio Grande do Sul, 79,5 mil hectares e do Estado de Goiás, com crescimento de 56,1 mil hectares.
A Conab informou que, de modo geral, as lavouras apresentam bom desenvolvimento, exceção de regiões pontuais como as da fronteira sudoeste e sul do Rio Grande do Sul, onde as chuvas continuam escassas. Na semana da pesquisa, na maioria das lavouras predominavam os estágios de desenvolvimento vegetativo e início de floração. No Estado do Paraná, aonde o plantio nesta safra teve início nos primeiros dias do mês de outubro, as lavouras estão mais avançadas, com cerca de 45% em floração e 8% já na fase de formação de grãos.
Na região Centro-Oeste, as chuvas vêm ocorrendo de forma regular e bem distribuídas. O mesmo acontece nos Estados produtoras do Nordeste, região de Cerrado,especificamente no oeste da Bahia, sul do Piauí e do Maranhão, informou a estatal.
MILHO SAFRINHA: PREÇO ESTIMULARÁ PLANTIO.
A valorização do milho nos últimos meses de 2010 será um estímulo para o plantio da segunda safra neste ano. Em algumas regiões, no entanto, o atraso de mais de um mês na implantação das lavouras de verão limitará o cultivo da safrinha do cereal. É o caso do Centro-Oeste, onde a segunda safra de milho deveria ser cultivada ainda em janeiro, mas a colheita da primeira safra se estenderá. Produtores devem, então, optar pelo cultivo do algodão, que pode ser semeado mais tarde. Neste caso, o preço também é atrativo. A pluma se valorizou 90% em 2010. A estimativa é de que a área de milho cairá até 7% no Centro-Oeste.
No Parará, por outro lado, a área tende a crescer, compensando a redução verificada na primeira safra, quando a soja teve prioridade. Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), destaca que o investimento em tecnologia deverá resultar em bom potencial produtivo. "Teremos uma safra boa, com preço bom", diz. Para ele, se os preços do milho continuarem no patamar de R$ 23,00/saca no norte do Estado e R$ 26,00/saca no sul paranaense haverá estímulo até para crescimento da safra verão 2011/12.
Valorização - Somente no segundo semestre de 2010 o preço médio recebido pelo produtor de milho do Paraná subiu 48,7% - de R$ 13,07/saca para R$ 19,43/saca. Em Sorriso, no médio-norte mato-grossense, a valorização de fevereiro a dezembro atingiu 140% - passando de R$ 6,00 para R$ 14,50/saca, reflexo do enxugamento da oferta da safra, escoada por meio dos leilões de escoamento de produto (PEP).
Em 2011, os preços devem continuar sustentados por causa da oferta mais ajustada, já que, além da menor área cultivada no verão, o estoque de passagem deve ser menor em função do grande volume de milho exportado em 2010. A previsão é de estoques de 11,173 milhões de toneladas neste início de ano, e de 9,632 milhões de tons no final de 2011, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O consumo interno também deve crescer, passando de 46,2 milhões para 46,5 milhões de tons. Tudo isso, mais uma safra total 6% menor - caindo de 56 milhões de tons para 52,5 milhões de tons, segundo a estatal -, contribui para o indicativo de cotações mais firmes em 2011.
Mato Grosso - Um dos fatores que deve colaborar para reduzir a oferta do grão é a queda de 10% a 15% na área da safrinha de Mato Grosso, segundo a Agrosecurity, por conta do atraso na safra verão. O Estado é o maior produtor de safrinha, e em 2010 colheu 7,7 milhões de toneladas, segundo a Conab. A consultoria aponta, ainda, que em Lucas do Rio Verde a queda na área pode ser ainda mais expressiva e chegar a 30%. Já a consultoria AgraFNP prevê uma redução de 7% na segunda safra de Mato Grosso, de 1,9 milhão de hectares para 1,7 mi/ha. Para o País como um todo, a Agrosecurity estima redução de 4% na área de safrinha, passando de 5,242 milhões de hectares para 5,033 milhões de hectares.
Cenário externo - Os preços também tendem a se manter firmes no mercado internacional. A preocupação com a redução da safra de milho dos Estados Unidos e o aumento do porcentual de adição de etanol à gasolina, de 10% para 15% naquele país, provocaram um aumento de mais de 30% nas cotações do milho em 2010. "O mercado não tem espaço para quebra de safra. Qualquer aumento da demanda, o mercado deve precificar para cima", analisa Flávio Oliveira, corretor da Terra Futuros, de São Paulo (SP).
Para o consultor em commodities Ricardo Lorenzet, da XP Investimentos, do Rio de Janeiro (RJ), ainda haverá um bom suporte nos preços internacionais do milho no primeiro trimestre de 2011. Segundo ele, a perspectiva de aumento das importações chinesas do cereal e a maior demanda por ração devem elevar o consumo no ano. Além disso, se as cotações internacionais caírem poderá haver uma redução de área plantada com o grão nos Estados Unidos, maior produtor mundial. "Os americanos vão até precisar aumentar a área para suprir a demanda do etanol", acredita.
MEDIDAS CAMBIAIS ESTÃO NA RETA FINAL.
O governo é novo, mas a discussão das medidas cambiais para conter a valorização do real está na pauta há algum tempo e foi um tema relevante na transição para o governo Dilma Rousseff. Na época, a presidente pediu silêncio da equipe porque não queria fazer marola no mercado financeiro às vésperas de sua posse. Mas, agora, o debate das medidas entrou na reta final. Entre as "infinitas" alternativas citadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, está a possibilidade de o governo fazer uma espécie de regra cruzada: os novos ingressos de capitais podem sofrer uma taxação maior do IOF e, adicionalmente, terem um período de permanência no País, com a adoção da temida quarentena.
Essa alternativa é drástica e sua adoção dependerá da aprovação de Dilma Rousseff, depois de considerações sobre o nível de volatilidade, a posição do mercado em dólares e o potencial de ingresso de capitais na busca de um melhor rendimento no Brasil. O governo tem a preocupação de não quebrar as chamadas regras contratuais. A discussão, no entanto, existe a partir do seguinte raciocínio: quem já ingressou estaria fora da nova tributação e da eventual medida de restrição à saída. Os novos investimentos, se adotada a medida, já estariam enquadrados nas novas regras de pesada taxação e prazo para saída do capital.
Os técnicos afirmam que numa escalada, da medida mais simples a mais heterodoxa (como a imposição da quarentena), está a possibilidade de aplicar uma fortíssima elevação da alíquota do IOF. "O governo pode jogar a alíquota para as alturas", disse uma fonte à Agência Estado. Atualmente, o ingresso de capitais para investimento em renda fixa (títulos públicos) é taxado em 6% e para as aplicações em Bolsa o imposto é de 2%. Essa medida é definida como "mais palatável" neste momento, por não significar uma mudança brusca de rumo na tentativa de evitar uma excessiva valorização do real. "A lógica que prevaleceu até agora é não impor qualquer restrição à saída de capitais", disse uma fonte.
A forte volatilidade do dólar não é um problema apenas da economia brasileira. A moeda está volátil em todo o mundo. No ano passado, durante fóruns internacionais, os países tentaram organizar uma ação coordenada, o que não funcionou. E o que prevaleceu foi a ação isolada. O Brasil optou pela maior taxação via IOF. Guido Mantega, no entanto, sempre cultivou a proposta de que, no limite, o governo deveria adotar a quarentena porque o Brasil tem uma economia saudável e sustenta maior atratividade de capitais, principalmente com eventos como a Copa do Mundo e Olimpíadas.
Os investidores, no entanto, também deixaram claro por meio de seus interlocutores no mercado internacional, que não viam com bons olhos uma intervenção à base da quarentena. Definiam essa alternativa como uma intervenção suja no câmbio. Para eles, a medida "mais salutar" nas atuais circunstâncias de uma guerra cambial é a brusca elevação do IOF. "Isso todo mundo aceita. Fica claro que quem quiser entrar vai pagar caro", citou uma fonte.
Em meio às tentativas de equilibrar a cotação do câmbio, o governo também vai atuar na ponta diretamente com os setores mais prejudicados. Por isso, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, no discurso de posse, defendeu medidas específicas para estimular o setor exportador, o que foi confirmado por Mantega. O forte seriam as novas desonerações. Ao lado dessas alternativas há, ainda, o efeito benéfico de um ajuste fiscal "de verdade", porque reduziria a pressão da taxa de juros para acomodar a inflação na meta de 4,5% este ano. Ou seja, o governo faria uma retração do seu consumo e, em troca, o Banco Central ter uma mão mais leve na dosagem de aumento dos juros. Parte da atratividade do mercado brasileiro está na alta taxa de juro para remuneração de capitais.
Mantega está com os dois instrumentos em mãos. Os estudos preliminares sugerem que o corte de gastos não serão inferiores a R$ 35 bilhões. Algumas análises citam um corte de R$ 55 bilhões, considerando a eliminação dos R$ 20 bilhões de aumento de receita contabilizado pelo Congresso. Há, no entanto, um descompasso, que é político, para a finalização dos cortes: as disputas por cargos. Dilma determinou um rigoroso controle na definição de cargos do secundo escalão, o que provocou a reação imediata dos aliados, principalmente do PMDB e do PT. Essa equação não está resolvida, o que dificulta a definição dos cortes, que não serão lineares.
GRÃOS/CHICAGO VOLTA A SE PREOCUPAR COM ARGENTINA.
Os futuros da soja negociados na bolsa de Chicago recuperaram-se ontem após dois dias de queda, uma vez que os traders continuam preocupados com o clima desfavorável na Argentina, importante exportador da oleaginosa.
O contrato janeiro, mais próximo, fechou com alta de 25 centavos, ou 1,8%, cotado a US$ 13,86 por bushel, máxima de três dias. O março, de maior liquidez, subiu 24 centavos, ou 1,8%, para US$ 13,9350 por bushel. No dia 31 de dezembro, o mercado fechou a US$ 13,9375, maior nível desde 31 de julho de 2008.
O mercado se recuperou depois que as vendas generalizadas durante a sessão de terça feira fizeram os preços cair 3,5% ante a máxima de segunda-feira, disseram analistas. Os futuros da soja avançaram recentemente devido às compras recordes da China, o maior importador mundial, e às preocupações com a Argentina, terceiro maior exportador."O milho e a soja sofreram um pouco com um exagero na realização de lucros", disse Sean McGillivrat, vice-presidente da Great Pacific Trading Company.
O panorama a longo prazo para a soja é "bastante altista" devido à forte demanda global e às preocupações com a oferta, disse Anne Frick, analista da Prudential Bache. A estiagem nas áreas produtoras de soja da Argentina parece ter sido positiva para os preços hoje, disse ela.
Leves chuvas em algumas regiões de soja e milho da Argentina nos próximos dias provavelmente não serão suficientes para aliviar a estiagem, de acordo com a Telvent DTN.
Os futuros da soja alcançaram o recorde acima de US$ 16,50 por bushel em julho de 2008, quando o mercado foi afetado por problemas na América do Sul aliados a preocupações climáticas nos EUA, o maior exportador mundial.
Os derivados da soja também subiram em linha com a soja, em recuperação após o recuo recente. O contrato março do farelo avançou US$ 5,20, ou 1,4%, para fechar cotado a US$ 373 por tonelada. O março do óleo ganhou 91 pontos, ou 1,6%, para 57,76 centavos por libra-peso.
MILHO CHICAGO SEGUE E FECHA COM VALORIZAÇÃO
Os preços futuros do milho saltaram nesta quarta-feira, com suporte do mercado de soja, que avançou com preocupações relacionadas ao clima na América do Sul. Os contratos mais líquidos, com vencimento em março, fecharam com valorização de 10,75 cents ou 1,77%, cotados a US$ 6,1925/bushel.
Previsões do tempo indicam clima seco na Argentina nos próximos sete a dez dias. Isso puxou as cotações da soja e influenciou o milho."O milho realmente avançou quando a soja avançou", observou um analista da bolsa. Ocorreram chuvas durante a noite em áreas de produção da Argentina e foram benéficas para as lavouras, "mas elas precisam de mais".
As commodities em geral tiveram suporte do relatório de emprego divulgado hoje nos Estados Unidos, que foi melhor do que o esperado. Analistas disseram que o prospecto de melhora na economia é bom sinal sobre a demanda por commodities, que já tem sido forte tanto para o milho quanto para outros produtos agrícolas.
Além disso, Smith notou que houve poucas vendas de produtores no rali.
Agora, traders e analistas aguardam os dados de oferta e demanda que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga no dia 12 de janeiro. Muitos esperam que os indicadores deem suporte aos preços.
TRIGO REAGE COM INFLUÊNCIAS DO CLIMA
Os preços do trigo subiram com força no mercado americano, diante de preocupações com o clima e influências positivas de outras commodities. Os futuros atingiram máximas em 28 meses.
Na Bolsa de Chicago os contratos com vencimento em março fecharam com valorização de 19,0 cents ou 2,41%, cotados a US$ 8,0825/bushel. Trata-se do maior preço de fechamento para o primeiro vencimento desde o fim de agosto de 2008.
Na Bolsa de Kansas City (KCBT), o mesmo vencimento avançou 24,0 cents ou 2,83% e terminaram a US$ 8,7325/bushel.
O que alimentou os ganhos do trigo foram os rumores de que a oferta pode não acompanhar o ritmo da demanda global, com as enchentes na Austrália e ameaças de que as baixas temperaturas possam afetar a safra dos Estados Unidos.
As commodities em geral tiveram um forte fechamento em 2010, de modo que caíram no inicio da semana e ontem encontraram algum suporte nos dados de emprego dos Estados Unidos, melhores do que o esperado.
Permanecem, ainda, as preocupações com a safra de trigo duro de inverno cultivada nas Planícies dos Estados Unidos e que será colhida no início do verão do Hemisfério Norte. As lavouras tiveram um começo ruim, quando plantadas em meio ao tempo seco no outono.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
MT/SOJA: RISCO DE CHUVA NA COLHEITA PREOCUPA PRODUTORES.
Os produtores de soja de Mato Grosso, que iniciaram o plantio com duas semanas de atraso devido a estiagem, voltam a monitorar o clima às vésperas do início da colheita. Desta vez a preocupação é com a expectativa de chuva exatamente no momento em que os trabalhos deverão se intensificar, a partir de meados deste mês. "Está chovendo significativamente desde o Natal. Tem chovido quase diariamente, e isso já está inspirando uma preocupação, pois dificulta as aplicações necessárias durante o desenvolvimento", alertou Maria Amelia Tirloni, analista de grãos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Se o volume de chuvas superar o índice normal para o início de fevereiro, quando a colheita ganha força, o peso do grão diminui e a produtividade pode cair. "Este vai ser um ano delicadíssimo para falar de produtividade", completou ela.
Laercio Pedro Lenz, produtor de Sorriso, é um dos que já estão preocupados. Ele afirma que o atraso no plantio não afetou de maneira significativa as lavouras, mas diz que há previsão de 700 mm de chuva para o mês de fevereiro, quando o normal é cerca de 300 mm. "Se isso se confirmar, vai complicar a colheita; passa da hora e a soja estraga. O que faltou (chuva) em dezembro parece que vem em fevereiro", disse ele, que prevê iniciar a retirada da soja de suas lavouras a partir do dia 25.
Em algumas regiões de Mato Grosso já se colhe soja, como nos municípios de Tapurah, Sorriso e Sapezal, mas a área é pouco significativa. Nesses locais, quem começou os trabalhos está se preparando para implantar algodão ou contou com irrigação no início do plantio e saiu na frente dos outros produtores.
Tradicionalmente, Lucas do Rio Verde lidera os trabalhos de colheita e a expectativa no município é de que ela comece após o dia 15. Entretanto, a estiagem no início do plantio pode ter provocado uma perda de até 3% na área destinada ao grão, segundo o secretário da Agricultura da cidade, ante os 240 mil hectares na temporada passada. Edu Pascoski explica que alguns produtores que tinham compromissos com o algodão não conseguiram plantar a soja precoce.
Glauber Silveira, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), realizou um tour pelo Estado recentemente e conta que as lavouras não estão tão bonitas quanto se esperava. "Não acho que estão maravilhosas. Vi muita lavoura ruim, porque em ano mais seco ela fica um pouco mais feia. Como atrasou muito, elas tendem a ficar mais bonitas a partir de 20 janeiro", disse ele.
Isso, entretanto, não quer dizer que a produtividade será menor e, segundo ele, o Estado pode até superar a expectativa. "Em ano mais seco a soja enraíza mais, tem potencial maior e produz mais." O Imea estima a produção do Estado em 18,7 milhões de toneladas, em uma área de 6,2 milhões de hectares.
CHICAGO/GRÃOS OPERAM EM BAIXA GENERALIZADA.
Participantes do mercado de soja embolsam lucros e pressionam hoje as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT). Os futuros atingiram o menor nível em uma semana. Os contratos com vencimento em março caíam 16,50 cents para US$ 13,62/bushel. A mínima até o momento foi US$ 13,58/bushel.
O mercado não foi capaz de atrair compradores para esticar os ganhos obtidos no pregão eletrônico, durante a noite. A cautela dos traders se deve à incerteza sobre a produção da Argentina, onde as temperaturas estão mais amenas em algumas áreas, atraindo os vendedores a Chicago.
Traders também estão reduzindo sua exposição ao risco antes da divulgação dos dados mensais de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Analistas acrescentaram que fundos de índice se reposicionam, reduzindo sua posição de compra no mercado.
MILHO ESTICA PERDAS DE ONTEM
As cotações do milho estão estendendo nesta terça-feira as perdas observadas ontem com pressão da continuidade da realização de lucros, após um salto do mercado para as máximas em 29 meses na segunda-feira. Os contratos com vencimento em março, os mais líquidos, cederam 12,0 cents ou 1,93%, para US$ 6,0850/bushel. Expectativas de chuva e temperaturas mais amenas na Argentina diminuem as preocupações com eventuais danos na safra de milho.
TRIGO TRABALHA COM PERDAS DEPOIS DE ALTA RECENTE
Os preços futuros do trigo caminham em território negativo hoje no mercado americano, depois de terem atingido o maior nível desde agosto de 2008, na segunda-feira.
Na Bolsa de Chicago os contratos com vencimento em março operam em baixa de 2,75 cents ou 0,34%, a US$ 8,0275/bushel. Na Bolsa de Kansas City (KCBT), o mesmo vencimento cedia 1,0 cent ou 0,12%, para US$ 8,62/bushel.
Vendas em outros mercados, como os de milho e soja, pressionam o trigo neste momento, segundo analistas. Traders estão embolsando lucros em todos os mercados, após ganhos recentes.
GRÃOS: DEMANDA MAIOR QUE OFERTA SUSTENTA MERCADOS EM 2011
Demanda em alta, oferta apertada e excesso de dólares em circulação apontam para mais um ano de preços sustentados no mercado internacional de grãos e também de algumas soft commodities em 2011. Será o momento de tentar recuperar estoques perdidos por conta de eventos climáticos extremos em 2010 - seca no Leste Europeu, inundações na Ásia e agora na Austrália - enquanto se busca atender o crescente apetite por alimentos dos países emergentes, liderados pela China. "O mercado tem uma perspectiva extremamente altista", avalia Vinicius Ito, analista da corretora Newedge, em Nova York.
Mais que a especulação, são questões estruturais que devem manter o valor dos produtos agrícolas em alta. Em relatório divulgado em 1º de dezembro, a Organização para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO) estimou preços dos grãos mais altos até setembro de 2011, por causa da queda nos estoques. "Um desenvolvimento importante e novo nesses mercados é que, ao contrário dos ralis anteriores, quando os preços subiam durante um ou dois meses e depois caíam, agora eles ficam em níveis elevados por um período muito mais longo de tempo", alertou Abdolreza Abbassian, secretário do Grupo Intergovernamental sobre Grãos para Alimentação, da FAO.
Nos três principais grãos - soja, milho e trigo - o consumo vai empatar ou superar a produção em 2010/11. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de soja deverá ser de 257,36 milhões de toneladas, para um consumo de 254,67 milhões de tons. No milho, a produção deverá chegar a 818,52 milhões de t, para uma demanda de 837,31 milhões. No trigo, a produção é estimada em 642,89 milhões de t, e o consumo, em 665,79 milhões de t. Embora os analistas considerem que os estoques mundiais de trigo sejam mais folgados que os dos outros grãos, a baixa qualidade de parte da produção deve fazer com que o volume destinado à alimentação humana seja menor que o previsto.
No caso da soja, um dos principais itens da pauta de exportação do Brasil, a perspectiva é de produção menor nos Estados Unidos em 2011/12, por causa da concorrência com o milho. No Brasil e na Argentina, segundo e terceiro maior produtor, a safra 2010/11, que será colhida no primeiro trimestre, tem tido leves revisões para baixo por causa do La Niña. Enquanto isso, as compras chinesas não param de crescer e apesar de o país ter elevado o juro mais uma vez em dezembro, a leitura é de que a demanda do país seguirá forte.
É preciso também lembrar que a Rússia, após a pior seca das últimas décadas, ao mesmo tempo em que suspendeu suas exportações de trigo dá mostras de que precisará importar milho dos vizinhos. Na Austrália, um dos maiores exportadores mundiais de trigo, chuvas reduzem a qualidade do cereal em lavouras já prejudicadas pelo clima na época do plantio. Nos últimos dias de 2010, as chuvas torrenciais que inundaram uma área equivalente à Alemanha e à França no país devem prejudicar o transporte do cereal.
Ito aponta que o mercado futuro da Bolsa de Chicago já está há algum tempo precificando esse déficit de oferta no mundo, no que os especialistas chamam de backwardation, ou seja, os preços dos contratos mais curtos ficam mais altos que o dos contratos mais longos. Isso também é chamado de mercado invertido. Em Chicago, o contrato do milho com vencimento em maio de 2011 valia US$ 6,29 em 31 de dezembro, enquanto o maio de 2012 era cotado por US$ 5,74. Na soja, o contrato março 2011 valia US$ 14,03 e o março 2012, US$ 13,0750 por bushel. "Isso quer dizer que o mercado está incentivando o agricultor a aumentar a produção neste momento", interpreta Ito.
Além dos fundamentos positivos dos grãos e também das soft commodities como o café e o açúcar, o dólar mais barato tem dado impulso às commodities. E isso deve continuar enquanto o Federal Reserve, banco central norte-americano, continuar a injetar mais dinheiro na economia, pressionando a moeda.
Em dezembro houve períodos de forte alta do dólar ante outros pares, como o euro. Supondo que esse movimento continue, o câmbio até poderia ser uma âncora para os preços das commodities agrícolas. Mas a possibilidade de recuo expressivo é remota justamente por causa dos fundamentos estruturais dos mercados de grãos. "Além disso, as taxas de juros próximas de zero e o afrouxamento quantitativo nos EUA, que pode ser inflacionário, devem continuar a atrair fundos para as commodities, historicamente utilizadas como proteção contra a inflação", avalia o analista da Newedge.
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