terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

GRÃOS/PARANÁ: CHUVAS PREOCUPAM E ATRASAM COLHEITA.

As chuvas que atingem o Paraná, segundo maior produtor nacional de soja, preocupam o produtor e já atrasam a colheita no Estado. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado, a coleta da soja foi realizada até ontem em 1% da área prevista, contra média dos últimos três anos de 4%. "As chuvas vêm começando a atrapalhar um pouco a colheita de uma maneira geral no Estado. O atraso (nos trabalhos) se deve basicamente às chuvas", afirmou à Agência Estado a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, explicando que as cidades de Toledo e Cascavel são as mais avançadas, com respectivamente 3% e 1% das lavouras colhidas.
Do total da área estimada em 4,5 milhões de hectares, 95% das lavouras estão em condições consideradas boas e o restante em situação média. A estimativa do Deral é de uma produção no Estado de 13,8 milhões de toneladas.
Segundo dados da Climatempo Meteorologia, a semana começou com muita chuva na região de Maringá, no norte do Paraná, com precipitações que correspondem a quase metade da chuva normal para o mês de fevereiro.
A previsão é de que o Estado poderá acumular de 100 a 150 milímetros de chuva até domingo (13), o que representa quase toda a chuva média de fevereiro. As pancadas serão frequentes e tendem a se intensificar a partir de quinta-feira, quando outra frente fria avançará sobre o Sul do Brasil, de acordo com a Climatempo.
O excesso de umidade provoca preocupações também em relação ao surgimento de doenças. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem o Estado é o que registra o maior número de ocorrências de ferrugem, 233, contra 251 na mesma época da safra passada.
Comercialização - A negociação antecipada da safra 2010/11 de soja no Paraná atingiu 20% da produção até ontem, avanço de 1% em relação à semana anterior, segundo o levantamento do Deral.

MILHO; COLHEITA ATRASADA.
As chuvas que atingem o Paraná há dez dias têm prejudicado a colheita da safra de milho verão, estimada no Estado em 5,3 milhões de toneladas. Conforme o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura, o produto foi retirado de apenas 0,3% da área, ante média de 7% nos últimos três anos. Neste ciclo, os paranaenses cultivaram 735 mil hectares com o cereal. "Boa parte da área está situada no centro-sul, região em que o plantio já acontece mais tardiamente. Além disso, há a dificuldade da chuva, que impede o produtor de retirar o produto do campo", diz Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Deral. A colheita do milho no Paraná se concentra, neste momento, em Cornélio Procópio, Francisco Beltrão e Londrina.
O plantio da segunda safra de milho (safrinha) também registra atraso em virtude do mau tempo. Conforme o Deral, o plantio aumentou um ponto porcentual na semana, atingindo 5% da área estimada em 1,5 milhão de hectares. A média dos últimos três anos para o período é de 11%. O atraso na safra de soja atrelado às chuvas dos últimos dias explica a situação, segundo Margorete. Caso a projeção de área se confirme, o Paraná deve produzir 6,6 milhões de toneladas de milho segunda safra. Em relação às vendas antecipadas de milho, o Deral informa avança um ponto porcentual na semana, chegando a 3% do total.
Muita chuva - Conforme Marco Antônio Santos, engenheiro agrônomo da Somar Meteorologia, nos primeiros oito dias de fevereiro choveu 100 milímetros na região centro-oeste do Estado, 50% a mais do que o normal para o período. Em janeiro, foram registrados 200 mm, de 30 mm a 50 mm acima da média. No centro-sul do Paraná, do começo de fevereiro até agora, foram registrados 50 mm de chuva, 10 mm a 20 mm a mais do que o normal para o período. Já em janeiro, a precipitação foi de 250 mm, 80 mm a mais a que média.

GRÃOS: SOCIÉTÉ GENERALE VÊ PREÇOS E DEMANDA SUBINDO.

Os preços do trigo devem encerrar este ano acima de US$ 9 por bushel, conforme a oferta continua inferior à demanda, apesar da recuperação da produção mundial, estimou ontem o Société Generale. Nas primeiras projeções para temporada 2011/12, o banco francês disse prever que a safra global subirá para 670 milhões de toneladas, ante 644 milhões de toneladas em 2010/11, basicamente devido à melhora da produção na Rússia e na Europa.
Ainda assim, o Société Generale elevou a perspectiva de preço do quarto trimestre deste ano em relação à previsão anterior de US$ 7,26 por bushel, e informou que a relação mundial oferta/demanda deve cair 0,7 ponto porcentual, para 25,8%.
"A contínua tendência de queda dos estoques mundiais, o eventual fracasso da safra dos Estados Unidos, as fracas perspectivas de colheita do Oriente Médio e a possibilidade de a China importar trigo sustentam os preços", justificou Emmanuel Jayet, analista do banco. Em geral, as cotações dos grãos devem permanecer "em um nível elevado até o final do ano", já que a produção deixa os mercados com um superávit global de ofertas "relativamente limitado" de 16 milhões de toneladas, acrescentou ele.
Soja - A soja encara fundamentos particularmente altistas e deve continuar em déficit durante 2011/12. Mesmo com a produção mundial subindo para 261 milhões de toneladas, ante 255 milhões de toneladas no ano-safra anterior, Jayet disse que a demanda deve crescer mais rapidamente, alcançando 269 milhões de toneladas, ante 155 milhões de toneladas em 2010/11. Ele estima os preços da oleaginosa nos Estados Unidos em US$ 15,80 por bushel no final de 2011, à medida que "os estoques globais recuarão para o nível mais apertado em quase 15 anos."
Milho - O milho deve se beneficiar dos atuais níveis de preço elevados, com uma produção excedente de 26 milhões de toneladas, conforme a expansão do plantio impulsiona a demanda para 874 milhões de toneladas em 2011/12. Apesar disso, as cotações em Chicago devem mirar US$ 5,90 por bushel no final do quarto trimestre deste ano, mais de 10% abaixo do patamar atual, mas ainda próximo das máximas históricas. "Dado o persistente aperto no complexo de grãos, e o fato de que o mercado norte-americano de milho, em particular, deve continuar apertado, nós acreditamos que a perspectiva dos fundamentos não justifica uma queda acentuada dos preços", afirmou Jayet.

CHINA ELEVA TAXAS DE EMPRÉSTIMO E DE DEPÓSITO EM 0,25%

O Banco do Povo da China (PBOC, banco central) informou que vai elevar as taxas de juros de depósito e empréstimo de referência em 0,25% com efeito a partir de quarta-feira, em seu mais novo movimento para apertar a liquidez e controlar a inflação.
Em um comunicado, o PBOC afirmou que vai elevar a taxa de empréstimo de um ano em yuan para 6,06%, de 5,81%, e a taxa de depósito de um ano em yuan para 3,00%, de 2,75%.
A medida é tomada depois de o PBOC elevar as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos no dia 19 de outubro do ano passado. Os juros foram elevados novamente na China em 25 de dezembro. Esses aumentos tiveram efeito a partir de 20 de outubro e 26 de dezembro.

CBOT/GRÃOS: REALIZAÇÃO DE LUCROS PRESSIONA FUTUROS.

Os futuros da soja negociados na bolsa de Chicago fecharam em queda nesta segunda feira, pressionados pela realização de lucros, uma vez que traders optaram por reduzir a exposição ao risco antes da divulgação na quarta-feira do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O contrato março, de maior liquidez, recuou 9 centavos, ou 0,6%, para fechar cotado a US$ 14,2450 por bushel. O novembro, referente à nova safra, perdeu 3 centavos, ou 0,2%, para US$ 13,66 por bushel.
A incerteza sobre a produção da América do Sul, com a perspectiva de que uma safra maior no Brasil do que o previsto inicialmente vai compensar qualquer queda na estimativa da Argentina, levou traders a reduzir a exposição ao risco.
A expectativa geral entre os analistas é de que o USDA vai elevar sua projeção para a produção brasileira. Mas as chuvas favoráveis elevaram o nível de incerteza sobre a produção argentina, e analistas tentam descobrir se as precipitações melhoraram a rentabilidade ou apenas reduziram as perdas.
O mercado não registrou nenhuma notícia nova que sustentasse a alta observada na abertura do pregão, uma vez que a China só deve retornar ao mercado após o feriado do Ano Novo Lunar, que acaba na quarta-feira. O país asiático é o maior importador mundial de soja.
Entretanto, o mercado mantém a tendência altista uma pois a perspectiva é que o USDA vai reduzir ainda mais a projeção para os estoques finais do país, que já estão em níveis precariamente baixos.
A forte demanda continua sendo o pilar de sustentação do mercado, limitando as quedas já que os participantes estão preocupados com a já apertada oferta.
O relatório de inspeções semanais dos embarques de grãos nos EUA durante a semana encerrada na última quinta-feira (dia 3) registrou 41,33 milhões de bushels de soja, acima do esperado. Os dados da semana passada foram revisados para cima em 13 milhões de bushels, para 42,77 milhões.
Os produtos derivados também fecharam em queda. O óleo de soja sofreu pressão do petróleo e o contrato março caiu 57 pontos, 1%, para fechar a 58,41 centavos por libra-peso.  O farelo de soja também registrou realização de lucros e o março retrocedeu US$ 0,80, ou 0,2%, para US$ 382,40 por tonelada.

MILHO RECUA DO MAIOR NÍVEL EM 30 MESES E FECHA COM PERDAS
Participantes do mercado de milho embolsaram lucros nesta segunda-feira e pressionaram as cotações da commodity negociada na Bolsa de Chicago. Posição mais líquida, o contrato com vencimento em março caiu 3,75 cents ou 0,55% e fechou a US$ 6,7475/bushel. O movimento ocorreu depois que os futuros alcançaram o maior nível em 30 meses, a US$ 6,8125/bushel.
Traders tiraram as fichas da mesa antes da divulgação dos dados de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), na quarta-feira. A espera aumenta a incerteza no mercado.
No entanto, a expectativa é de que o USDA confirme a situação de oferta extremamente baixa do cereal. "Não acho que os ganhos se manterão até o relatório e tampouco que as quebras durarão", disse o analista Tim Hannagan, da PFG Best.
O milho continua competindo com a soja por área plantada, cujos preços também estão no patamar mais alto em dois anos. Também concorre com o algodão, que na semana passada alcançou o maior preço em 140 anos. As discussões sobre os estoques estreitos dos Estados Unidos sustentaram o mercado.

TRIGO/EUA ATINGE MÁXIMAS EM 30 MESES COM NOVA DEMANDA INTERNACIONAL
Os preços futuros do trigo alcançara máximas em 30 meses nesta segunda-feira, com um novo fortalecimento da demanda no Oriente Médio e no Norte da África, inclusive no Egito. Na Bolsa de Chicago os contratos mais negociados, com vencimento em março, tiveram valorização de 5,0 cents ou 0,59% e fecharam a US$ 8,5875/bushel. Na Bolsa de Kansas City o mesmo vencimento saltou 10,75 cents ou 1,14% e fechou a US$ 9,5350/bushel.
Durante o fim de semana, o Egito comprou 170 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos, da Argentina e da Austrália, depois de quase um mês longe do mercado internacional. A compra robusteceu a confiança dos participantes em que a demanda do país permanecerá forte, apesar dos protestos políticos no Egito.
Aparentemente, essa aquisição despertou compras de outros países na região, onde os preços dos alimentos vêm subindo. Turquia, Argélia e Iraque abriram licitação de compra de trigo, segundo traders. "De repente há uma onda na demanda", comentou o analista Tim Hannagan, da corretora PFG Best.
Entretanto, a expectativa é de que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mantenha sua projeção para as exportações de trigo no relatório mensal de safra que será divulgado na quarta-feira. Provavelmente o governo esperará para ver se a demanda permanece forte depois de ter aumentado a previsão das exportações em 4%, para 1,3 bilhão de bushels, no relatório do mês passado.

ALGODÃO/NY FECHA EM ALTA DE 4%.
Os preços futuros do algodão atingiram o novo limite de alta em Nova York, durante a sessão desta segunda-feira. Na semana passada, a bolsa anunciou a alteração do limite de 400 para 700 pontos. Os lotes mais negociados, para entrega em março, recuaram um pouco antes do fechamento e terminaram com ganhos de 665 pontos ou 3,96%, cotados a 174,51 cents/lb. Preocupações com a oferta global, diante da firme demanda, voltaram a puxar os preços.
No sábado, o Conselho Nacional de Algodão dos EUA previu que a área cultivada no país deverá crescer 14%, para 5 milhões de hectares. Isso pode render 4,2 milhões de toneladas da fibra, ou 200 mil t mais que no ano passado. Mas analistas acreditam que o aumento não será suficiente para recompor os estoques do país diante da forte demanda internacional pela fibra, em especial da China.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

SOJA/CÉLERES- SAFRA SERÁ 69,8 MILHÕES DE TONS

A safra 2010/11 de soja do Brasil deve atingir um recorde de 69,8 milhões de toneladas, de acordo com estimativa da Céleres divulgada hoje, ante previsão anterior de 68,1 milhões de toneladas.
A Céleres elevou sua previsão devido ao clima favorável no País, o que ampliou a produtividade das lavouras. Se confirmados os números, a produção ficará agora 1,9% acima do recorde anterior de 68,5 milhões de toneladas obtido em 2009/10, nos cálculos da consultoria. "Mesmo com o atraso nos trabalhos de plantio da soja, notamos que haverá o segundo registro consecutivo de safra recorde no Brasil. Por se tratar de um ano de La Niña, o clima no decorrer dessa safra acabou sendo mais favorável do que o esperado", disse a Céleres em comunicado.
A Céleres fez um leve ajuste na sua estimativa de área, passando de 23,7 milhões de hectares na previsão anterior para 23,9 milhões, um ganho de 2,5% em relação ao plantio observado na temporada anterior. Já a produtividade está estimada em 2.917 quilos por hectare, alta em relação aos 2.873 quilos previstos anteriormente, mas 0,7% abaixo dos 2.936 quilos registrados em 2009/10.
Em relação à produção, os principais ajustes se deram nas previsões para o Mato Grosso (+717 mil t, para um total de 19,474 milhões), Rio Grande do Sul (+410 mil t, para 9,635 milhões), Paraná (+273 mil t, para 14,012 mi), Mato Grosso do Sul (+70 mil t, para 5,139 mi) e Goiás (+60 mil t, para 7,518 mi).
Colheita - Segundo o levantamento da Céleres, o Brasil colheu 7% de sua produção até a semana passada, contra 10% na mesma época da temporada passada. Poucos Estados já deram início aos trabalhos, com destaque para o Mato Grosso, que colheu 15% das lavouras, e Goiás, com 10%.
"Notamos que indústrias e tradings estão praticando compras antecipadas, já se prevenindo de um contexto de preços elevados em meados de 2011, com pagamento de ágio sobre os preços que serão pagos na época da colheita", informou o relatório.
Comercialização - A consultoria estima ainda que 49% da produção brasileira já foi comprometida para venda, contra 47% na semana passada e 26% no mesmo período do ano passado.

MILHO: CÉLERES ESTIMA SAFRA EM 53,4 MILHÕES DE TONELADAS.
A consultoria Céleres revisou hoje sua estimativa para a safra de milho do País para 53,4 milhões de toneladas, sendo 31,032 milhões de toneladas na safra verão. O ajuste se deve à boa produtividade - 4,092 mil quilos por hectare - em áreas onde o milho já está sendo colhido. O volume nesta primeira safra é 3,6% maior que o esperado em janeiro, mas 6,6% menor que o de 2009/10.
Para a safrinha 2010/11, a Céleres também reviu seus números para cima, com base no estímulo que os preços remuneradores dão ao plantio.
A área deve atingir 5,4 milhões hectares, alta de 8,1% em relação a 2009/10. A produtividade média projetada é de 4,1 mil kg/ha, alta de 7,3% em comparação a 2009/10. A produção da safrinha deve atingir 22,445 milhões de toneladas, alta de 16% em relação a 2009/10.
Colheita - O levantamento da Céleres indica que a colheita da safra verão de milho chega a 5,2% da área nesta semana. O Paraná tem apenas 1% da área colhida, o que representa atraso de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior. Já o Rio Grande do Sul colheu 22% da área.

SOJA/AGRURAL ELEVA PREVISÃO DE SAFRA PARA 71,2 MI TONS

A AgRural elevou hoje sua estimativa para a safra 2010/11 de soja do Brasil para um recorde de 71,2 milhões de toneladas, contra estimativa em janeiro de 69,6 milhões, devido ao alto potencial produtivo observado nas lavouras de todo o País.
Se confirmada a estimativa, a produção brasileira ficará acima daquela registrada na temporada passada, de 68,7 milhões de toneladas, e que até então era o maior volume registrado na história. A previsão da AgRural é a maior entre as principais consultorias privadas e fica também acima das 68,5 milhões de toneladas estimadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A área de plantio foi mantida em 24,12 milhões de hectares, mas a produtividade passou de 48,1 sacas por hectare na previsão anterior para 49,2 sacas, o que também será mais um recorde ao superar a produtividade de 48,8 sacas da safra passada. "O número reforça as primeiras projeções da AgRural, que já indicava tendência de produção recorde ao reconhecer que o fenômeno La Niña, apesar de oferecer riscos, não significa necessariamente quebra de safra", disse a consultoria em seu comunicado.
A AgRural elevou as estimativas de produtividade do Paraná (51,7 sacas por hectare), Rio Grande do Sul (40 sacas), Mato Grosso do Sul (48 sacas) e Bahia (51 sacas). Já a previsão para o Mato Grosso, maior produtor nacional, ficou inalterada em 53 sacas.
Entretanto, a consultoria destaca que Mato Grosso, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul ainda podem enfrentar problemas relativos ao excesso de chuvas na colheita.
Comercialização - Com os preços da soja em níveis historicamente altos, a comercialização antecipada da soja atingiu até o final de janeiro 51% da produção esperada, contra 43% em dezembro e 31% no mesmo mês do ano passado, segundo o levantamento da AgRural.
Mato Grosso segue na dianteira com 71% da safra comercializada, contra 62% em dezembro e 54% em janeiro de 2010. No Paraná, segundo maior produtor nacional, a negociação antecipada já atingiu 35% da safra, ante 28% em dezembro e 15% no mesmo mês do ano passado.
Por sua vez o Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor, comercializou antecipadamente 26% da safra, seis pontos porcentuais a mais que em dezembro e 16 pontos acima do que foi registrado em janeiro de 2010.

CLIMA/SOMAR: FRENTES FRIAS CONCENTRADAS NO SUL DO PAÍS

As frentes frias devem continuar atuando mais sobre o Sul do Brasil nesta semana, associadas às águas aquecidas do Oceano Atlântico próximas da costa da região. Isso deve favorecer a ocorrência de chuvas significativas e concentradas entre Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, conforme avaliação da Somar Meteorologia, em seu boletim semanal.Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Goiás devem manter condição de pouca água e predomínio de sol. Volumes isolados devem ocorrer no período da tarde, típicos do verão.
A Somar observa, porém, que esse padrão de clima que perdurou nas últimas semanas deve mudar a partir do próximo fim de semana, quando as frentes frias voltam a atuar entre São Paulo e Rio de Janeiro. "As chuvas voltam a se concentrar nesses Estados e também em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Para próxima semana também há previsão de chuva para a Bahia", informa o sócio diretor da Somar, Paulo Etchichury.A previsão para os Estados do Sul na segunda quinzena de fevereiro é de redução das chuvas e do calor, principalmente no Rio Grande do Sul, enquanto o Paraná ainda vai alternar períodos mais chuvosos com períodos mais secos.
Já a parte norte do Nordeste (incluindo sertão e agreste), em virtude da atuação de mais um sistema meteorológico conhecido como Vórtice Ciclônico, continua sendo beneficiada com alguns episódios de água, principalmente no norte do Maranhão, Piauí, Ceará e no Rio Grande do Norte.
1ª semana de fevereiro
Segundo a Somar, o padrão de comportamento climático observado ao longo da segunda quinzena de janeiro repetiu-se ao longo da primeira semana de fevereiro, o que agrava a situação da falta de chuva em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e parte (leste/nordeste) de Goiás.
A combinação de frente fria "bloqueada" no Sul do País e um sistema de baixa pressão nos altos níveis (Vórtice Ciclônico) sobre o Nordeste tem sido responsável pela condição de chuvas nas últimas semanas. Na semana passada, as águas se concentraram sobre os Estados do Sul do Brasil e também sobre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Os índices de Água Disponível no Solo já refletem a mudança do padrão das chuvas observado nas últimas semanas. As condições são excelentes (superior a 90%) desde o norte do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo. Em contrapartida, Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Alagoas apresentam baixos índices de água no solo.
Argentina
O padrão climático foi típico de verão na Argentina, na primeira semana de fevereiro. Os episódios de chuvas, na sua maioria, ocorrem em virtude de sistemas tropicais. "Por isso, os maiores volumes de chuva mais uma vez ficaram concentrados sobre o norte da Argentina", informa Etchichury.
Nas principais regiões produtoras da Argentina, incluindo as Províncias de Buenos Aires, Córdoba, Entre Rios e Santa Fé, as chuvas ainda não garantem uma regularização, mas ajudam a amenizar as condições da estiagem. De acordo com a Somar, o norte da Província de Santa Fé foi a região em as lavouras mais se beneficiaram com as águas das últimas duas semanas.
Assim como na semana passada, esta semana também começa com o deslocamento de uma nova frente fria sobre a Província de Buenos Aires e com volumes pluviométricos sobre a região central. "No restante do país, o tempo não muda muito em relação ao observado nos últimos dias, devendo ocorrer apenas alguns episódios de chuvas isoladas principalmente no norte do país. Em virtude da entrada de um sistema da alta pressão, o calor deve diminuir no decorrer da semana", informa Etchichury.
Para a segunda quinzena de fevereiro a tendência é de um período de pouca água sobre grande parte do território argentino. Isso porque, nesse período, as frentes frias associadas às condições tropicais (umidade da Amazônia) voltam a atuar mais sobre o Sudeste e o Centro-Oeste do Brasil.

PERSPECTIVA: GRÃOS NA EXPECTATIVA DE DADOS DO USDA.

Os mercados futuros de soja e milho negociados na Bolsa de Chicago iniciam a semana sob as dúvidas em relação ao relatório de oferta e demanda que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará na quarta-feira. A expectativa é de mais uma redução nas previsões de estoques finais de ambos os grãos.
Analistas consultados pela Dow Jones preveem que o USDA vai reduzir sua estimativa de estoques finais de soja nesta temporada para 135 milhões de bushels, em comparação com previsão em janeiro de 140 milhões de bushels. Para o milho, a previsão é de 736 milhões, ante 745 milhões na estimativa anterior, já tida como os menores estoques em 15 anos, o que deixa o mercado sensível a qualquer sinal da demanda. "O USDA está tentando fazer um ajuste da demanda em doses homeopáticas. Ele está encurralado, porque sabe que não tem soja nos EUA, mas não pode colocar isso na sua planilha por medo de o mercado explodir. E o milho é a mesma coisa", avalia Vinicius Ito, da corretora Newedge.
O futuros da soja terminaram a sexta-feira sem direção comum, após uma semana de forte oscilação. Os contratos mais próximos sofreram pressão de um movimento de realização de lucros, enquanto a preocupação com a oferta sustentou os vencimentos mais distantes. O contrato março, de maior liquidez, recuou 2 centavos, ou 0,1%, para fechar cotado a US$ 14,3350 por bushel.
Já as cotações do milho encerraram a semana no maior nível em 30 meses na CBOT. O contrato com vencimento em março, o mais negociado, fechou com valorização de 16,0 centavos ou 2,42, cotado a US$ 6,7850 por bushel.
Além do USDA, traders discutem a demanda da Ásia depois que o Conselho de Grãos dos Estados Unidos, um grupo da indústria, projetou que a China vai importar até 9 milhões de toneladas de milho neste ano para abastecer os estoques. A estimativa está bastante acima daquela do USDA, que a avalia em 1 milhão de toneladas.
"Fala-se que o estoque de milho da China estaria próximo de 5% do uso, o que seria muito baixo. Esse é um tipo de venda que, se confirmada, diz que a China voltaria a ser um grande importador de milho como não se vê desde 1994", completou Ito.
Por sua vez, os preços futuros do trigo caíram na sexta-feira com preocupações de que os tumultos no Egito possam prejudicar a demanda no maior importador mundial do grão. Essas incertezas devem continuar influenciando o mercado nesta semana. Na Bolsa de Chicago os contratos com vencimento em março, os mais negociados, caíram 5,25 centavos, ou 0,61%, e fecharam a US$ 8,5375/bushel.

PREÇO DA TERRA BATE RECORDE NO BRASIL

De carona não só no boom dos preços dos alimentos, que atingiram em janeiro as maiores cotações em 21 anos no mundo, o valor das terras no Brasil disparou. No fim de 2010, o preço médio da terra alcançou níveis recordes e a maior valorização anual desde 2008, revela pesquisa Informa Economics/FNP, obtida co exclusividade pelo ‘Estado’.
No Sudeste, Nordeste e Norte, o preço do hectare chegou a dobrar em algumas regiões entre janeiro e dezembro de 2010. Em áreas do Sul do País, houve alta de até 92,3% no mesmo período, como nas terras de pastagens de Cerro Azul (PR). A maior variação ocorreu em Aripuanã (MT), no Centro-Oeste. Lá a cotação do hectare de mata de difícil acesso, destinada a reserva florestal, subiu 105,6%, de R$ 170 para R$ 350 por hectare.
As mais caras
Mas as terras mais valiosas do País estão no Sul e Sudeste, regiões dotadas de melhor infraestrutura. Quem liderou o ranking das terras mais caras em 2010 foram as várzeas para arroz em Rio do Sul (SC). O hectare fechou o ano valendo R$ 43 mil, alta de 23% em 12 meses. Na sequência, estão Ribeirão Preto e Sertãozinho (SP), onde um hectare custava em dezembro de 2010 R$ 24 mil, com alta de 20% em um ano.
O levantamento, que mapeou os preços à vista de negócios fechados em 133 microrregiões do Brasil, mostra que o movimento de alta de preços das terras em 2010 foi generalizado: de áreas de mata e pastagem às terras roxas para café, cana e grãos.
Na média do País, o preço de um hectare atingiu no último bimestre de 2010 R$ 5.017, com alta de 9,1% em relação a janeiro de 2010, índice que é quase o dobro do registrado em 2009 (5%). Descontada a inflação oficial de 2010, de 5,91%, o aumento real do preço da terra foi de 3,2%. “Todos os segmentos do agronegócio estão bons”, afirma a agrônoma Jacqueline Bierhals, gerente da consultoria e responsável pela pesquisa. Ela observa que a valorização das terras foi desencadeada pela explosão dos preços agropecuários, mas houve outros ingredientes que potencializaram a alta.
Com mais dinheiro no bolso, em razão dos resultados positivos das últimas safras, os produtores de médio e pequeno portes voltaram a investir, expandindo as áreas de produção e impulsionando os preços das terras. “Hoje o produtor não tem mais necessidade de pôr o imóvel à venda para pagar os funcionários.”
Ela cita Santa Catarina, onde predominam as pequenas propriedades, como o Estado com a maior valorização média do preço da terra em 12 meses, de 22%
A tendência de alta mais intensa em áreas menores é confirmada por Atilio Benedini Neto, da Benedini Imóveis, que atua na região de Ribeirão Preto. “Hoje os grandes compradores de terras são os médios e pequenos produtores que, capitalizados, compram cinco alqueires para expandir a produção.” Áreas menores são vendidas rapidamente, diz.
Só neste ano ele já fechou três negócios e a velocidade de vendas não é maior porque a oferta de terras na região é escassa. “O mercado é comprador.”
Minério e energia. Também o avanço de atividades que exigem áreas extensas, como exploração mineral e parques eólicos, por exemplo, passou a disputar e valorizar a terra voltada para o agronegócio, diz Jacqueline.
No ranking de valorização de terras, depois de Santa Catarina e do Amapá (20%) está o Rio Grande do Norte, com aumento médio de 16% do preços em 12 meses. Segundo Jacqueline, fazendas de camarão, exploração de salinas, parques eólicos e atuação da Petrobrás valorizaram as terras do litoral.
Um exemplo da valorização das terras do agronegócio impulsionada por outras atividades ocorre no Cerrado mineiro, onde se produz café. Em Patrocínio (MG), o hectare saiu de R$ 15 mil para R$ 25 mil em um ano, segundo o corretor Damião Cosme Machado, da Imobiliária Central. Além do aumento de 80% do preço do café em 12 meses, ele aponta a chegada da Vale na região, comprando 3 mil hectares para exploração de minérios como fator de alta do preço da terra.
Corretor há 20 anos, Machado diz que nunca viu o preço subir tanto em tão pouco tempo. “O preço da terra é recorde e o do café também.” De seis meses para cá, ele vendeu quatro fazendas para cafeicultores da região, uma delas à vista. Pequenos e médios sustentam alta
Nem mesmo o maior rigor imposto pelo governo na compra de terras por estrangeiros esfriou o mercado imobiliário rural. Desde agosto de 2010, foram mudadas as regras de aquisição de terras por estrangeiros. Em alguns casos, dependendo da localização e da área, é necessário até autorização do Congresso Nacional para que o negócio seja fechado.
“Hoje os fundos estrangeiros de investimento em terras estão fora do mercado, mas continuam estudando alternativas e prospectando negócios na Bahia e em São Paulo”, diz Jacqueline Bierhals, gerente da consultoria Informa Economics / FNP.
A expectativa de Jacqueline era que a maior restrição a estrangeiros tivesse reflexo no mercado, com recuo nos preços das terras. Mas isso não ocorreu e as cotações continuaram subindo, sustentadas pelas aquisições de pequenos e médios produtores nacionais, de olho nas boas perspectivas do agronegócio.
Na região dos municípios de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, polo produtor de soja, milho, café e algodão, o número de produtores americanos interessados em comprar terras diminuiu, diz o gerente da Cooperativa Agropecuária do Oeste da Bahia, Toninho Assunção. A perda de interesse dos estrangeiros pela região começou antes da mudança nas regras para compra. “Com a crise de 2008, a procura por parte dos americanos diminuiu”, lembra Assunção, acrescentando que os chineses continuam visitando a região, mas não fecham negócio.
A valorização, na faixa de 60% das terras agrícolas no último ano na região, foi sustentada pelos produtores brasileiros, pela escassez de terras à venda e pela própria alta do grão. Assunção explica que, como muitos negócios são indexados em sacas de soja por hectare, nos últimos tempos houve não só aumento do preço da soja em reais como em número de sacas por hectare.
Esse movimento também ocorreu no oeste do Paraná, na região de Cascavel. Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, a cooperativa local, diz que o preço da saca de soja subiu de R$ 32 para R$ 45 em 12 meses na região e o número de sacas do produto por hectare aumentou, de 600 para 800 sacas. Para ele, o aumento de 80% na cotação da terra não é uma bolha especulativa. “O consumo mundial de soja cresceu e um parte desse aumento é uma recuperação de preços após a crise de 2008.” As informações são da edição de domingo do jornal O Estado de S. Paulo.

RALLY DA SAFRA/MT ENCERRA 1ª ETAPA: PRODUTIVIDADE E ALTA TECNOLOGIA

O Rally da Safra encerrou nesta tarde em Cuiabá a primeira etapa da expedição. A Equipe 1 percorreu desde a segunda-feira (31) cerca de cinco mil quilômetros pelos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sapezal, no norte de Mato Grosso, Tangará da Serra, no sudoeste do Estado, a partir de Cuiabá, para onde retornou hoje. Visitou áreas de soja precoce, que representam cerca de 30% do total cultivado em Mato Grosso, de cerca 6,2 milhões de hectares. Em março, os agricultores mato-grossenses vão colher a soja normal e tardia, e uma outra equipe do Rally da Safra retornará ao Estado, principal produtor de soja do País, com cerca de 19 milhões de tons.
Nesta primeira visita às regiões produtoras constatou-se que o clima foi bastante favorável ao desenvolvimento das lavouras de soja precoce, embora no médio-norte as chuvas tenham atrasado, o que, no entanto, não deve comprometer a produtividade. O ataque de pragas e doenças foi bem controlado por meio de aplicações preventivas de produtos químicos.
Apesar da avaliação positiva ainda não há estimativa sobre a produtividade. Mas os técnicos e produtores esperam que o rendimento da soja precoce supere a média do ano passado, o que deve puxar o resultado total no Estado - há expectativa também de boa produção para safra normal e tardia. A Agroconsult, promotora do Rally da Safra, prevê uma produção recorde de soja no Brasil este ano, com 70,3 milhões de tons.
Aumento da tecnologia - A expedição verificou também que o agricultor tem apostado em alta tecnologia. A agricultura de precisão, com utilização de satélites, ganha cada vez mais espaço entre os agricultores mato-grossenses. As colheitadeiras são de última geração. Esses investimentos confirmam a teoria da Agroconsult de que um novo ciclo de expansão da atividade agrícola está em processo no Brasil, voltada mais para o uso de tecnologia e otimização das áreas existentes do que para a abertura de novas áreas.
O Rally da Safra constatou que os agricultores já comercializaram boa parte da produção, entre 60% e 70% do total. A saca foi vendida inicialmente entre US$ 14,00 e US$ 16,00, atingindo agora US$ 20,00 a US$ 22,00 a saca, acompanhando o desempenho dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT). "Os preços dos grãos e do algodão estão excepcionais, o agricultor está confiante e a expectativa é de boa rentabilidade para soja, algodão e milho", disse o engenheiro agrônomo André Debastiani, da Agroconsult.
Amostras - A Equipe 1 do Rally da Safra coletou mais de cem amostras de lavoura de soja precoce durante a semana. A partir da próxima segunda-feira, a Equipe 2 partirá de Cuiabá, desta vez em direção ao leste do Estado, onde está Primavera do Leste, seguindo depois para Alto Garças, Jataí e Rio Verde, em Goiás. Até 27 de março, várias equipes percorrerão cerca de 55 mil quilômetros em 11 Estados - Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão. Os dados coletados representam 98% da área cultivada de soja e 80% da área com milho em todo Brasil.

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