quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

BANCO MUNDIAL: G-20 PRECISA AGIR PARA CONTER ALTA DAS COMMODITIES

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, informou que o G-20 precisa agir para conter a alta das commodities, dizendo haver uma "ampla tendência de aumento dos preços", segundo reportagem da agência de notícias Reuters. Segundo ele, há uma demanda de consumo maior por açúcar e carnes nas economias emergentes em rápido crescimento. "2008 deve ter sido um alerta, mas ainda não estou certo de que todos os países do mundo despertaram para isso", afirmou ele, referindo-se à elevação dos preços das commodities. "Nós vamos enfrentar uma ampla tendência de alta dos preços das commodities, incluindo os alimentos", disse Zoellick, acrescentando que o G-20 precisa trabalhar para conter a volatilidade dos preços.

PREÇO DAS COMMODITIES SOBE 4,05% EM JANEIRO
Depois de subirem mais de 5% em dezembro, as commodities produzidas pelo Brasil deram mais um salto em janeiro. O Índice de Commodities do Banco Central composto (IC-Br), que calcula a variação em real dos produtos primários brasileiros que têm negociação no exterior, teve alta de 4,05% em janeiro, atingindo 158,25 pontos (o indicador é calculado em uma base 100). No acumulado dos últimos 12 meses, o IC-BR teve alta de 33,6%.
O destaque foi o segmento agropecuário, com alta de 4,4% em janeiro. Em 12 meses, esse indicador registra avanço de 47,96%. O IC-BR de metais subiu 3,52% no mês passado e 19,11% em 12 meses. O IC-BR de energia avançou 3,40% em janeiro, com elevação de 12,47%nos últimos 12 meses.
O economista-chefe do banco BBM, Tomás Brisola, explicou que a alta das commodities não foi totalmente repassada para o varejo e, por isso, é um fator a mais de pressão no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a política monetária brasileira.
"Creio que ainda há um efeito por vir", disse Brisola. Ele destacou que o impacto das commodities se dá em um ambiente de economia aquecida e mercado de trabalho apertado. "As commodities são um obstáculo a mais para a queda da inflação", disse Brisola, que projeta que o IPCA em 2011 ficará próximo de 6,5%, o teto da meta inflacionária.
Para a analista de inflação do Itaú Unibanco Laura Haralyi boa parte da alta das commodities já foi incorporada ao IPCA e o cenário é de que esses preços fiquem em estabilidade neste ano. Ela destaca que o principal componente que puxou para cima as commodities foi o segmento de agropecuária, que também deverá se acomodar neste ano, a não ser que haja uma surpresa climática.
Mesmo que as commodities confirmem o cenário do Itaú de variação próxima de zero neste ano, a avaliação é de que os preços devem seguir elevados. Ou seja, a inflação pode não ter tanta pressão, já que ela por definição é calculada pela variação de preços, mas o peso no bolso do brasileiro dos elevados preços desses produtos continuará sendo sentido.

CHICAGO/GRÃOS; DEMANDA FORTE E TEMORES SOBRE OFERTA SUSTENTAM PREÇOS.

A forte demanda e os temores de uma oferta apertada deram sustentação ao mercado futuro de soja em Chicago ontem. O contrato março, de maior liquidez, fechou com alta de 6 centavos, ou 0,4%, para US$ 14,44 por bushel. O novembro, referente à nova safra, avançou 7 centavos, ou 0,5%, para US$ 13,75 por bushel.
"A demanda contínua, com uma nova venda anunciada para a China, a ameaça de aperto da oferta e a incerteza em relação à produção sul-americana deram suporte aos preços", disse John Kleist, analista da Allendale Inc.
A possibilidade de a demanda superar a oferta, já estimada em níveis precariamente baixos no final da temporada nos EUA, vem sendo o principal condutor do avanço recente do mercado para novas máximas. A soja atingiu nova máxima de 2 anos e meio, mas depois um leve movimento de realização de lucros limitou os ganhos.
O mercado tornou-se um pouco sobrecomprado depois que compradores ampliaram as posições compradas na semana passada, disse Kleist. "Os traders não estão muito dispostos a pressionar o lado vendido do mercado, e o dinheiro de investimentos continua a entrar nos futuros a cada sinal altista", completou ele.
O mercado está focado no racionamento do uso e em convencer os produtores a ampliar a área plantada com a oleaginosa em 2011. Prêmios de exportação firmes também deram sustentação aos ganhos, com traders também preocupados com o movimento de grãos no mercado disponível nos EUA devido a uma nevasca na região central do país ontem.
O óleo de soja deu continuidade a seu movimento de alta devido à forte demanda global por óleos vegetais e o contrato março subiu 53 pontos, ou 0,9%, para fechar a 59,25 centavos por libra-peso.
Já os futuros do farelo recuaram, conforme traders reduziram a exposição ao risco no mercado. O março caiu US$ 3,10, ou 0,8%, cotado a US$ 386,90 por tonelada.

MILHO SEGUE TRIGO E REGISTRA NOVAS MÁXIMAS EM 30 MESES
Os preços futuros do milho atingiram novas máximas em 30 meses na Bolsa de Chicago com influência positiva do mercado de trigo. Além disso, preocupações relacionadas à demanda global, que pode consumir os estoques já baixos, ajudam a sustentar as cotações.
Os lotes para entrega em março, os mais negociados, encerraram o dia com valorização de 3,25 cents ou 0,49%, cotados a US$ 6,6925/bushel. A máxima da sessão foi a US$ 6,7250/bushel. Estima-se que fundos de commodities tenham comprado cerca de 9 mil contratos de milho ontem, um volume moderado.
O mercado limitou os ganhos conforme traders embolsaram lucros, mas deve se recuperar das perdas no curto prazo, avalia o presidente da corretora The Money Farm, Mike Krueger. "O entusiasmo pelas compras desaparece e então surgem pessoas embolsando lucros", comentou.
Analistas disseram que os futuros precisam avançar mais para desacelerar a demanda e estimular os produtores a cultivar área plantada maior com milho na primavera do Hemisfério Norte e reabastecer os estoques. A disputa por área plantada continua acirrada com outras culturas, entre elas a soja, que registrou máximas em dois anos hoje.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

SOJA: NICHO DE MERCADO ESTIMULA PLANTIO CONVENCIONAL.

Os prêmios pagos pela soja convencional, em média de R$ 2 por saca, vêm convencendo alguns sojicultores brasileiros a destinarem ao menos uma parte de sua produção ao grão que não foi geneticamente modificado. As vantagens da soja transgênica (OGM) são o controle mais fácil das ervas daninhas, a menor suscetibilidade da planta ao clima e o número inferior de aplicações de herbicidas, mas o custo de produção e a produtividade têm sido equivalentes ao do plantio convencional. Como há um nicho de mercado para o produto não transgênico, a tendência, segundo analistas, é de o produtor com condições de segregação continuar reservando espaço para a soja convencional.
De acordo com Jorge Attie, analista da Céleres, estudos da consultoria elaborados no mês passado mostram que a produtividade da soja convencional é a mesma da transgênica tanto em Mato Grosso - 3.300 quilos por hectare - quanto no Paraná - 3.180 quilos. Já no caso do milho, cujo plantio transgênico cresce a cada safra, a diferença é significativa. No caso de Cascavel, no oeste paranaense, o rendimento do produto convencional alcança 7.320 quilos por hectare, ante 7.800 kg/ha do OGM.
O custo de produção da soja também não varia muito, segundo Attie. Em Mato Grosso, é de R$ 1.381 por hectare para a soja convencional e de R$ 1.378 para a transgênica, conforme a Céleres. No Paraná, o custo da convencional chegou a R$ 1.319 por hectare, contra R$ 1.289 para a geneticamente modificada.
Gilberto Guarido, engenheiro agrônomo da cooperativa paranaense Coamo, diz que os produtores que optam pela soja convencional apóiam-se na expectativa em relação ao prêmio e na boa produtividade de algumas variedades. Na sua opinião, no entanto, essa diferença de preço deve deixar de existir. "A tendência é que isso diminua até desaparecer. À medida que os mercados vão tomando consciência de que não há diferença significativa (na qualidade) de uma soja para outra, não vão querer pagar mais por uma coisa que é igual", disse ele, explicando que a Coamo paga de R$ 1 a R$ 2 a mais pela saca de soja convencional. Segundo Guarido, os cooperados da Coamo dedicam apenas uma parte da área à variedade convencional; a maior parte da lavoura é transgênica
Plantio no Brasil - A Céleres estima que na safra 2010/11 os agricultores brasileiros tenham semeado 18,1 milhões de hectares com variedades de soja transgênica, ou 76,2% da superfície total. Em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, a proporção é menor que a verificada nos Estados do Sul, região pioneira na adoção do grão geneticamente modificado: 66,8%, contra 75,9% no Paraná e 99,8% no Rio Grande do Sul, respectivamente o segundo e terceiro Estados produtores.
Em Mato Grosso, a concentração de lavouras convencionais se dá na região oeste, onde, segundo Luiz Nery Ribas, gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Estado (Aprosoja), muitos produtores ainda plantam exclusivamente soja não transgênica. Esses sojicultores se beneficiam da proximidade com o porto de Itacoatiara, no Amazonas, por onde se escoa apenas soja convencional, destaca Ribas.
Em Mato Grosso, o prêmio gira em torno de R$ 2 a saca, mas pode chegar a até R$ 5/saca, diz o representante da Aprosoja. "O prêmio garante maior rentabilidade a esse produtor, que ainda se beneficia pelo não pagamento dos royalties (cobrados na soja transgênica). Isso estimula o plantio", diz Ribas. Ele enfatiza, ainda, o fato de que alguns insumos usados na soja tiveram seus preços reduzidos após a implantação da soja geneticamente modificada, o que também favoreceu o plantio convencional.
Segundo Ribas, Mato Grosso vem recebendo muitas missões da Coreia, Japão, China e Europa interessadas na soja convencional. O principal mercado é o europeu, onde ainda existem fortes restrições em relação aos organismos geneticamente modificados.

GRÃOS: INFORMA MANTÉM PROJEÇÕES PARA BRASIL E ARGENTINA

A empresa de análises privadas Informa Economics informou nesta quarta-feira que mantém suas estimativas de produção de milho e soja na Argentina, mesmo após chuvas benéficas para as safras no importante país exportador. A Informa espera que a safra de milho totalize 21 milhões de toneladas, abaixo da previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de 23,5 milhões de toneladas, de acordo com traders. A Informa estima a colheita de soja na Argentina em 49 milhões de toneladas, enquanto o USDA prevê 50,5 milhões de toneladas. "O clima na Argentina mudou durante a segunda metade de janeiro para um padrão de chuvas acima do normal, o que iluminou os prospectos de safra", declarou a Informa em relatório enviado a seus clientes. "Se as áreas com soja receberem volume normal de chuvas durante as próximas quatro a seis semanas, a produção eventualmente poderá superar as estimativas atuais."
Para o Brasil, segundo maior exportador de soja, a Informa também manteve sua previsão de safra em 69,3 milhões de toneladas, segundo traders. O USDA espera ver 67,5 milhões de toneladas. A Informa reiterou a projeção para as lavouras de milho, que produzirão 53,2 milhões de toneladas, acima da estimativa do USDA, de 51 milhões de toneladas.
A Informa não mudou as previsões de colheita de trigo da Austrália e da Argentina, totalizando 26 milhões de toneladas em 15 milhões de toneladas, respectivamente, segundo traders. O USDA avalia as safras em 25,5 milhões de toneladas e 14 milhões de toneladas.
Para o algodão, a Informa estimou safra global de 117,9 milhões de fardos, com reduções na Índia e na Austrália. O USDA avalia que a produção somará 115,5 milhões de fardos.

SAFRA 2010/11- MT - ÁREA DE ALGODÃO CRESCE 60% E SOJA 3,2%

O avanço sobre áreas de pastagens garantiu o aumento de 196 mil hectares (3,2%) na área plantada com soja na safra 2010/11 em Mato Grosso, estimada em 6,413 milhões de hectares no levantamento divulgado hoje pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), vinculado à Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). A expectativa em outubro do ano passado era de redução na área de soja em função do atraso das chuvas no início do plantio e da forte expansão do cultivo do algodão. O Imea, contudo, elevou sua projeção em dezembro e, de novo, em janeiro.
O diretor superintendente do Imea, Otávio Celidônio, observa que a soja cedeu 251,9 mil hectares para o algodão, que nesta safra terá o plantio recorde de 671 mil hectares, área 60% superior à cultivada no ciclo 2009/10. Segundo ele, se fosse levada em conta a perda para o algodão, a área de soja em Mato Grosso teria um aumento de 400 mil hectares nesta safra.
Celidônio explica que o aumento da área da soja se deve à alta de preços da oleaginosa e ao fato de os custos estarem relativamente baixos em relação à safra passada. Muitos produtores que já estavam com os insumos comprados aproveitaram os bons preços da soja para investir na conversão de pastagens para lavouras, diz ele.
Pelas estimativas do Imea, dos 26 milhões de hectares de pastagens existentes em Mato Grosso 9 milhões estão em solos aptos ao cultivo de lavouras. Celidônio afirma que a expansão da soja sobre áreas de pastagens só não foi maior porque "a conta de conversão está muito justa".
Segundo ele, se o preço da soja estivesse mais alto e o valor do arrendamento fosse maior, "com certeza haveria uma expansão maior da área de soja."
A previsão do Imea é de uma produção recorde de soja de 19,247 milhões de toneladas, com crescimento de 2,3% em relação as 18,8 milhões de toneladas colhidas na safra passada. Celidônio diz que o Imea está sendo conservador em sua estimativa, pois as primeiras lavouras colhidas estão com produtividades altas. Ele acredita que mesmo com a expectativa de chuvas para fevereiro, que podem atrapalhar a colheita, a produtividade deve ser manter acima de 50 sacas por hectare. O levantamento do Imea mostra que até a semana passada foram colhidos 2,8% da área estimada, ante 20% em igual período do ano passado. A diferença se deve ao atraso do plantio.
Algodão - As boas expectativas para o algodão, em função dos preços recordes da pluma, estão se confirmando em Mato Grosso. O Imea elevou mais uma vez sua estimativa de área plantada, que começou com a projeção de aumento de 27,6% em outubro, passando para 42% em novembro/dezembro, e 60% em janeiro. A área de algodão cresceu 89% em relação aos 355,6 mil hectares cultivados na safra 2008/09. O levantamento do Imea indica que 84% da área de algodão já foi cultivada até a semana passada, evidenciando o aumento do cultivo de primeira safra, iniciado em dezembro do ano passado.
Milho - O Imea manteve sua expectativa de redução na área plantada de milho, em virtude do atraso do plantio da soja. Celidônio afirma que a definição da área de milho será agora em fevereiro, pois haverá correria para a colheita da soja e plantio do cereal. No levantamento de janeiro, que prevê o plantio de 1,811 milhão de hectares, o Imea atenuou a expectativa de diminuição da área para 136 mil hectares, ante à redução de 182 mil hectares prevista em dezembro.
Celidônio diz que o Imea está sendo conservador em relação ao milho, pois o IBGE e a Conab prevêem 2 milhões de hectares. Ele diz que para atingir esta área muitos produtores terão que plantar fora do período ideal. Ele lembra que na safra passada os produtores que semearam o milho no início da janela de plantio colheram 100 sacas por hectare e quem semeou mais tarde colheu apenas 30 sacas por hectare.

COMMODITIES/UE DEVE ENDURECER REGRAS DE DERIVATIVOS AGRÍCOLAS.

A União Europeia (UE) deve apertar a regulação do mercado de derivativos agrícolas, sob o argumento de que a especulação financeira está impactando os mercados físicos de commodities, disseram comissários do bloco europeu em um comunicado divulgado hoje.
Michel Barnier, comissário encarregado da regulação dos mercados, informou que a volatilidade dos preços agrícolas é principalmente provocada por mudanças na oferta e na demanda, mas os "produtos agrícolas estão se tornando ativos financeiros, que é o motivo pelo qual queremos compartilhar com você nossa preocupação sobre isso."
Companhias financeiras podem ter uma grande influência sobre os mercados físicos de commodities, disse Dacian Ciolos, comissário de agricultura da UE. "O fato é que esses fundos de investimentos têm muita influência", afirmou Ciolos. Segundo ele, um fórum internacional é necessário para discutir questões ligadas à oferta de commodities, uma vez que decisões individuais de governos, como a restrição dos embarques, podem ter impacto na disponibilidade global de commodities agrícolas.

ESPECULAÇÃO É IMPORTANTE PARA AS COMMODITIES
A especulação é um importante componente dos mercados de commodities, e limites de posições não são um modo apropriado de controlar as atividades especulativas, informou nesta quarta-feira a Associação de Futuros e Opções (FOA). Em uma resposta preparada para Comissão Europeia, como parte de uma consulta pública acerca da Diretiva dos Mercados de Instrumentos Financeiros (MiFID), a FOA disse que a opção de usar o gerenciamento de posições deve ser preservada. "O papel dos especuladores nos mercados de commodities é criticamente importante, e atividades especulativas devem ser tratadas por meio de uma abordagem mais dinâmica e sensível no gerenciamento de posições", afirmou a associação. Contudo, a entidade disse que "o limite de posições deve ser um poder específico disponibilizado para autoridades regulatórias."
O período de consulta pública, que termina nesta quarta-feira, faz parte de um contínuo debate em torno do conteúdo da MiFID, uma lei da UE que estipula uma regulação harmonizada para serviços de investimento em todos os países membros do bloco europeu.
Os comentários sobre a especulação surgem em meio à disparada das commodities. Especuladores têm sido responsabilizados pela alta dos preços dos alimentos e do petróleo, mas até agora todas as investigações formais sobre o assunto não encontraram evidências conclusivas de que os fundamentos destes mercados foram distorcidos por este motivo.
Dados detalhando as posições mantidas por participantes do mercado são um modo muito mais útil para monitorar o complexo de commodities, de acordo com a FOA. "A extensão dos relatórios de transações para quaisquer operações de derivativos de commodities, seja em bolsa ou no balcão, não ajudará as autoridades competentes a detectar abusos", revelou a entidade. "A melhor forma de monitorar os mercados de commodities é por meio de relatórios de posições."
O presidente da associação, Anthony Belchambers, disse a repórteres em Londres que os mercados de commodities "precisam do máximo possível de ferramentas" para lidar com as várias questões enfrentadas pela classe de ativos. "A maneira de fazer isso é com a transparência de posições e o gerenciamento, para que cada mercado possa ser tratado de forma individual", afirmou ele. "O gerenciamento de posições é muito mais dinâmico e eficaz que o limite de posições", acrescentou Belchambers.
Quanto mais os governos se envolvem na regulação dos mercados de commodities, mais a classe de ativos se aproxima de ter uma "forma de controle de preços" imposta, disse ele. O recente furor causado pelo presidente francês, Nicholas Sarkozy, que criticou um relatório preliminar da UE sobre o papel dos especuladores no complexo de commodities, mostra quão política se tornou a questão, segundo Belchambers.
O prévia do relatório afirma veementemente não haver relação entre a especulação e a alta dos preços das commodities, mas, após Sarkozy tê-la apontado como incorreta, uma revisão foi efetuada. A versão final, divulgada mais cedo, não faz menção ao termo especulação e, em vez disso, enfatiza o papel dos fundamentos de oferta e demanda na definição dos preços.
"Quão politicamente independente pode ser a Comissão Europeia ? A independência política das autoridades regulatórias é uma questão essencial", declarou o presidente da FOA. "A UE precisa aprovar leis, mas deve ser muito cuidadosa em como supervisioná-las. Esta intervenção de Sarkozy é um exemplo clássico de como tudo pode ficar muito confuso em assuntos específicos."

SOJA/EUA INFORMA VENDA DE 440 MIL T PARA CHINA EM 2011/12

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou hoje que exportadores privados venderam 440 mil toneladas de soja para China, com entrega no ano comercial 2011/12. Qualquer atividade de venda de 100 mil toneladas ou mais feita em um único dia para um mesmo destino deve ser comunicada ao USDA até o dia útil seguinte. Volumes inferiores devem ser relatados semanalmente.

RALLY DA SAFRA/MT: CHUVAS ADEQUADAS EM LUCAS RIO VERDE.

A estiagem, que chegou a atrasar o plantio em três semanas no médio-norte de Mato Grosso, deu espaço a um período de chuvas regulares durante o desenvolvimento das lavouras de soja precoce. No segundo dia de visita do Rally da Safra aos campos da área compreendida entre Sorriso e Lucas do Rio Verde, a reportagem da Agência Estado encontrou produtores aliviados. Ivanir José Meneguzzo, de Lucas, informou que as chuvas vieram na medida certa para as lavouras da região nesta safra, apesar do atraso. Ele explicou que o volume de água foi "no ponto" porque impediu a incidência de pragas e doenças. O excesso de chuva no verão tende a aumentar a ocorrência de problemas fitossanitários nas plantações. Consequentemente, cresce a necessidade de maior número de aplicações de agrotóxicos.
Meneguzzo partiu de Pato Branco, no Paraná, em 1982, acompanhado do pai, para plantar soja em Lucas do Rio Verde em terras arrendadas.
Hoje a família cultiva área própria de cerca de 2,2 mil hectares. Ele recorda que, na época, a mata era fechada e pouco valorizada. Um hectare de terra era equivalente a 10 sacas de 60 kg de soja. Hoje, no eixo da BR-163 o hectare não sai por menos de 550 a 600 sacas do grão.
Nesta safra, Meneguzzo informou que plantou a soja precoce a partir de 13 de outubro, pois a falta de chuva impediu que as máquinas fizessem o serviço antes, previsto para 25 de setembro a 1 de outubro. Na segunda-feira passada (31) a lavoura recebeu produto químico para secar as folhas do pé de soja. "Dentro de oito dias as colheitadeiras vão entrar no campo", acrescentou, informando que trabalha com três colheitadeiras próprias. Assim que a leguminosa for colhida, ele pretende ocupar a área com milho (1.150 hectares) e milheto (1 mil hectares). Meneguzzo revelou que já vendeu cerca de 50% da safra, entre US$ 17 e US$ 24,50 a saca de 60 kg, garantindo uma boa rentabilidade.
Agora pela manhã, a equipe está na estrada para percorrer cerca de 500 quilômetros até o município de Sapezal, no oeste de Mato Grosso.
Indústria - Em Lucas do Rio Verde, a 350 km de Cuiabá, a reportagem da Agência Estado, que participa da Equipe 1 do Rally da Safra, conversou com produtores integrados às plantas industriais da BR Foods, empresa que surgiu da fusão entre Perdigão e Sadia. Segundo um deles, que preferiu não se identificar, o complexo da Sadia, em particular, opera a plena carga no abate de suínos, estimado em cerca de 3,8 mil cabeças/dia.
No caso do frango, segundo ele, os trabalhos ocorrem um pouco abaixo do limite máximo de 500 mil aves/dia. No esquema de integração, o produtor recebe assistência técnica e insumos da agroindústria, com o compromisso de entregar no futuro frango ou suíno pronto para abate.
O integrado, que é considerado médio criador, é proprietário de dois módulos com suínos, com capacidade de produção de 9 mil cabeças terminadas, a cada 120 dias. Ele tem, ainda, quatro módulos com frango, para 440 mil aves prontas para abate a cada 60 dias.
"A Sadia entrega o leitão com 40 dias, pesando 25 kg. Tenho de devolver o animal com 120 dias, pesando 120 kg", explicou. Com as frangos, o esquema é o mesmo. O produtor recebe a ave com um dia, com o compromisso de entregá-la aos 43 dias, com 2,3 kg a 2,5 kg, em média.
Colheitadeiras - O Grupo Maggi, da família do senador Blairo Maggi (PR-MT), acaba de adquirir 15 colheitadeiras para sua propriedade em Querência, região nordeste de Mato Grosso. A tradicional foto aérea com as máquinas no campo está prometida para março, quando se inicia a colheita de soja na fazenda. O investimento em cada unidade está estimado em cerca de R$ 850 mil.
Aeroporto de carga - As obras da Ferrovia Centro-Oeste (Goiás-Mato Grosso-Rondônia), incluídas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), podem se somar à construção de um porto seco em Lucas do Rio Verde. Ainda no plano das ideias, especula-se também sobre a instalação de um aeroporto de cargas na cidade, o que colocaria Mato Grosso definitivamente no primeiro plano do agronegócio global.
Nobres - Com apenas 18 mil habitantes, a 140 km de Cuiabá, o município de Nobres vai sendo descoberto pelos turistas. A região guarda belezas naturais tão deslumbrantes quanto Bonito, no Estado vizinho de Mato Grosso do Sul, dizem os guias locais. De acordo com eles, na Serra do Tombador existem inúmeras cachoeiras e grutas, algumas totalmente inexploradas. A Lagoa Azul, de águas transparentes, está localizada a 60 km da sede municipal.

SOJA SOBE E ATINGE NOVAS MÁXIMAS COM DEMANDA POR EXPORTAÇÃO

Os futuros da soja negociados em Chicago atingiram uma nova máxima de 2 anos e meio na sessão de ontem, quando a demanda por exportação
e uma greve em portos da Argentina reavivaram os sentimentos altistas relacionados à expectativa de aperto da oferta.
O contrato março, de maior liquidez, subiu 25 centavos, ou 1,8%, para fechar cotado a US$ 14,38 por bushel, depois de atingir a máxima de US$ 14,40. O novembro, referente à nova safra, avançou 27 centavos, ou 2%, para US$ 13,68 por bushel.
O relatório de vendas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) garantiu uma nova dose de notícias altistas ao mercado, uma vez que a eliminação das preocupações com o clima na América do Sul desviou a atenção de volta à demanda, disse Bill Nelson, analista da Doane Advisory Service.
O USDA anunciou hoje que exportadores privados relataram a venda de 110 mil toneladas de soja para destinos desconhecidos e 20 mil toneladas de óleo derivado para a China, com entrega durante o ano comercial 2010/11.
As novas vendas levantaram questões sobre se a China estaria desviando a demanda para os EUA como proteção contra uma interrupção prolongada dos embarques nos portos da Argentina, disse Nelson.
Os trabalhadores portuários argentinos estão em greve há mais de uma semana. O mercado está preocupado que as manifestações possam se arrastar até o período crucial da temporada de exportação, nos próximos meses.
A fraqueza do dólar também deu sustentação ao mercado, e traders ainda mostram preocupação com problemas no mercado físico devido à previsão de nevascas na região central dos EUA.
Os produtos derivados também avançaram, em linha com a soja, sendo que o óleo atingiu a máxima de 29 meses e o farelo, de 19 meses. O contrato março do óleo subiu 84 pontos, ou 1,5%, para fechar cotado a 58,72 centavos por libra-peso. O março do farelo ganhou US$ 9,70, ou 2,55%, para US$ 390 a tonelada.

MILHO FECHA EM ALTA APÓS REGISTRAR MÁXIMA EM 30 MESES
Os preços futuros do milho saltaram para máximas em 30 meses na Bolsa de Chicago com forte demanda para produção de etanol e ração. Além disso, permanecem as preocupações com a greve nos portos da Argentina. Os contratos com vencimento em março, os mais líquidos, subiram 6,50 cents ou 0,99% e fecharam a US$ 6,66/bushel. A máxima da sessão foi a US$ 6,6675/bushel.
A demanda por etanol ajudou a puxar as cotações do milho quando os traders passaram a prever que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzirá sua projeção para os estoques finais no relatório de safra do mês que vem. A produção de etanol atingiu um recorde em novembro, com elevação de 15% ante o ano anterior, de acordo com dados do governo. Essa perspectiva agravou a noção de que os estoques são os menores em 15 anos.
A força da soja também deu suporte para o milho, já que as duas culturas disputam por área plantada nos Estados Unidos. A soja avançou 1,8%. "Traders estão olhando agora para a forte demanda por etanol, além da ideia de que a demanda por ração e alimentos deverá ser boa", comentou o presidente da Roach Ag Marketing, John Roach.
Avalia-se que os protestos nos portos da Argentina possam fazer com que a demanda migre para os Estados Unidos, maior exportador mundial de milho. "Tumultos continuam quentes na Argentina", disse Roach.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

MILHO: BRASIL EXPORTOU 1,027 MILHÃO DE TONELADAS EM JANEIRO.

As exportações brasileiras de milho atingiram 1,027 milhão de toneladas em janeiro, volume 11,2% superior às 880,2 mil toneladas embarcadas para o exterior no mesmo mês de 2010. O crescimento ainda reflete os leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no ano passado, mas com menos intensidade do que em dezembro de 2010, quando as exportações atingiram 1,925 milhão de toneladas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
Conforme a Secex, a receita com as exportações do cereal em janeiro foi de US$ 251,4 milhões, 44,5% superior à do mesmo período de 2010, quando somou US$ 165,7 milhões. Na comparação com dezembro, o desempenho ficou 37% abaixo dos US$ 441,8 milhões. O preço médio da tonelada de milho embarcada em janeiro foi de US$ 244, ante US$ 229/t em dezembro e US$ 188 em janeiro de 2010.

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