Os futuros de soja, milho e trigo fecharam no limite de baixa na Bolsa de Chicago em um rali de vendas provocado por realização de lucros e pelas notícias de tumulto no Norte da África. Os contratos de soja para entrega em maio recuavam 70 pontos ou 5,0% e operavam a US$ 13,11/bushel.
Os lotes de milho para o mesmo mês recuavam 30,0 cents ou 4,17% e trabalhavam na mínima de US$ 6,9025/bushel. O contrato de trigo para maio cedeu 60,0 ou 6,02% e era negociado a US$ 7,95 75/bushel.
Participantes do mercado embolsaram lucros diante dos conflitos violentos na Líbia, em especial, mas no Norte da África e no Oriente Médio de modo generalizado. Investidores estão ansiosos com o futuro da economia global, segundo analistas. A queda ocorreu depois que milho saltou para as máximas em 31 meses, durante a noite. "Todo mundo quer afastar o risco neste momento", disse o presidente da consultoria The Money Farm, Mike Krueger. Os futuros recuaram depois de terem subido puxados pela forte demanda e com a disputa por área plantada entre as culturas.
A expectativa é de que a queda dure pouco tempo, pois a oferta de grãos permanece baixa, segundo Krueger. A soja pode receber alguma pressão num prazo mais longo, pois produtores da América do Sul estão colhendo e minimizando preocupações com a oferta, segundo o analista.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
CBOT: SOJA, MILHO,TRIGO, FECHARAM NO LIMITE DE BAIXA.
TRANSGÊNICOS: PLANTIO AUMENTOU 10% NO MUNDO EM 2010.
O plantio de sementes geneticamente modificadas aumentou 10% no mundo em 2010 e alcançou 148 milhões de hectares, ante 134 milhões de ha em 2009. A estimativa é do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro-Biotecnológicas (ISAAA). A entidade prevê que até 2015 pelo menos quatro novas culturas transgênicas serão aprovadas em diversos países, o que deve elevar a área plantada com sementes resultantes da biotecnologia.
Entre essas culturas está o arroz com provitamina A, ou arroz dourado. "O maior destaque é o arroz, que é o alimento mais importante do mundo, e também o mais relevante para a população pobre. Ele deve estar disponível para ser plantado nas Filipinas em 2013, depois em Bangladesh, Indonésia e Vietnã. Tem grande potencial econômico e nutricional para a população da Ásia, envolvendo um bilhão de beneficiários", avaliou Clive James, presidente do ISAAA, durante teleconferência realizada hoje para comentar os números sobre os transgênicos no mundo.
James explicou que os outros produtos transgênicos esperados para os próximos anos são cana-de-açúcar com melhores características de agronomia e de qualidade e batatas resistentes a doenças. Atualmente os principais produtos são soja, milho, canola e algodão.
Há expectativas também em relação ao plantio do milho tolerante à seca nos EUA, no começo de 2012, e na África até 2017. Além disso, estão em desenvolvimento variedades de trigo com diversas características, entre elas: tolerância à seca, resistência a doenças e qualidade dos grãos. Os primeiros devem estar prontos para comercialização em 2017, segundo o ISAAA.
De acordo com a entidade, produtores de 29 países cultivaram plantações transgênicas em 2010. Essas nações correspondem a 59% da população mundial. Do total da área plantada com transgênicos, 48% estavam nos países em desenvolvimento. O ISAAA estima que até 2015 esse grupo - em especial América Latina e Ásia - será responsável pela maior parte do plantio de sementes originadas da biotecnologia.
"Claramente, os países da América Latina e Ásia conduzirão os aumentos mais importantes dos hectares globais cultivados com plantações biotecnológicas durante o restante da segunda década de comercialização da tecnologia e ultrapassarão as nações industrializadas nos cultivos de plantações biotecnológicas até 2015", disse James.
Em 2010, três países cultivaram pela primeira vez plantações transgênicas comerciais. Aproximadamente 600 mil agricultores do Paquistão e 375 mil de Mianmar plantaram algodão Bt resistente a insetos, e a Suécia plantou uma batata de alta qualidade aprovada para alimentação animal e uso industrial.
Dos 15,4 milhões de agricultores que plantaram culturas transgênicas, 90% ou 14,4 milhões são pequenos agricultores de países em desenvolvimento e com poucos recursos. Hoje, a maior parte dos pequenos agricultores na China e na Índia cultiva transgênicos: 6,5 milhões de agricultores chineses e 6,3 milhões de agricultores indianos.
James destaca ainda a atuação de Burkina Faso, que teve em 2010 o segundo maior aumento anual no uso de transgênicos, de 126%, com 80.000 agricultores plantando 260.000 hectares, uma taxa de adoção de 65%. Para ele, este caso deve ser considerado como um exemplo para toda a África. A Austrália registrou o maior aumento, com 184%. "Dividir essa experiência é muito importante. Burkina Faso é um modelo para Mali, Togo e pode ser dividido com todos os outros países da região", completou ele, destacando que o uso de transgênicos aumenta a renda dos pequenos produtores, contribui para a segurança alimentar e reduz o uso de pesticidas e combustíveis fósseis enquanto aumenta a eficiência do uso da água, entre outros benefícios.
Brasil - O Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro-Biotecnológicas (ISAAA, na sigla em inglês) revisou hoje para 26 milhões de hectares o plantio de lavouras transgênicas no Brasil em 2010/11. Estimativa divulgada pela consultoria Céleres, representante do ISAAA no Brasil, em janeiro, estimava o cultivo de sementes geneticamente modificadas em 25,4 milhões de ha.
A área estimada agora representa um aumento de 21,5% sobre os 21,4 milhões de hectares plantados em 2009/10, e o Brasil consolida-se como o segundo país que mais planta sementes geneticamente modificadas no mundo. Os Estados Unidos permanecem no topo da lista, com 66,8 milhões de ha. A Argentina vem em terceiro lugar, com 22,9 milhões de ha.
"Concluído o período de plantio, percebemos que a adoção em 2010 foi ainda maior do que o previsto inicialmente. Além disso, do ponto de vista de aprovações de novas sementes, 2010 foi também bastante produtivo", avaliou em teleconferência Anderson Galvão, sócio-diretor da consultoria Céleres. No ano passado, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a liberação comercial de quatro variedades transgênicas de milho, três de soja e uma de algodão.
De acordo com Galvão, 18,2 milhões de hectares foram plantados com soja e 7,5 milhões com milho na safra 2010/11. Ele destacou que 75% da área total plantada com a safrinha de milho deve ser de transgênicos. É praticamente o mesmo porcentual do que já é plantado com soja. "É importante ressaltar que a soja demorou 13 anos para atingir esse porcentual, que o milho de inverno está atingindo em apenas três anos". A área plantada com transgênicos na safra verão de milho chegou a 45% em 2010/11, o que leva a um total para o cereal de 57% da área. A tolerância a herbicidas é a principal característica vista nas lavouras geneticamente modificadas do País, seguida da resistência a insetos.
"Praticamente todos os Estados com relevância agrícola adotam diferentes níveis de biotecnologia. Em 2010, Mato Grosso consolidou sua posição como Estado com maior área plantada com transgênicos, 6,1 milhões de hectares, seguido do Rio Grande do Sul com 5,2 milhões e do Paraná com 4,8 milhões", completou Galvão.
O analista evitou fazer previsões sobre o aumento do uso de transgênicos no País no futuro. "O Brasil, como um dos países que tem maior disponibilidade de área agrícola, deve vivenciar nos próximos anos um expressivo crescimento na área plantada dos principais grãos. Como a biotecnologia já é tida como padrão para a produção, é natural esperar que a adoção cresça de mãos dadas com a expansão agrícola."
SOJA/CHINA FECHA COM BAIXA DIANTE DE DÓLAR FIRME
Os futuros da soja estenderam perdas recentes na Bolsa de Commodities de Dalian, afetados pela apreciação do dólar e pela queda dos mercados acionários locais. O contrato janeiro, o mais negociado, fechou com leve baixa nesta terça-feira, cotado a 4.558 yuans por tonelada (6,58 yuans = US$ 1).
O fraco desempenho das commodities continuou sendo o principal tópico das bolsas chinesas. Os metais encerraram com perdas em Xangai, enquanto o algodão e o trigo também terminaram com oscilação negativa em Zhengzhou diante de preocupações com o aperto da política monetária na China.
"A soja local não tem muita competitividade no momento...e não há muitas notícias boas do lado dos fundamentos de oferta e demanda para ajudar", disse a Asia Futures em uma nota.
A decisão tomada na última sexta-feira de elevar o compulsório bancário continuou influenciando do sentimento do mercado, já que ressalta a determinação de Pequim para conter a alta dos preços das commodities. A medida também levou o índice de ações da Bolsa de Xangai a registrar o maior recuo diário em mais de um mês, caindo perto de 3%. A instabilidade no Oriente Médio sustentou a valorização do dólar, desencorajando o apetite por commodities que são negociadas na moeda norte-americanas.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
BRASIL CAMINHA PARA ESTOURO DE CRISE DE CRÉDITO.
O Brasil está caminhando para uma crise de crédito como a que abalou os Estados Unidos em 2008, acredita Paul Marshall, gestor de recursos da britânica Marshall Wace e cogestor do fundo Eureka. Em artigo no site do "Financial Times", ele caracteriza a expansão rápida do crédito no País, com elevadas taxas de juros, como uma "bolha".
"A situação é tão preocupante quanto a crise do subprime nos Estados Unidos", diz. "Muito crédito está sendo empurrado pelos bancos a altas taxas aos consumidores, que no final não conseguirão pagas as dívidas."Nos últimos cinco anos, o crédito no Brasil cresceu 2,4 vezes o Produto Interno Bruto (PIB), mais do que na Rússia, na Índia e na China.
Normalmente, esse comportamento não seria um problema, já que o crédito representa apenas 46% do PIB no País, muito menos do que o indicador de 165% nos Estados Unidos. No entanto, Marshall argumenta que, "apesar da queda da inflação para administráveis 6%, os bancos no Brasil cobram uma média de juros de 25% ao ano e, no caso do financiamento ao consumo, as taxas superam bem os 30%". "O crédito no Brasil é punitivamente caro."
O pagamento de dívidas pelos consumidores atingiu 24% da renda disponível no Brasil e deve chegar a 30% em 2012, estima o gestor. Nos EUA, a crise explodiu quando esse índice bateu 14%. "O Brasil precisará de uma política habilidosa para administrar sua atual bolha de crédito sem perder o controle", escreve Marshall.
GUERRA CAMBIAL/PAÍSES DA AL TEMEM PROTECIONISMO
Países latino-americanos exportadores de commodities, como o Brasil, temem "um mundo mais protecionista" em barreiras comerciais, devido às consequências de um cenário de guerra cambial. A avaliação partiu da coordenadora de projetos do Centro de Estudos do Setor Externo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Cesex-Ibre/FGV) Lia Valls.
A especialista fez a análise após explicar tópico especial da Sondagem Econômica da América Latina de janeiro deste ano, que fala sobre as influências no mercado mundial de uma "guerra cambial". Neste tópico, 92% dos entrevistados no Brasil, Colômbia, Chile e México apostam em um risco elevado de se adotar mais medidas protecionistas, caso nada ocorra para mudar o atual cenário. A sondagem ouviu 143 especialistas em 18 países.
Ela lembrou que ainda não ocorre, entre os países do mundo, um consenso a respeito de como rearranjar a entrada de capitais dentro dos países de forma a não conduzir a um cenário de dólar fraco, o que leva a enxurradas de entrada de importados nos mercados domésticos, ao mesmo tempo em que eleva preços de commodities exportadas.
"Ninguém acha que continuar valorizando câmbio é bom, porque acaba afetando a indústria", observou a especialista, comentando que isso, em um longo prazo, pode conduzir a movimentos de substituição de produção por importações. "Se não houver um rearranjo na questão do controle de capitais, para se diminuir desequilíbrios de entrada de capital, pode ser que todo mundo decida se proteger, com medidas protecionistas. Isso seria o pior cenário", alertou. "Este tema cambial é uma das maiores preocupações entre os países da América Latina", afirmou.
ÓLEO DE PALMA FECHA EM BAIXA COM APERTO MONETÁRIO NA CHINA
As cotações do óleo de palma cru encerraram com baixa na Bolsa de Derivativos da Malásia, acompanhando o declínio das commodities agrícolas nos mercados chineses, após Banco do Povo da China ter elevado o compulsório bancário em 0,5 ponto porcentual na última semana, apertando novamente a política monetária do país. O contrato maio encerrou com queda de 27 ringgits nesta segunda-feira, a 3.656 por tonelada (3,037 ringgits = US$ 1).
Traders ignoraram a estável demanda de exportação e o baixo nível dos estoques, uma vez que tais fatores podem já ter sido precificados quando o mercado disparou para o maior nível em 35 meses no dia 10 de fevereiro. As inspetoras de cargas Intertek Agri Services e a SGS projetaram os embarques no período de 1º a 20 de fevereiro em 825 mil toneladas e 811.813 toneladas, respectivamente, ante expectativa do mercado de 800 mil a 810 mil toneladas. Analistas disseram que perspectivas melhores para o óleo de palma na segunda metade do ano também pressionaram os preços.
"Conforme os efeitos do La Niña se dissipam, as atividades de colheita e transporte de óleo de palma na Malásia devem se normalizar. A produtividade dos novos frutos também deve melhorar até o segundo semestre. A produção indonésia, que foi menos afetada por inundações nas últimas semanas, provavelmente ganhará ritmo", informou o Barclays Capital em um relatório.
Separadamente, o portal de notícias China Business News comunicou que autoridades chinesas rejeitaram uma proposta de reduzir as tarifas de importação da soja e do óleo de soja. Na semana passada, os preços do óleo de palma caíram após rumores de que o país cortaria o tributo do grão de 3% para 1% e do óleo de 9% para 5%, o que poderia enfraquecer a demanda por óleo de palma.
O número de contratos abertos foi de 111.250 lotes, ante 108.046 lotes na sexta-feira. Ao todo, 25.633 lotes foram negociados nesta segunda-feira, abaixo de 30.420 lotes na sessão passada. Cada lote equivale a 25 toneladas.
COLHEITA DE SOJA/SOMAR: DIAS CHUVOSOS ATRAPALHAM PR E MS.
As frentes frias devem continuar atuando sobre o Sul do Brasil nesta semana, com os maiores volumes de chuva concentrados entre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A avaliação é da Somar Meteorologia em seu boletim semanal. A sequência de dias chuvosos tem atrapalhado a colheita da soja no Paraná e em Mato Grosso do Sul. No Sul do Brasil as águas diminuem a partir da próxima semana e no início de março, o que não deixa de ser uma boa notícia para quem está colhendo a lavoura. Em contrapartida, essa condição climática "representa um agravamento da seca no sul do Rio Grande do Sul", informa o sócio diretor da Somar, Paulo Etchichury.
Em grande parte do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste persiste nesta semana a condição de pouca água e períodos de sol, com apenas chuvas isoladas no período da tarde, típicas do verão. No entanto, a partir da próxima semana e para o início de março, a tendência é que as frentes frias voltem a atuar mais sobre o litoral da Região Sudeste, o que deve provocar um aumento na frequência e na intensidade das chuvas entre São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso.
No Nordeste do Brasil, que a partir deste mês entra no seu período chuvoso que se estende até maio, os volumes na próxima semana devem se concentrar nas partes norte e oeste da região, incluindo principalmente os Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e oeste da Bahia.
Análise da semana - O acumulado de chuva de fevereiro revela que os volumes estão concentradas no Centro-Sul do Brasil, enquanto parte do Sudeste e do Nordeste sofre com a ausência de água. Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e também a parte norte de Goiás tiveram mais uma semana seca, agravando ainda mais a situação em alguns municípios onde não chove há mais de 30 dias.
A mudança no padrão das chuvas em fevereiro, em relação ao observado em janeiro, está associada basicamente ao comportamento e área de atuação das frentes frias, as quais, por sua vez, dependem de fatores da atmosfera durante o verão. Entre esses fatores pode-se destacar o posicionamento da Convecção da Amazônia (Alta da Bolívia) e dos Vórtices Ciclônicos (Baixa Pressão na Alta Troposfera).
Depois do início de janeiro chuvoso, quando as frentes frias atuaram mais entre São Paulo, Minas Gerais e o Rio de Janeiro, a partir do dia 20 e durante fevereiro as frentes frias permaneceram "bloqueadas" no Sul, onde foram registrados os maiores volumes de água. "O padrão climático observado nos últimos 30 dias é típico da variabilidade do verão e pode mudar de uma semana para outra. Prova disso, é que esse padrão deve mudar ainda no fim deste mês", informa Etchichury.
Os índices de água disponível no Solo refletem o padrão das chuvas nos últimos 30 dias. Desde o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e até parte de São Paulo apresentam excelente condição de umidade do solo (superior a 90%). Em compensação, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia,Sergipe e Alagoas apresentam baixos índices de água no solo (inferior a 20%).
Argentina - Chuvas isoladas e, no geral, de fraca intensidade foram registradas na semana passada sobre as principais regiões produtoras da Argentina, incluindo o Pampa Úmido. Os maiores volumes foram observados no norte do país.
Para esta semana, segundo projeção da Somar, o tempo não muda muito e a previsão para as regiões produtoras de grão da Argentina é de tempo seco e forte calor, com as temperaturas do período da tarde ultrapassando a casa dos 35 graus. Assim como na semana passada, nos próximos dias as chuvas se concentram sobre as províncias do norte da Argentina.
Para a primeira quinzena de março, em geral, permanece a tendência de um período de pouca chuva (seco) sobre as principais regiões produtoras de grãos da Argentina.
SOJA-RELATÓRIO SEMANAL CÉLERES.
Em valores, o vencimento Março/11 terminou a semana valendo US$ 13,68/bushel, ante US$ 14,16/bushel da semana precedente. No intervalo de trinta dias, essa mesma referência de preço no mercado internacional era de US$ 14,13/bushel.
Visando as estratégias de compra e venda no período de entressafra mundial da soja, observou-se que as retrações foram menores, comparando o intervalo de um mês. Os negócios para o vencimento Julho/11 fecharam a semana valendo US$ 13,89/bushel. Há um mês, a cotação dessa referência era de US$ 14,28¼/bushel.
Os principais fatores que influenciaram fundamentalmente a movimentação dos preços em Chicago na semana passada foram: as boas notícias quanto ao desenvolvimento da etapa final da safra de soja sul-americana, o cancelamento de compras futuras da produção de soja 2011/12 dos EUA e a redução das importações chinesas após as medidas de retenção do processo inflacionário no país.
Diante desse contexto de mercado, a tendência natural é de que haja realização de lucros por parte dos grandes fundos investidores. Portanto, boa parte das quedas que ocorreram nos últimos dias é justificada por esse motivo.
Para o médio prazo (meio do ano), as expectativas ainda são de preços em patamares significativamente elevados. Tal leitura tem como embasamento o quadro crítico da oferta de soja frente ao abastecimento da demanda para esse ano.
Doméstico - Em linha com as cotações de curto prazo do mercado internacional, os preços da soja no mercado disponível brasileiro também reportaram pequena retração na semana passada.
Nas praças pesquisadas pela Céleres, os preços negociados pela soja no disponível terminaram a semana com queda de 1,7%. No intervalo de trinta dias, as cotações também reportaram queda: -2,8%.
No porto de Paranaguá, o mercado de prêmios de exportação registrou alta de US$ 0,07/bushel, mostrando-se positivo para os contratos com entrega em março/2011. As referências para esse vencimento ficaram em: US$ 0,35/bushel para a compra e US$ 0,40/bushel para a venda. A cotação da soja em Paranaguá terminou a sexta-feira na casa de US$ 30,8/saca (queda de 3,1% na semana).
Tal contexto é decorrente essencialmente de dois fatores, um deles impacta diretamente sobre a oferta da commodity: as adversidades climáticas sobre as lavouras na Argentina (3° maior produtor mundial). Em ano de LaNiña, a expectativa para o volume produzido no país saiu de 55 milhões t, no início do ano safra, para pouco mais de 47 milhões t, atualmente. Além disso, os estoques de passagem dos Estados Unidos (maior produtor mundial) estão em patamares críticos de abastecimento da sua demanda total - com aproximadamente 15 dias de autonomia (3,8 milhões t).
O segundo fator que tem agravado o quadro de disponibilidade da oleaginosa diz respeito ao aquecimento da demanda mundial. Nos últimos cinco anos a demanda global por soja cresceu 38,8%, com destaque para o consumo chinês que vem quebrando recordes históricos – a China quase dobrou as importações nesse mesmo período (98,4% maior).
Uma vez estabelecido o cenário de desequilíbrio entre a oferta e a demanda, analisam-se os impactos sobre o comércio de soja entre os principais players do produto no mercado mundial.
Em números, para 2010/11, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê o market share da exportação global de soja (98,6 milhões t) assim: os EUA, com 43,9% do mercado mundial; o Brasil, com32,7% e; a Argentina, com 11,8%.
Quanto às participações sobre o volume total de importação mundial, também para 2010/11, têm-se os seguintes players: a China, com 59,5%; União Européia (27 países), com 14,6%; e o Japão com 3,6%.
Na perspectiva de uma safra recorde de sojapara o Brasil (±70 milhões t), acredita-se que a adversidade nos demais mercados concorrentes do país torna-se uma oportunidade para ganho de market share nas exportações globais. Essa leitura é bastante positiva para os produtores, pois dá margem para que novos investimentos no setor agrícola do país sejam efetuados.
Todavia, nesse contexto de mercado mundial, os ganhos maiores de participação/lucro da produção brasileira esbarram em problemas estruturais de competitividade – com destaque para o problema referente aos custos com a logística de escoamento da produção.
Falta de chuvas durante o desenvolvimento das lavouras mais tardias retomam as preocupações quanto à produção de soja na Argentina. De acordo com as informações da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, observou-se até a semana passada que a falta de chuvas tem prejudicado o desenvolvimento das lavouras tardias e de segunda safra. Tal contexto retoma o temor quanto aos baixos volumes de produção de soja para o país, pois boa parte das lavouras já está nos estágios reprodutivos, variando entre plena floração e frutificação. Um ponto positivo que tem ajudado o quadro de desenvolvimento das lavouras foi o registro de chuvas nos últimos meses, dando condições para suportar a falta de chuvas dos últimos dias.
Na sequência do ciclo evolutivo da planta de soja, a fase de enchimento de grãos registrou 81% contra 72% da semana e ano passados. Em relação aos últimos cinco anos, o desenvolvimento dessa etapa está dentro da média histórica (80%).
Finalizando os estágios de reprodução, tem-se que 45% dos campos da soja brasileira tenham passado pela fase de maturação, ante 42% registrado para a mesma época do ano anterior.
Portanto, chega-se à conclusão de que quase metade das lavouras de soja no país está pronta para dar início aos trabalhos de colheita.
Em valores, estima-se que a colheita do grão tenha atingido 14% da área plantada, ante 9% da semana passada. No mesmo período do ano passado o ritmo de colheita estava em 19%. A média calculada para as últimas cinco safras é de 10%, considerando esta época do ano.
Portanto, observa-se que mesmo com o ritmo um pouco mais adiantado para o ciclo da soja, em relação ao ano passado, há um pequeno atraso nos trabalhos de colheita. Esse contexto justifica-se pelo excesso de chuvas sobre as principais áreas de produção nacional na hora de colher.
No geral, os produtores seguem de olho no clima, com o foco no controle da ferrugem asiática e início dos trabalhos de semeadura da safra de inverno.
Pelo lado da comercialização, observou-se avanço de um ponto percentual na estimativa de vendas nacional. O percentual de venda da produção 2010/11 ficou em 53% até a semanapassada, contra 52% da semana passada e apenas 29% observado no mesmo período do ano anterior. A média de cinco anos reportou valor de 44%.
O atraso na colheita contribui para minimizar o impacto do aumento da oferta sobre os preços no mercado doméstico. Com isso têm-se notícias de que os produtores estão vendendo à medida que é efetuada a colheita.
Preços pagos no mercado doméstico confirmam o apetite da indústria brasileira em relação à paridade de exportação.
Por meio de pesquisa diária dos preços da soja no mercado doméstico, também realizada pela Céleres®, observou-se que os preços pagos para os produtores no mercado disponível estão mais favoráveis do que os pagos no mercado de exportação. Mesmo com a escassez do produto, registro de menos de 15% da produção colhida, e prêmios de exportação mantidos em patamares positivos, essa realidade faz parte do contexto atual de comércio.
Além disso, a cotação da taxa de câmbio não tem contribuído para a formação do preço pago pelo mercado exportador. Nessas condições, o preço pago via paridade de exportação não tem conseguindo competir com a demanda da indústria no mercado doméstico.
A conjuntura para o mercado de soja ainda permanece positiva, mesmo com o registro de queda nos preços. Nesses momentos, é que são testados os nervos dos agentes que trabalham comprando e vendendo soja.
Nesse sentido, voltamos à máxima que costumamos a utilizar em nossos boletins: é importante controlar a euforia nos momentos de alta e mais impor tante ainda filtrar o fator emocional na hora das baixas. Esses conceitos fazem bastante sentido para quem constrói uma estratégia sólida e, além disso, monitora diariamente as premissas consideradas em seu negócio. Ou seja, comprar e vender exige medidas de segurança, sejam elas através das travas financeiras disponíveis nos mercados futuros ou até mesmo na compra dos insumos para o decorrer da safra. No caso de especulação, saber inverter entre posição comprada e vendida é crucial, mesmo registrando alguns prejuízos.
Espera-se que até os primeiros números de plantio da safra 2011/12 nos EUA saírem, haverá grande volatilidade para os preços da soja.
Recentemente a relação entre os preços do milho e da soja em Chicago ficou abaixo do patamar de 2:1, o que deve aumentar decididamente a disputa de área plantada entre essas culturas nos EUA.
O importante é ter foco no objetivo previamente traçado, independente se o mercado vai cair ou subir mais. Nesse sentindo, mantemos a nossa recomendação de suspensão das vendas, calcada nas premissas fundamentais do mercado.
As informações contidas nesse relatório foram obtidas em fontes consideradas confiáveis. A Céleres não garante que essas informações são completas e não pode ser responsabilizada por elas. As opiniões e análises expressas nesse relatório refletem o julgamento da data do fechamento do mesmo e estão sujeitas a alterações sem aviso prévio.
PERSPECTIVA: MERCADO DE GRÃOS DEVE CONCENTRAR ATENÇÃO NA DEMANDA
A demanda será o grande foco de atenção nos mercados futuros de grãos negociados na Bolsa de Chicago nesta semana, principalmente depois que o banco central da China decidiu elevar a taxa do compulsório bancário na sexta-feira. Tal decisão pode enfraquecer as aquisições no exterior do gigante asiático, grande importador de commodities. Os mercados norte-americanos estarão fechados hoje por causa do feriado do Dia do Presidente e as negociações serão retomadas amanhã.
Na sexta-feira, o contrato março da soja, o mais próximo, fechou com queda de 36,50 centavos, ou 2,6%, cotado a US$ 13,68 por bushel. Os futuros devolveram os ganhos da sessão anterior, por causa do anúncio da China e da expectativa de que as exportações vão desacelerar consideravelmente uma vez que os compradores realizam cancelamentos e transferem suas aquisições dos EUA para a América do Sul. O Brasil deu início a uma colheita estimada em recorde em torno de 70 milhões de toneladas, e as condições da safra da Argentina se estabilizaram.
"Nesta semana o mercado vai ficar olhando a demanda porque, se houver mais cancelamentos, pode estar sujeito a mais realizações de lucro.
A soja pode estar agora em ajuste, voltando a um patamar mais razoável de preço, para observar se a demanda continua", avalia Vinicius Ito, da corretora Newedge.
Enquanto a soja caiu com força, o milho apresentou um leve recuo na última sessão também em virtude dos esforços da China para combater a inflação. Mas a perspectiva para o grão é de alta e as perdas foram limitadas, já que o panorama da oferta do cereal é considerado mais precário. A expectativa é de que os estoques dos Estados Unidos sejam os menores em 15 anos no fim da temporada. Além disso, notícias de exportações de milho para o México lembraram o mercado que os preços ainda não contiveram a demanda. Os contratos com vencimento em março recuaram 3,0 centavos, ou 0,42%, e fecharam a US$ 7,0975 por bushel. "O milho tem um diferencial, já que 40% da produção está travada para a produção de etanol nos EUA, e é essa é uma demanda inelástica. Os outros 60% são para ração e alimento. Para racionar essa demanda precisa ter um aumento de preço muito maior. Então o milho vai ficar sustentado", completou Ito.
Um fortalecimento do milho, assim como do algodão, vai limitar as perdas da soja, uma vez que um rali nesses dois produtos é um incentivo para os produtores negligenciarem a oleaginosa na tomada de decisão sobre a nova safra norte-americana.
Por sua vez o trigo fechou em queda na sexta-feira, perto do menor nível em cinco semanas, em virtude da realização de lucros. Os lotes para entrega em maio caíram 27,75 centavos, ou 3,14%, e fecharam a US$ 8,5575 por bushel. Entretanto, a questão do aperto da oferta continua a preocupar o mercado, que deve se manter sustentado, ainda que sujeito a mais embolso de lucros.
CHINA/SOJA FECHA EM BAIXA INFLUENCIADA POR APERTO MONETÁRIO.
Os futuros da soja encerraram com perdas na Bolsa de Commodities de Dalian, influenciados pelo declínio generalizado das commodities após uma elevação do compulsório bancário na China na semana passada. O contrato janeiro fechou com desvalorização de 1% nesta segunda-feira, a 4.562 yuans por tonelada (6,568 yuans = US$ 1), após os preços terem caído 2,6% na Bolsa de Chicago na sexta-feira. O mercado norte-americano foi influenciado pelo aperto da política monetária da China e pela expectativa de desaceleração das vendas semanais, com os compradores desviando a atenção para produção na América do Sul.
As operações de soja, farelo e óleo no mercado à vista ainda estão devagar depois do feriado do Ano Novo Lunar e, portanto, não puderam fornecer muito suporte aos futuros, informou a Everbright Futures Co. em uma nota. "O mercado de soja parece pessimista no curto prazo."Um leilão de 20.700 toneladas de soja das reservas da província de Heilongjiang não conseguiu atrair interessados na sexta-feira. A região vendeu um total de 167 mil toneladas em nove licitações desde dezembro.
O governo central licitará 300 mil toneladas amanhã, além dos leilões semanais de quase 1,2 milhão de toneladas de milho, 4,5 milhões de toneladas de trigo e 2,1 milhões de toneladas de arroz. Pequim vendeu apenas 5 mil toneladas de soja na licitação de 25 de janeiro.
Entre outras notícias, o portal de notícias China Business News informou hoje que autoridades chinesas rejeitaram uma proposta de reduzir as tarifas que incidem sobre as importações de soja e óleo de soja, citando fontes não identificadas. Havia rumores de que a China cortaria o imposto do grão de 3% para 1% e o do óleo de 9% para 5%.
CHINA REJEITA REDUÇÃO DE TARIFA DE IMPORTAÇÃO
Autoridades chinesas rejeitaram uma proposta de reduzir as tarifas que incidem sobre as importações de soja e de óleo de soja, informou nesta segunda-feira o portal de notícias China Business News. Havia rumores no mercado de que a China cortaria o tributo da soja de 3% para 1% e o do óleo de 9% para 5%.
Liu Denggao, vice-diretor da Associação da Indústria de Soja da China, teria dito ao site que reduzir as taxas de importação agora seria ilógico, considerando que a oferta atual de soja é suficiente e o governo tem mais de 6 milhões de toneladas nas reservas. Segundo Liu, os produtores ainda aguardam compradores com enormes estoques.
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