Os futuros da soja negociados na bolsa de Chicago fecharam em alta hoje pelo segundo dia seguido, em linha com a recuperação dos mercados de commodities devido à crescente confiança na capacidade do Japão de se reabilitar do terremoto e do tsunami que abalaram o país.
O contrato maio da soja, mais negociado, subiu 48,25 centavos, ou 3,74%, para fechar cotado a US$ 13,3525 por bushel.
Segundo traders, os mercados saltaram porque aparentemente os esforços do Japão para resfriar os reatores nucleares afetados pela tragédia estariam dando certo. As preocupações com o Japão contribuíram para os temores de uma potencial desaceleração econômica global e redução da demanda por commodities agrícolas. "Desde que as coisas não fiquem piores, é um bom sinal", disse Dax Wedemeyer, analista da corretora U.S. Commodities.
O mercado da oleaginosa voltou a se focar nos fundamentos e a previsão de estoques apertados no final do ano nos Estados Unidos, a forte demanda e as preocupações com as chuvas no Brasil reavivaram o interesse de compra dos investidores, disse o corretor independente Dave Marshall.
As chuvas no Brasil levantam temores de perda no potencial de produtividade, além de provocar preocupações relacionadas ao transporte dos grãos para os portos, completou Marshall. O Brasil é o segundo maior produtor de soja, atrás dos Estados Unidos.
Os produtos derivados também avançaram, em linha com a soja. O óleo encontrou suporte ainda nos ganhos do petróleo, enquanto o farelo se beneficiou da alta nos preços dos grãos para ração, disseram analistas.
O contrato maio do óleo subiu 156 pontos, ou 2,9%, para fechar cotado a 54,52 centavos por libra-peso. O mesmo vencimento do farelo ganhou US$ 14,10, ou 4,1%, para US$ 358,60 por tonelada.
quinta-feira, 17 de março de 2011
SOJA VOLTA A FOCAR FUNDAMENTOS E FECHA EM ALTA.
SOJA: GANGORRA CLIMÁTICA TESTA NERVOS DOS PRODUTORES.
Preocupações com o clima fazem parte do cotidiano de qualquer agricultor, que do plantio à colheita acompanha diariamente as previsões de tempo. Chuvas ou estiagem fora de época são até corriqueiros. Mas na safra 2010/11, as mudanças do tempo, com grandes variações de temperatura, umidade e insolação, pregaram sustos e testaram os nervos dos produtores como há algum tempo não se via.
Depois de uma safra quase perfeita em termos de clima, em 2009/10, o atual ciclo tem sido marcado por momentos dissonantes de preocupação e euforia. Se no início o produtor se preparou para uma seca por causa do fenômeno climático La Niña, logo em seguida comemorou a chuva favorável que garantiria uma produtividade promissora e uma safra recorde. Agora, a tensão voltou a se instalar no campo porque o excesso de água dificulta o manejo, prejudica a colheita e o rendimento das lavouras.
Aedson Pereira, analista da Informa Economics FNP, destaca que as chuvas no final do ano passado e início de 2011 aliviaram as preocupações dos produtores com a seca, que já havia atrasado o início do plantio. "Em novembro e dezembro, que seriam decisivos para o desenvolvimento da cultura, o La Niña enfraqueceu. Em vez de seca, houve precipitação suficiente para garantir rendimentos bons", disse à Agência Estado. Nos cálculos da Informa, o Brasil terá produtividade média de 49,2 sacas por hectare, contra 48,8 sacas no ano passado.
Como os temores de forte estiagem não se concretizaram, as previsões sobre a produção foram pouco a pouco aumentando até atingir números recordes. Hoje, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) fala em uma safra de 70,3 milhões de toneladas, mas algumas consultorias chegam a 72 milhões. "Apesar do atraso no plantio, as chuvas muito boas de dezembro até fevereiro contribuíram para mudar aquele quadro negativo, fazendo com que a lavoura se desenvolvesse de forma robusta", disse Pereira. Mas esse momento de euforia rapidamente se transformou em forte preocupação, pois as chuvas se prolongaram até março e agora afetam a colheita. Em muitas regiões as colheitadeiras ficaram paradas, a umidade do grão aumentou e o controle de doenças e pragas ficou mais difícil. Segundo Pereira, fala-se em Mato Grosso de umidade entre 15% e 18% e, no Paraná, de 15% a 17%. O padrão é 14%.
Os produtores do Centro-Oeste, uma região caracterizada por um padrão climático em geral estável, ainda tentam avaliar os danos provocados pelas fortes chuvas. Uma das situações que mais chamam atenção é a de Mato Grosso do Sul, onde as estimativas preliminares apontam para uma quebra de 30% nas lavouras e potenciais prejuízos de R$ 1,5 bilhão. Segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famasul), 55% da produção de soja estimada em 5,4 milhões de toneladas já foi colhida, com uma perda estimada em 1 milhão de toneladas.
Segundo Eduardo Riedel, presidente da Famasul, em municípios mais ao norte do Estado, como São Gabriel do Oeste, já há comprovação de perdas acima de 50%. Na região central, que inclui Maracaju, o maior produtor do Estado, as estimativas ficam na faixa de 30% a 40% da safra comprometida. A partir de Dourados e municípios mais ao sul as perdas foram menores, de até 5%. "Sabemos que, no conjunto, a quebra foi expressiva, mas ainda não é possível contabilizar o impacto final porque as situações variam muito. E temos de uma semana a 10 dias para concluir a colheita, então ainda dependemos de como o tempo vai evoluir para contabilizar o fechamento", disse ele.
Em Mato Grosso, principal Estado produtor, a colheita atingiu até a semana passada metade da área plantada de 6,413 milhões de hectares, mas está 27% atrasada em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Maria Amelia Tirloni, analista de grãos do Imea, lembra que a concentração da colheita nessa época do ano devido ao atraso do plantio e à falta de intervalos de chuva tem prejudicado os trabalhos no campo. O produtor também enfrenta dificuldade para controlar as doenças de fim de ciclo. A grande decepção, contudo, gira em torno da produtividade, uma vez que as expectativas não devem se concretizar.
"Existia a possibilidade de a produtividade aumentar em relação ao ano passado com o andamento da colheita, mas a umidade está diminuindo esse ganho. O produtor está se decepcionando e essa desilusão é significativa", disse ela, evitando entretanto fazer previsões sobre o rendimento. O Imea estimou em fevereiro uma produtividade de 3 mil quilos por hectare, queda de 0,8% ante o ciclo anterior.
Na região Sul, o clima também brincou com as decisões do agricultor. No Paraná, segundo principal produtor de soja, a perspectiva de que o La Niña prorrogasse as chuvas até a época da colheita levou os produtores a plantar de maneira escalonada para reduzir os riscos de perdas. O volume intenso de precipitações prorrogou o ciclo da soja em torno de 20 dias, segundo Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). "Devido ao excesso de chuvas em alguns municípios, foi difícil fazer o controle de pragas. Os produtores não conseguiram fazer as aplicações na hora certa. A região Sul foi a que teve mais dificuldade de controles", disse Turra.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná, a colheita atingiu nesta semana 50% da área estimada em 4,5 milhões de hectares, e Turra cita uma produtividade de até 3.300 quilos por hectare. "O clima surpreendeu positivamente o produtor. Havia toda uma preocupação inicial de perda de safra em função das condições climáticas adversas, mas elas não se confirmaram", disse ele.
A seca no sul Rio Grande do Sul, terceiro produtor, chegou a preocupar o mercado internacional, mas segundo a Emater as chuvas durante o mês de fevereiro deram um excelente padrão às lavouras. A expectativa é positiva em relação ao rendimento. A colheita ainda está nas etapas iniciais.
Expectativas - Apesar de todos os percalços e incertezas, as perspectiva de uma safra recorde ainda se mantêm. Entretanto, é grande a expectativa em torno das condições climáticas durante a colheita da segunda metade da safra.
"Ainda não se fala de perdas ou apodrecimento, mas a continuidade dessa umidade até abril gera preocupação, sim, e existe a possibilidade de algumas correções na produtividade em função desse excesso", avalia Pereira, da Informa. "Mas por mais que se tenha observado essas preocupações no Mato Grosso do Sul, acho que não vai pesar muito sobre a estimativa nacional."
Em seu último levantamento sobre a safra nacional, divulgado no dia de 10, a Conab não considerou o impacto das chuvas no Mato Grosso do Sul porque a avaliação das lavouras aconteceu antes. Mas o ministro Wagner Rossi já admitiu que isso pode prejudicar os números locais da produção. A próxima estimativa será divulgada em abril.
CBOT/GRÃOS-FORTE ALTA COM MELHORA DO CENÁRIO EXTERNO E DEMANDA.
Os futuros dos grãos abriram com fortes ganhos na Bolsa de Chicago, guiados pela recuperação dos mercados financeiros e por boas perspectivas positivas de demanda.
Além disso, os progressos feitos pelo Japão no resfriamento dos reatores nucleares ajudaram o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, e os mercados acionários norte-americanos a subir, estimulando a confiança dos investidores. A fraqueza do dólar também favorece os grãos, uma vez que torna as commodities mais baratas para compradores estrangeiros.
No caso da soja, a melhora do cenário macroeconômico permitiu aos investidores se concentrar nos fundamentos. A previsão de um apertado estoque final nos Estados Unidos, uma intensa demanda e preocupações com fortes chuvas no Brasil fornecem suporte.
O contrato maio da oleaginosa saltou 55 cents para US$ 13,42 por bushel. O mesmo vencimento do milho subiu 30,0 cents, limite de alta, para US$ 6,46 50 por bushel. Os lotes para entrega em maio do trigo disparavam 54 cents, ou 4,98%, para US$ 7,16 por bushel.
MILHO/EUA: VENDEU 116 MIL T P/ PAÍSES NÃO REVELADOS
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou hoje que exportadores privados venderam 116 mil toneladas de milho para países não identificados, com entrega no ano comercial 2010/11, que começou em 1º de setembro. Qualquer atividade de venda de 100 mil toneladas ou mais feita em um único dia para um mesmo destino deve ser comunicada ao USDA até o próximo dia útil. Volumes inferiores devem ser relatados semanalmente.
ASIÁTICOS INTENSIFICAM COMPRAS APÓS QUEDA DOS PREÇOS
Compradores asiáticos estão contratando várias centenas de milhares de grãos de Austrália, América do Sul e Estados Unidos, aproveitando a queda acentuada dos preços, disseram executivos nesta quinta-feira.
O terremoto e o tsunami no Japão atrasaram o desembarque e desviaram as cargas de grãos, mas o consequente declínio dos preços abriu uma janela de oportunidade para compradores de outras regiões na Ásia, que estão agressivamente importando trigo, milho e soja. "Os fundamentos ainda são fortes e os preços podem se recuperar, então os compradores não querem deixar passar a última oportunidade", disse um executivo de uma trading global de commodities de Cingapura.
O sul-coreano Major Feedmill Group comprou um carregamento de 70 mil toneladas de milho da Marubeni para entrega até 15 de julho por US$ 318,50 a tonelada CIF em um leilão, disseram executivos nesta quinta-feira. Já o Nonghyup Feed Inc., maior fabricante de ração da Coreia do Sul, adquiriu duas cargas com um total de 110 mil toneladas por valores não revelados. O país é o terceiro maior importador de milho do mundo.
SOJA/EUA VENDEM 64% MENOS, EMBARQUES SOBEM 15%.
Os Estados Unidos venderam um saldo de 146.800 toneladas de soja da safra 2010/11 na semana encerrada no dia 10 de março, de acordo com o relatório semanal de exportações do Departamento de Agricultura do país (USDA).
O volume fica 64% abaixo do registrado uma semana antes, além de ser 59% menor que a média das últimas quatro semanas, segundo o governo. Os principais compradores foram Holanda (77.100 t), Egito (52.900 t), Japão (26.400 t), México (23.500 t) e Taiwan (9.600 t).
Cancelamentos foram feitos por países não identificados (56 mil t).
Para entrega na temporada 2011/12, foram comercializadas 67.700 toneladas, sendo 60 mil toneladas para China.
Os embarques totalizaram 838.700 toneladas no período, alta de 15% em relação à semana anterior, mas 27% menos que a média mensal. Os principais destinos foram China (527.600 t), Holanda (77.100 t), Egito (72.600 t), México (61.800 t) e Tunísia (27.700 t).
quarta-feira, 16 de março de 2011
MILHO: CHICAGO REGISTRA MÍNIMA EM 9 SEMANAS.
Os preços futuros do milho voltaram a cair com força nesta quinta-feira na Bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em maio, os mais negociados, recuaram 19,50 cents ou 3,07% e fecharam a US$ 6,1650/bushel. O mercado se recuperou no início do dia, mas cedeu novamente e atingiu a mínima em nove semanas, a US$ 6,0850/bushel.
O mercado esticou as perdas recentes, pois investidores continuam preocupados com a desaceleração da economia global. Os desastres naturais no Japão e a crise nuclear e humanitária continuaram pressionando os futuros de grãos, além das ações, deixando investidores à margem do mercado. A economia global já estava abalada por causa dos tumultos no Oriente Médio e no Norte da África.
Fundos de commodities liquidaram posições compradas diante da percepção de que os preços do milho atingiram um pico nas máximas em 32 meses, em 4 de março, segundo o analista John Kleist, da Ebottrading.com. Estima-se que fundos tenham vendido cerca de 40 mil contratos.
CENÁRIO/INSUMOS: DEMANDA POR ADUBO DEVE SEGUIR FIRME.
A importação de fertilizantes iniciou o ano em alta e continua elevada, um indicativo de que o produtor deverá reforçar os investimentos no campo na próxima safra 2011/12. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nas duas primeiras semanas de março a compra do insumo atingiu média diária de US$ 21,23 milhões, aumento de 14,5% ante a média de fevereiro, de US$ 18,548 milhões, e um salto de 81% sobre a média de março de 2010, de US$ 11,742 milhões. A analista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria, diz que esse forte aumento nas importações pode indicar uma antecipação das compras externas em função da expectativa de uma elevação mais acentuada no preço do petróleo. "Além de ser um insumo cujo custo de produção está relacionado ao petróleo é preciso lembrar que os fertilizantes viajam pelo mundo até chegar ao País, então o custo de transporte também tem que ser levado em conta". De acordo com a Secex, o preço médio dos adubos e fertilizantes (minerais ou químicos) importados em janeiro subiu 21,43% ante o mesmo período em 2010.
Em volume, o último dado consolidado é também de janeiro, quando foram importadas 1,492 milhão de toneladas, elevação de 78,5% sobre o mesmo período em 2010, que registrou 836,1 mil toneladas. O volume é até mesmo maior que as importações do ano de 2008, considerado um marco no setor agropecuário, quando 1,33 milhão de toneladas foram internalizadas em janeiro, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). As entregas de fertilizantes para o consumidor final subiram 7,3% em janeiro, para 1,732 milhão de toneladas, de acordo com a entidade.
O cenário positivo para a renda agrícola neste ano estimula os investimentos nas lavouras, segundo avaliação de Romano. Ela aponta que o volume entregue aos produtores em janeiro representa o segundo melhor resultado para o mês, perdendo apenas para janeiro de 2008, quando as entregas foram de 1,857 milhão de t. Ela avalia que o aumento na demanda dos fertilizantes se dará mais em virtude da elevação dos investimentos do que pela aumento da área plantada em 2011/12. "O custo de incorporação de novas áreas de produção está elevado. Se houver, um aumento das lavouras será marginal", afirmou.
Em relatório divulgado ao mercado no início deste mês, em que informava os resultados de 2010, a Fertilizantes Heringer - uma das maiores do País no setor - estimou um crescimento de 6% no consumo brasileiro de fertilizantes em 2011, com o volume de entregas atingindo 26 milhões de toneladas. Cerca de 39% desse total deve ser entregue no primeiro semestre e os 61% restantes no segundo semestre. "Os preços das matérias primas tendem a ser superiores aos do último trimestre de 2010", disse a empresa no documento, sem citar uma estimativa.
CBOT/SOJA SE RECUPERA DE PERDAS.
Os futuros da soja fecharam em alta hoje na bolsa de Chicago, encerrando o movimento de vendas generalizadas provocado pela preocupação com os resultados do terremoto e do tsunami no Japão.
O contrato maio da soja, mais ativo, teve alta de 17 centavos, ou 1,3%, para fechar cotado a US$ 12,87 por bushel. Ontem a oleaginosa encerrou no limite de queda devido às preocupações com a crise nuclear no Japão.
Os investidores acompanham de perto a situação no país asiático porque isso amplia as incertezas em relação ao crescimento econômico global, principalmente depois dos tumultos no Oriente Médio e Norte da África.
Mas os futuros da soja encontraram sustentação hoje pois a recuperação do mercado acionário japonês durante a noite ajudou a abrir as portas para compradores retornarem ao complexo de commodities. Os preços também se favoreceram da redução em 11,2% na estimativa do Ministério da Agricultura da China para o plantio em 2011 no país, disse Rich Nelson, diretor da Allendale Inc.
Além disso, "as notícias de chuvas no Brasil atrapalhando a colheita e atrasando o carregamento da soja para exportação deram mais sustentação", disse ele.
Os futuros do óleo de soja também se estabilizaram após as fortes quedas de terça-feira, com o suporte também da alta no petróleo. O contrato maio avançou 8 pontos, para 52,96 centavos por libra-peso. Por sua vez, o maio do farelo de soja ganhou US$ 3,70, ou 1,1%, cotado a US$ 344,50 por tonelada.
GRÃOS/EUA: ALLENDALE ESTIMA MENOR ÁREA COM MILHO E SOJA.
Produtores dos Estados Unidos cultivarão 91,291 milhões de acres com milho (36,94 milhões de hectares) e 77,193 milhões de acres com soja (31,23 milhões de hectares) no próximo ano-safra, de acordo com projeções da corretora Allendale, após a realização de sua pesquisa anual. A Allendale estima a área plantada com trigo em 57,435 milhões de acres (23,24 milhões de hectares). As estimativas vêm à tona num momento em que participantes do mercado acompanham de perto as previsões de área, diante da oferta global apertada de grãos.
A empresa afirmou que a previsão de plantio de soja, unida à estimativa de produtividade de 43,52 bushels por acre, poderia resultar numa produção de 3,319 bilhões de bushels no próximo ano-safra (90,33 milhões de toneladas), ante 3,329 bilhões de bushels no ciclo atual.
Usando a previsão de 43,63 bushels por acre com trigo, a colheita do cereal deve somar 2,142 bilhões de bushels (58,3 milhões de toneladas), ante 2,208 bilhões de bushels no atual ano-safra.
Para o milho, a estimativa de plantio aliada à produtividade de 161,97 bushels por acre resultaria em produção de 13,551 bilhões de bushels (344,19 milhões de toneladas) no próximo ano-safra, ante um total de 12,447 bilhões de bushels no atual.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou projeções preliminares no mês passado, indicando plantio de 92 milhões de acres com milho, 78 milhões de acres com soja e 57 milhões de acres com trigo. Novas previsões serão divulgadas em 31 de março.
No ano passado, produtores dos Estados Unidos cultivaram 88,2 milhões de acres com milho, 77,4 milhões de acres com soja e 53,6 milhões de acres com trigo.
PR/SOJA-COLHEITA DISPARA E ATINGE 50%.
A colheita da soja no Paraná deu um salto nas duas últimas semanas devido ao tempo favorável e atingiu 50% da área estimada em 4,5 milhões de hectares, contra 11% em 28 de fevereiro, informou hoje o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado, em seu informe semanal.
"A chuva deu uma trégua nas principais regiões produtores e a soja estava em ponto de maturação. Então o produtor não mediu esforços e em algumas regiões houve até disputa de colheitadeiras", explicou à Agência Estado a engenheira agrônoma do Deral Margorete Demarchi, destacando que o ritmo dos trabalhos agora já se iguala ao dos dois últimos anos.
O Deral estimou em fevereiro que a produção do Estado vai atingir 13,94 milhões de toneladas, com uma produtividade de 3.097 quilos por hectare. Entretanto, Margorete lembra que essa avaliação foi feita quanto apenas 5% da safra tinha sido colhida, e acredita que o rendimento pode ultrapassar o recorde do ano passado de 3.184 quilos.
"Houve perdas pontuais por causa da chuva, mas de modo geral acho que os problemas não foram tantos quanto se imaginava. Estamos caminhando para uma safra maior do que a do ano passado e no relatório da semana que vem teremos uma ideia melhor", disse ela. No ciclo 2009/10, o segundo maior produtor nacional da oleaginosa plantou uma área de 4,37 milhões de hectares, atingindo o recorde de 13,92 milhões de toneladas colhidas.
Segundo o relatório do Deral, 89% das lavouras estão em condições boas, com 10% em situação média e 1% delas é considerada ruim. A comercialização antecipada da safra avançou quatro pontos porcentuais desde 28 de fevereiro, e agora atinge 29% da produção prevista.
GRÃOS/TREMOR NO JAPÃO PODE AUMENTAR A DEMANDA.
TREMOR NO JAPÃO PODE SER POSITIVO PARA SOJA E MILHO NO 2º E 3º TRI
O terremoto no Japão pode ser positivo para commodities como o milho e a soja no segundo e terceiro trimestre deste ano, afirmou Abah Ofon, analista de commodities do Standard Chartered Global Research. Segundo ele, uma quantidade maior de arroz pode ser destinada à alimentação, cabendo aos dois outros grãos suprir as necessidades dos segmentos de ração e combustíveis.
Na terça-feira, o contrato maio da soja fechou com queda de 70 cents na Bolsa de Chicago, menor nível desde o final de novembro. O mesmo vencimento do milho também encerrou no limite diário de queda, de 30 cents, despencando para US$ 6,36 por bushel, mínima em quase 10 semanas.
"Os mercados permaneceram relativamente parados depois do terremoto no Japão, mas sentimos que essa é a calmaria antes da tempestade", disse Ofon. "Nós esperamos que a demanda do Japão impulsione os preços agrícolas, particularmente os de grãos para ração, enquanto seguimos rumo ao segundo e ao terceiro trimestre."
Os estoques japoneses no final da temporada 2010/11 devem satisfazer uma demanda equivalente a 22 dias para o milho e sete dias para a soja, previu ele. As reservas de ambos os grãos devem apresentar a maior expansão, se as ofertas forem liberadas para atenuar a ansiedade do mercado e a escassez até que a logística se normalize, afirmou Ofon. Alguns dos portos já foram afetados pelo tsunami, acrescentou o analista.
"Nós recomendamos que os investidores assumam posições compradas no contrato julho da soja e no setembro do milho." O Japão é um importador líquido de alimentos, com necessidades de importação de 90% para o trigo e a soja e de 100% para o milho. O país é quase autossuficiente em arroz, mas a maioria das terras aráveis dedicadas ao cultivo na região nordeste também foram afetadas pelo desastres naturais, disse Ofon.
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