sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

MILHO: ATRASO NO PLANTIO DA SAFRINHA EM MT

O plantio da segunda safra de milho em Mato Grosso atingiu nesta sexta-feira 1,2% da área de 1,77 milhão de hectares projetados pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), extensão 9,3% menor que a cultivada em 2010. No mesmo período do ano passado o plantio atingia 11,8% da área. Este é o primeiro levantamento de cultivo de safrinha realizado pelo órgão neste ciclo e os dados confirmam a percepção de agentes do mercado a respeito do atraso na semeadura do grão.
Essa situação já era esperada, segundo Maria Amélia Tirloni, analista de grãos do Imea, pois o plantio da soja precoce ocorreu mais tarde, entre 15 e 20 de outubro do ano passado. Um ano antes, na safra 2009/2010, a semeadura concentrou-se em setembro.
Quanto à redução de área da safrinha, a analista afirmou que parte dos produtores optou pelo algodão em detrimento do milho, que tem se mostrado mais rentável mesmo com os preços sustentados do cereal. Maria Amélia explica que o ideal é que o plantio da segunda safra do grão seja feito até 20 de fevereiro. "Pode ser que os produtores se arrisquem e plantem depois disso, mas não sabemos se teremos chuva suficiente para plantar no intervalo indicado", disse a analista.
O Imea deverá apresentar uma nova estimativa para a segunda safra de milho na próxima semana, incluindo projeções de produtividade e produção. O instituto ainda trabalha com números projetados em dezembro, que preveem queda de 9,3% na área ocupada pelo milho no Estado na safrinha. Na safrinha 2010 foram produzidas 8,4 milhões de toneladas.

SOJA-MT/COLHEITA AVANÇA FAVORECENDO ALGODÃO.

A chuva deu uma trégua nesta semana e a colheita da soja em Mato Grosso avançou para 2,8% da área semeada até ontem, contra 1,3% na semana anterior, de acordo com relatório do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado hoje. Os trabalhos continuam bastante atrasados em relação à temporada passada, quando nesta época do ano 9,9% por área já tinha sido colhida, mas o avanço favoreceu o plantio do algodão.
A região mais adiantada na colheita da soja é a oeste do Estado, com 5,7% da área colhida, onde o destaque fica para o município de Sapezal, que já realizou os trabalhos em 8% da área estimada em 360 mil hectares. A segunda área mais adiantada é a sudeste, com 2,9% das lavouras colhidas. Segundo o Imea, as duas se destacam pois são regiões produtoras de algodão, cujo plantio da segunda safra começa assim que a soja é colhida.
A maior região produtora do Estado, médio-norte, colheu 2,4% de sua área prevista em 2,45 milhões de hectares. O norte colheu 2% da área, seguida do centro-sul com 1,5%, nordeste com 1,4% e noroeste com 1,3%. A área total de plantio no Estado é estimada pelo Imea em 6,2 milhões de hectares, com expectativa de produção de 18,7 milhões de toneladas.
Segundo Maria Amélia Tirloni, analista de grãos do Imea, o produtor vem aproveitando os intervalos nas chuvas para fazer as aplicações de dessecantes necessárias nas lavouras de soja e garantir a colheita, abrindo espaço para o plantio do algodão. O atraso nos trabalhos de colheita no Estado já era esperado, uma vez que o plantio foi retardado devido à estiagem na época."O produtor está se programando, quando a chuva dá uma folga ele desseca a soja para plantar algodão, que é a prioridade", disse ela, explicando que as previsões climáticas, entretanto, inspiram atenção, uma vez que a perspectiva é de chuvas por um bom tempo. "O que preocupa é que a chuva atrapalha a programação normal do produtor. Se está muito úmido ou literalmente chovendo, não há como fazer aplicações, mas há intervalos que estão permitindo o trabalho."
Com o avanço da colheita da soja, o plantio da safra 2010/11 de algodão também foi beneficiado e saltou de 71% na semana passada para 84% da área prevista em 595,2 mil hectares.
A região oeste, principal produtora com um total neste ano de 141,8 mil hectares, é a mais atrasada, com 67% da área plantada. O plantio na região sudeste, segunda maior produtora com 289,9 mil hectares, chegou a 85% da área. As únicas regiões que já encerraram os trabalhos são a noroeste e norte, as menores produtoras, que juntas respondem por 6.130 hectares.
"Principalmente na região sudeste, em Campo Verde e Primavera do Leste, tivemos dias bem ensolarados, e nesta semana o plantio correu bem", disse Maria Amélia.

JAPÃO-COMMODITIES: PREÇOS ESTÃO MAIS ELEVADOS DO QUE DEVERIAM.

O ministro de Economia japonês, Kaoru Yosano, disse nesta sexta-feira que os preços das commodities estão mais elevados do que deveriam, sugerindo que o país pode considerar abordar tal questão na próxima reunião do G-20, em Paris. "Não é favorável se os fluxos especulativos são uma parte do motivo por trás da alta dos preços das commodities", afirmou ele em uma coletiva de imprensa.
Segundo Yosano, as medidas de flexibilização monetária adotadas pelo banco central japonês podem estar encorajando os investidores a aplicar capital  especulativo nas commodities, em vez de outros ativos.
Sua visão, se compartilhada por todo o governo, sugere que o Japão pode avaliar a introdução do assunto na próxima cúpula de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais de países do G-20, embora ele mesmo não participe da reunião.
Yosano também defendeu o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, que na quinta-feira disse estar "indisponível" ao ser questionado sobre o rebaixamento da classificação de risco do Japão pelo Standard & Poor's, dando a impressão de estar mal informado sobre as implicações do corte no rating. "O premiê estava no parlamento japonês por cinco ou seis horas, sinceramente respondendo às dúvidas dos parlamentares. A coletiva de imprensa foi logo após a sessão parlamentar, e é completamente compreensível que ele não soubesse o que aconteceu no início no dia", afirmou Yosano.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

RABOBANK COMPRA 49% DO BANCO SICREDI

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou hoje a associação do Rabo Financial Institutions Development (Rabobank), da Holanda, no Banco Cooperativo Sicredi (Bansicredi), via participação direta no capital social. O banco holandês, que é uma das maiores instituições financeiras do mundo no setor de cooperativas, vai adquirir até 49% do Bansicredi. Como o banco é estrangeiro, a lei brasileira exige a aprovação do presidente da República, depois do aval do CMN.
Segundo o chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, Luiz Edson Feltrim, o grupo Rabobank já tem duas instituições no Brasil. Uma é o Banco Múltiplo Rabobank, com sede em São Paulo e que atua em operações de financiamento de produtores agrícolas. O outro banco, com sede em Porto Alegre, é o De Lage Landen, que atua no financiamento de equipamentos agrícolas.

SOJA/ARGENTINA: BOLSA DE CEREAIS MANTÉM ESTIMATIVA DE 47 MI/TONS

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires manteve hoje sua estimativa para a safra de soja da Argentina em 47 milhões de toneladas, mesmo após as chuvas dos últimos 15 dias que aliviaram o estresse hídrico das lavouras. "As precipitações continuam sendo de intensidade variável", justificou a bolsa, destacando que "os lotes semeados mais cedo e adiantados em sua evolução apresentam produtividades reduzidas, como consequência de um menor desenvolvimento da planta e grande aborto de flores e vagens". Por outro lado, continuou, "há muitos lotes que não receberam chuvas oportunas, nem de bom volume e mantêm um atraso significativo em seu crescimento e desenvolvimento".
A recuperação dos volumes hídricos retira, no curto prazo, a sustentação que o clima dava aos preços da commodity porque afasta as preocupações com o efeito do fenômeno La Niña na produção local. "É possível que as excelentes chuvas na Argentina tenham freado a alta dos preços da soja e seus derivados, mas no mercado sempre há algum motivo para altas e baixas", disse à Agência Estado o técnico Esteban Copati, da Bolsa de Cereais. O plantio da soja na Argentina atinge 99,6% da área de 18,5 milhões de hectares estimados para a atual safra.
Milho e trigo - A bolsa manteve a projeção também para a safra de milho, que deve atingir 19,5 milhões de toneladas. As lavouras já foram implantadas em 99,2% da área projetada de 3,150 milhões de hectares. Já o trigo tem a colheita encerrada na Argentina, com volume de 15 milhões de t, 90% superior ao colhido no ano passado, de 7,9 milhões de t. Segundo o relatório, o desempenho se deve ao incremento na área e aos bons rendimentos em áreas produtoras, beneficiados pelo clima.

COMMODITIES: FRANÇA AUMENTA PRESSÃO POR REGULAÇÃO DO MERCADO.

A França aumenta a pressão por maior regulação no mercado de commodities. Ao liderar o G-20 neste ano, o presidente francês Nicolas Sarkozy colocou o tema da disparada dos preços dos alimentos e da energia em posição central da agenda. As primeiras discussões acontecem em 18 e 19/2, na reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G-20, em Paris.
Depois de ter anunciado a agenda na semana passada, Sarkozy voltou ao tema hoje, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Ele disse que a questão não é impedir que países produtores de alimentos, como o Brasil, se beneficiem da alta dos preços. "O que estou dizendo é: ei, tenha cuidado, se há um aumento exponencial dos preços geralmente há uma queda exponencial dos preços (posteriormente)", afirmou durante discurso. Ele defende um aperto regulatório no mercado de commodities para conter a especulação com alimentos e energia. "Precisamos de regulação porque isso significa transparência."
Sarkozy citou o movimento no mercado de cacau no ano passado como exemplo de situação inaceitável. A tonelada do cacau disparou para a maior cotação desde 1977 em julho de 2010, quando o fundo de hedge Armajaro Holdings comprou quase todo o cacau disponível no mercado europeu.
O tema pode gerar controvérsia com os países produtores que se beneficiam da alta das matérias-primas, até porque a França mantém subsídios a seus agricultores que desagradam aos países em desenvolvimento. "Vai ser um jogo de forças", acredita o presidente da Embraer, Frederico Curado. "O Brasil tem todo o direito de defender sua posição, não podemos perder esse bom momento."
Para ele, sem o benefício das commodities, a crise no País teria sido mais grave. Em contrapartida, Curado não deixa de alertar para a possibilidade de desequilíbrio na balança comercial brasileira, em razão do déficit dos produtos manufaturados versus o superávit dos produtos básicos.

PREÇOS AINDA TÊM ESPAÇO PARA SUBIR.

Após atingir o maior nível em dois anos há duas semanas - em US$ 14,2250 por bushel -, a cotação da soja tem oscilado pouco abaixo dos US$ 14 na Bolsa de Chicago, patamar quase 50% acima do registrado na mesma época do ano passado. A despeito desse desempenho notável, o valor da oleaginosa ainda tem espaço para subir. "Não diria que vimos os maiores preços do ano na soja. Talvez tenhamos visto no milho", avaliou André Pessôa, diretor da Agroconsult.
Ele considera que há uma expectativa de redução no plantio nos Estados Unidos na safra 2011/12, em favor do milho e do algodão. Se realizada, deixará os estoques da oleaginosa ainda mais apertados do que já estão. "Hoje, em praticamente todos os estados norte-americanos que produzem grãos, a soja perde espaço para o milho e para o algodão", por causa da rentabilidade menor, afirma. Ele lembra que nos EUA não há espaço para aumento de área agrícola.
Enquanto isso, a safra de milho e soja 2010/11 já está definida naquele país. Isso deixa a oferta mundial de curto prazo nas mãos de Brasil e Argentina. Mas enquanto em um as coisas vão bem, no vizinho há problemas. "Se no milho há um pequeno espaço para quebra de safra, na soja não existe nenhum", pondera. "Temos possibilidade de ver preços mais altos na oleaginosa ao longo do ano."
Durante a fase de colheita da soja no Brasil, as cotações podem ser sazonalmente pressionadas, mas Pessôa não vê espaço para quedas muito maiores que 10% nos piores momentos, o que deixaria os preços ainda em patamares razoáveis.

PRODUTIVIDADE DEVERÁ SER RECORDE EM 2010/11.

Os problemas causados pelo fenômeno La Niña no início do plantio da safra de grãos 2010/11, em outubro do ano passado, não impedirão que as lavouras de soja brasileiras registrem produtividade recorde no período, de acordo com André Pessôa, diretor da Agroconsult. "Temos chance de ver um rendimento médio nacional de 50 sacas por hectare. Foi o que nos fez rever nossa estimativa", afirmou. A consultoria elevou hoje seu número para a produção nacional da oleaginosa, para o recorde de 70,3 milhões de toneladas.
As principais revisões para cima com relação à estimativa anterior foram feitas nas projeções do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. "A estiagem que ocorreu na metade sul do Rio Grande do Sul afetou mais as áreas de pastagens e de arroz", afirmou durante apresentação do Rally da Safra 2011, expedição técnica na qual 120 profissionais do agronegócio percorrerão 55 mil quilômetros pelas áreas produtoras do País.
Pessôa ponderou que, neste momento, apenas um eventual excesso de chuvas durante a colheita ameaça uma produção recorde de soja. "As janelas para a colheita estarão apertadas, mas o produtor está preparado para isso". Há também menos risco de perdas por causa da ferrugem neste ano.
Milho - A produção de milho verão alcançará 32,6 milhões de toneladas, de acordo com a Agroconsult, mas esse volume ainda pode ser revisto para cima. "A surpresa que podemos ter no milho é para cima. As lavouras enfrentam pouco risco daqui para frente. A produção da safra verão já está bem definida", afirmou Pessôa. "O clima não está bom, mas as lavouras estão excelentes."
Embora ainda não tenha um levantamento recente a respeito da safrinha, Pessôa vê os produtores mais dispostos a tomar risco neste ano, por causa dos bons preços, e prevê na maioria das áreas uma extensão de plantio igual à do ano passado. Ele conta que, geralmente, o cultivo é feito até o dia 10 de março, mas neste ano o trabalho de campo deve se estender até o final daquele mês. No Paraná, São Paulo e sul de Mato Grosso do Sul a área de safrinha pode subir até 10%. Goiás deve manter a mesma área, no mínimo. Em Mato Grosso a redução deve ser discreta.
Expedição - O Rally da Safra, organizado pela Agroconsult, chega à oitava edição neste ano e percorrerá mais de 55 mil quilômetros para colher cerca de 1,3 mil amostras nos principais polos de produção de milho e soja do País. A expedição percorrerá 11 Estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão. Os dados coletados representam 98% da área cultivada de soja e 80% da área com milho no País.
Duas novidades no rally deste ano será o levantamento das condições das estradas com a parceria da Esalq-Log. Haverá também um levantamento das perdas durante a colheita da soja, com metodologia criada pela Embrapa Soja.

SOJA: EUA PROCESSARAM 4,165 MI DE TONELADAS.

A indústria norte-americana processou 4,165 milhões de toneladas de soja em dezembro ante 4,,219 milhões de t em novembro e 4,71 milhões de t em igual período de 2009. Os números foram divulgados nesta quinta-feira pelo Census Bureau, agência do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.
Os estoques da oleaginosa na indústria subiram para 3,507 milhões de toneladas no período, ante 3,347 milhões de toneladas no mês anterior e 2,938 milhões de toneladas em dezembro de 2009.
A produção de farelo de soja atingiu 3,397 milhões de toneladas curtas (3,08 milhões de t) no último mês, volume inferior ao de novembro e ao registrado no mesmo intervalo de 2009. Os estoques do produto somaram 473.213 toneladas curtas (429.292 t) em dezembro, mais que 445.037 toneladas curtas (403.731 t) no mês anterior, mas abaixo das 533.578 toneladas curtas (484.054 t) apuradas em igual período de 2009.
A produção de óleo de soja diminuiu para 1,74 bilhão por libra-peso (788.958 t) em dezembro, enquanto os estoques aumentaram para 1,576 bilhão por libra-peso (714.870 t).

              PROCESSAMENTO DE SOJA NOS EUA
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                                       dez/10      nov/10      dez/09
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Soja - em toneladas curtas
Esmagamento             4.591.507   4.651.751   5.194.127        
Estoques na indústria   3.865.966   3.689.877   3.238.894                   
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Farelo de soja - em toneladas curtas
Produção                3.397.354   3.447.649   3.785.027                   
Estoques                  473.213     445.037     533.578                       
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Óleo de soja - em mil por libra-peso
Produção                1.739.355   1.771.201   1.898.259
Estoques                1.576.020   1.485.849   1.333.880  
Produtividade               11,36       11,42       10,96 
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Estoques iniciais nas indústrias - em mil por libra-peso
Óleo de soja            3.468.843   3.295.695   3.103.495                       
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GRÃOS: PREÇO GLOBAL DEVE SUBIR PARA FREAR DEMANDA.

Os mercados globais de grãos apresentam um cenário mais preocupante que durante a crise de alimentos de 2007/08 devido ao forte aperto das ofertas, e os preços precisarão subir na próxima temporada para segurar a demanda, informou nesta quinta-feira o Morgan Stanley. "Nossa avaliação nos deixa mais preocupados do que estivemos nos últimos cinco anos", revelou o banco em um relatório.
O Morgan Stanley aumentou a estimativa do preço do milho no ano comercial 2010/11 em 50 cents, para US$ 6,50/bushel, e a da soja em 225 cents, para US$ 14/bushel. O banco prevê que as cotações avancem para US$ 7 e US$ 15/bushel, respectivamente, na próxima temporada, na tentativa de frear a demanda por grãos.
Considerando que preços maiores estimulam a expansão das lavouras, o Morgan Stanley espera que o milho recue ligeiramente em 2012/13, mas apenas para US$ 6/bushel. O trigo também deve participar da disputa por terras, alcançando US$ 7,50/bushel em 2010/11, US$ 8,50/bushel em 2011/12 e US$ 8/bushel em 2012/13, segundo o banco."Interrupções no abastecimento podem impulsionar os preços significativamente acima das nossas expectativas, já que os estoques nos países exportadores estão perto das mínimas vistas em 2007/08 e a crescente preocupação com a inflação deve encorajar ações políticas", explicou o Morgan Stanley.

COMMODITIES: ESPECULAÇÃO PODE PROVOCAR MAIS REGULAÇÃO

A elevação dos preços globais das commodities vem sendo conduzida, em parte, por especuladores. Isso pode acabar despertando uma onda de medidas regulatórias por parte dos governos de diversos países que buscam controlar os preços de alimentos básicos e evitar bolhas já vistas em outros mercados.
As cotações de muitas commodities certamente subiram em resposta a recentes rupturas no abastecimento e à crescente demanda. Mas é o impacto maior do que o normal provocado pelos investidores que especulam com commodities - alavancados por baixas taxas de juros - que poderia provocar bolhas insustentáveis em alguns mercados, irritar consumidores e alertar os políticos para o risco da negociação de derivativos. O fato de que os preços das commodities estão subindo tão cedo, depois de um salto similar em 2008, poderia indicar que alguns mercados estão descolados demais dos fundamentos de oferta e demanda, colocando em risco o crescimento econômico.
Muitos governos de países desenvolvidos estão estimulando controles de preços de alimentos para combater a inflação e repelir o tipo de descontentamento que provocou protestos violentos na crise alimentar de 2008. A França, que atualmente está na presidência do Grupo das 20 maiores economias do mundo (G20), vem pressionando os mercados por mais regulação e transparência no comércio de commodities, inclusive em derivativos.
O vice-ministro de Finanças para Relações Internacionais do Japão, Rintaro Tamaki, afirmou na semana passada que o país "compartilha da opinião de que a flutuação dos preços das commodities foi algumas vezes excessiva e desestabiliza o crescimento da economia".
Nas bolsas de contratos futuros nos Estados Unidos, maior exportador mundial de grãos, o saldo comprado dos especuladores em 14 principais contratos derivativos de agricultura atingiu um recorde de 104 milhões de toneladas em novembro, de acordo com um relatório do ANZ Banking Group. Ficou bastante acima do pico anterior, de 78 milhões de toneladas, registrado em março de 2008.
Trata-se de uma grande mudança em relação ao ano passado, quando os especuladores tinham posição líquida de venda nos futuros agrícolas dos Estados Unidos. Assim, a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), nos Estados Unidos, está avaliando impor limites sobre a especulação, inclusive restrições para o número de contratos que uma companhia pode deter.
O excesso de especulação de "turistas de investimento" agrava a instabilidade dos mercados, mandando sinais que não estão embasados nos fundamentos, afirma o secretário para o Grupo Intergovernamental de Grãos na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Abdolreza Abbassian.
De acordo com o presidente da trading japonesa Unipac Grain, Nobuyuki Chino, os preços do trigo nos Estados Unidos ficariam mais perto dos US$ 6/bushel se não houvesse interesse especulativo. Nesta quarta-feira, o contrato março fechou a US$ 8,5650/bushel. Chino diz que o milho deveria ser negociado em torno dos US$ 5/bushel. Hoje, fechou a US$ 6,5775/bushel. A soja, por sua vez, poderia operar próxima a US$ 13,20/bushel. Hoje, fechou a US$ 13,8550/bushel. Outros analistas entendem que é difícil quantificar o prêmio resultante da especulação.
A consultora da FAO Ann Berg observa que há "alguns estudos sugerindo que a especulação adicionou de 20% a 30% nos preços do mercado (futuro), mas eles nunca são justificados". Segundo ela, "o que você pode dizer é que os mercados futuros às vezes funcionam com prêmio substancial em relação ao mercado à vista".
Essas notícias são boas para os investidores que apostam na elevação dos preços dos alimentos. Mas, para os consumidores, especialmente em países mais pobres, a consequência pode ser desastrosa. Por isso, os governos podem querer direcionar os preços dos alimentos ou atuar contra os especuladores.
As bolsas de derivativos da Ásia estão ganhando participação no mercado nos últimos anos e cresce o interesse dos investidores que querem aplicar seu dinheiro em produtos de derivativos na região. Nesse caso, eles não têm o aborrecimento de ter ou estocar commodities físicas.
Na Índia, por exemplo, o valor acumulado das negociações de futuros de commodities nos nove meses encerrados em dezembro subiu 50%, para 82,7 trilhões de rupias (US$ 1,81 trilhão), de acordo com dados da Forward Markets Commission, reguladora das operações com contratos futuros no país. No passado, o governo indiano chegou a suspender transações com futuros em itens politicamente sensíveis. E as autoridades ainda relutam em suspender controles de exportação, apesar do crescimento dos estoques domésticos.
Na China, depois que os preços de algodão, açúcar, borracha e milho alcançaram níveis recorde em novembro, o governo solicitou às bolsas de contratos futuros que elevassem as margens de negociação, em alguns casos em mais de 10%.

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