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sexta-feira, 4 de março de 2011

IMEA/MT-SOJA : COLHEITA ACÍMA DO NÍVEL PADRÃO DE UMIDADE.

As chuvas dos últimos dias prejudicaram a evolução da colheita de soja e o plantio de milho em Mato Grosso. O problema é mais grave na região oeste, onde as chuvas não dão trégua. Como a lavoura está em ponto de colheita e corre o risco de apodrecer no campo, os produtores estão colhendo a soja com até 38% umidade, nível bem acima do ponto máximo recomendado de 20%. O excesso de umidade é descontado pelos compradores no recebimento da mercadoria. No caso do milho, existem produtores que devem atrasar o plantio em até um mês.
O problema é mais grave na região oeste de Mato Grosso, onde a colheita da soja nesta semana atingiu 40% dos 930,2 mil hectares cultivados, ritmo bem abaixo dos 63,5% registrados no ano passado. No município de Sapezal (distante 480 km de Cuiabá) as perdas registradas até agora por conta do excesso de umidade e grãos ardidos varia de 10% a 15%, segundo o presidente do sindicato rural do município, Írio Dal'Maso.
O diretor superintende do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Otávio Celidonio, diz que o problema do excesso de umidade e grãos ardidos ainda não é generalizado e que o impacto deve ser avaliado até o final da colheita. Por isso, diz ele, o Imea resolveu a adiar a divulgação de uma nova estimativa de safra, que iria corrigir para cima as previsões anteriores, por conta bom rendimento observado no início da colheita, pois muitos produtores estavam colhendo até duas sacas a mais por hectare em relação ao ano passado. Celidônio acredita que a produção deve se manter na faixa de 19,2 milhões estimadas em fevereiro, pois a maior produtividade em algumas regiões deve compensar as perdas provocadas pelo excesso de chuvas. O Imea divulgou hoje uma nova estimativa sobre a evolução a colheita da soja. Até ontem foram colhidos 2,482 milhões de hectares, que representam 38,7% dos 6,413 milhões de hectares estimados pelo Imea. A colheita está 23,4 % atrasada em relação a igual período do ano passado, quando havia atingido 3,796 milhões de hectares, que correspondia a 62% dos 6,122 milhões de hectares plantados na safra 2009/10.
A região oeste registra o maior índice de perdas pelo excesso de umidade, mas a colheita está mais atrasa no médio-norte, que representa 40% da área de soja em Mato Grosso. Os produtores do médio-norte colheram até ontem 1,114 milhão de hectares, que corresponde a 43,4% dos 2,571 milhões de hectares cultivados. No mesmo período do ano passado a colheita no médio norte estava em 76,6% dos 2,441 milhões de hectares cultivados. Em termos absolutos, ainda restam 1,457 milhão de hectares para serem colhidos no médio-norte. Em Sorriso, maior produtor de soja de Mato Grosso, com 600 mil hectares cultivados, a colheita atingiu 48% da área, ante 90% em igual período do ano passado.

SOJA: EVOLUÇÃO DA COLHEITA EM MT (em mil hectares)
REGIÕES          ÁREA     04/mar/10   03/mar/11 DIFERENÇA
Noroeste         261,246     40%           43,40%       -3,0% p.p.
Norte                39,068     40%           46,10%      -22,3% p.p.
Nordeste         694,224     30%           25,00%         0,7% p.p.
Médio-norte 2.571,476     40%           43,30%      -33,1% p.p.
Oeste              930,263      50%           40,00%      -23,5% p.p.
Centro-sul       413,150      40%           30,80%      -19,6% p.p.
Sudeste        1.504,458      90%          37,50%       -21,4% p.p.
Total             6.413,562     10%           38,70%       -23,4% p.p.
Fonte: Imea

Milho - A demora na colheita da soja, que também se deve ao atraso no plantio registrado no final do ano passado, por conta falta de chuvas, está dificultando a semeadura do milho, que é cultivado na sequência da oleaginosa. Segundo o Imea, até ontem foram semeados 72,5% dos 1,811 milhão de hectares estimados. O atraso é de 23,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 96,1% da área já estava semeada. A região oeste registra um atraso de 46,3%. Até agora foram semeados 51% dos 288,1 mil hectares estimados, enquanto no início de fevereiro do ano passado 97,3% da área já estava semeada.
Otavio Celidonio acredita que mesmo com o fim da janela de plantio, que se encerrou no final de fevereiro, os produtores devem continuar plantando e a área deve atingir os 1,811 milhão de hectares estimados pelo Imea. Segundo ele, por conta  do atraso do plantio da soja no ano passado o Imea foi conservador na sua estimativa de área de milho. O problema, diz ele,é o risco que os agricultores irão correr, pois nos últimos dois anos quem plantou a partir de março teve problemas de produtividade. Írio Dal'Maso explica que o produtor que comprou a semente e os insumos não terá outra alternativa a não ser plantar.

MILHO: EVOLUÇÃO DO PLANTIO DA SAFRINHA (em mil hectares)
REGIÕES         ÁREA  04/mar/10  03/mar/11  DIFERENÇA
Noroeste         60,4      95,10%      82,10%       -13,0% p.p.
Norte              13,6     100,00%      71,60%       -28,4% p.p.
Nordeste        73,0       93,50%      98,00%          4,5% p.p.
Médio-norte 868,5       97,40%      81,00%       -16,4% p.p.
Oeste           288,1       97,30%      51,00%       -46,3% p.p.
Centro-sul    107,0       94,50%      63,00%       -31,5% p.p.
Sudeste        400,5      93,80%       65,80%       -28,0% p.p.
Total          1.811,1      96,10%       72,50%       -23,6% p.p.
Fonte: Imea

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

MILHO: CONAB OFERTARÁ LEILÃO PEP DIA 12 E PEPRO DIA 19/8.

O próximo leilão de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) para milho, na quinta-feira (12), terá um volume de 1,23 milhão de toneladas e será o último da série iniciada em 27 de maio. A informação foi confirmada pelo coordenador geral da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Silvio Farnese, em entrevista à Agência Estado. Segundo Farnese, com esta oferta, o governo cumpre o objetivo de apoiar a comercialização de 12 milhões de toneladas do grão. "O resultado das operações está sendo satisfatório e já começamos a perceber uma melhora nos preços", afirmou.
Na próxima operação, Mato Grosso continuará a ter o maior volume: 800 mil toneladas. Goiás terá 140 mil t, e o Paraná ofertará 120 mil t. Em Mato Grosso do Sul o volume será de 80 mil t, em Minas Gerais a oferta será de 60 mil t e, em Rondônia, permanecerá o volume de 30 mil t. Depois do último leilão, o governo irá avaliar as operações e verificar como o mercado vai se comportar. "À medida que o milho for escoado, o preço vai reagir ainda mais", acredita Farnese.
Pepro - Os produtores de Mato Grosso e Goiás também serão contemplados com um leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), com volumes de 250 mil e 50 mil toneladas, respectivamente. O pregão deverá acontecer no dia 19 de agosto. De acordo com Farnese, os prêmios e a divisão de regiões serão mantidos. "Vamos realizar o leilão de Pepro para os produtores que têm condições de ofertar grandes volumes de uma única vez", disse.
Na próxima quinta-feira (12), também haverá leilão de Pepro para o Nordeste, continuando as operações que iniciaram em oito de junho. As ofertas serão a cada 15 dias, mas segundo Farnese, não há uma definição de quantos leilões ainda serão realizados. As mudanças previstas são o aumento do volume para Piauí, para 25 mil t ante 15 mil t, e prazo para comprovar a operação de 45 dias, atendendo à reivindicação do setor produtivo daquela região.
O mercado recebeu com entusiasmo a notícia de mais um leilão de PEP e de um Pepro para o Centro-Oeste. Um corretor do Paraná disse que isso será "ótimo", porque ainda há muitos interessados nas operações. Em Santa Catarina, o corretor Amarildo Baldissera da Águia Corretora, afirmou que, com o preço mais remunerador no porto e o prêmio ofertado, a exportação está favorecida. Os editais para os leilões foram divulgados no site da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

segunda-feira, 7 de junho de 2010

PERSPECTIVA: MERCADO DE GRÃOS INFLUENCIADO POR DÓLAR E CLIMA.

Os mercados de grãos negociados na Bolsa de Futuros de Chicago devem continuar reféns da volatilidade macroeconômico diante de um possível agravamento da crise na Europa. Depois da Grécia, agora é a Hungria o foco das atenções. Mais uma vez, diante da incerteza econômico, os ativos de maior risco são evitados e os investidores se concentram na aplicação segura: o dólar. Na sexta-feira, o dólar se valorizou de forma expressiva ao contrário das demais commodities.
O mercado de soja, mesmo se a oscilação do dólar permanecer forte, os preços devem encontrar um suporte, contudo, na atual oferta limitada de produto. Também deve continuar dando sustentação às cotações o fato de as chuvas esperadas para as regiões produtoras do Meio-Oeste norte-americano estarem atrasadas, o que pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras de soja e de milho.
O contrato futuro de soja para julho deve continuar acima do suporte técnico de US$ 9,20 durante a semana. Além do dólar forte, outro fator que pode pressionar as cotações de soja é a queda nas exportações da oleaginosa. Embora alguns analistas insistam que a queda nas exportações deve-se à redução atual na oferta, a questão da estocagem do grão está preocupando produtores. Na semana passada, as exportações de soja em grão ficaram 55% abaixo da média das últimas quatro semanas.
Suporte para as cotações também pode vir do fato de os exportadores argentinos estarem segurando a safra atual, na expectativa de melhores preços. Em vez de ser embarcada, a produção está indo para armazéns. Assim como a soja, os mercados de milho e trigo também devem continuar a ser influenciados pela volatilidade do dólar.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

GRÃOS: MINISTÉRIOS DISCUTIRÃO REGRAS P/LEILÕES DE COMERCIALIZAÇÃO.

Para tentar encerrar um impasse que se arrasta desde o começo do ano, os secretários executivos dos Ministérios da Agricultura e da Fazenda, Gerardo Fontelles e Nelson Barbosa, reúnem-se amanhã, a partir das 15 horas, para discutir os termos de uma portaria interministerial que definirá as regras para os leilões de apoio à comercialização da safra agrícola em 2010.
Se de um lado a Agricultura exige uma tramitação menos burocrática para realização de operações de apoio à comercialização, de outro, a Fazenda deseja tornar o processo mais eficiente do ponto de vista financeiro e resiste em conceder "carta branca" para a Agricultura organizar leilões sem o aval da área econômica. A reunião será no Ministério da Fazenda.

terça-feira, 30 de março de 2010

SOJA: EMBARQUES CRESCEM 20% E NAVIOS ESPERAM.

Os embarques de soja da safra 2009/10 devem superar a marca de 9 milhões de toneladas até 15 de abril na avaliação de uma agência marítima especializada no transporte de granéis. Trata-se de um crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o volume embarcado ficou próximo de 7,5 milhões de toneladas. A China é responsável por quase 90% dos carregamentos, ou 8 milhões de toneladas. Em toda a temporada passada, os chineses importaram cerca de 13 milhões de toneladas de soja do Brasil. "Se mantiverem essa voracidade, os embarques para a China fecharão a safra na casa dos 16 milhões de toneladas", projetou uma fonte do setor. Do total, cerca de 5 milhões de toneladas já foram carregadas até a última quinta-feira (25) e 4 milhões estão na programação dos navios. A fila das embarcações chega a 24 dias no porto de Santos (SP), 17 dias em Paranaguá (PR) e 14 dias em Tubarão (ES). "O movimento nos portos está muito intenso", afirmou a fonte. "A safra é muito grande, e precisa ser escoada. Só o Paraná tem 4 milhões de toneladas a mais do que no ano passado." Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher 67,56 milhões de toneladas de soja este ano, um recorde. Trata-se de um incremento de 18,2% em relação ao volume produzido no ano passado. Apesar disso, a Conab projeta um recuo de 7,5% nas exportações, para 26,4 milhões de toneladas.
A fonte lembrou que, este ano, o Brasil começou a exportar mais cedo por causa da colheita precoce. "Em fevereiro, o porto de Santos exportou quase 1,1 milhão de toneladas de soja. Isso é praticamente o dobro do que foi registrado no ano passado", afirmou. A antecipação dos trabalhos trouxe problemas, contudo. Segundo o agente, o excesso de chuvas nas últimas semanas prejudicou o ritmo dos embarques. "Em março, choveu o dobro do que é normal para esta época do ano. Nenhum dos portos brasileiros consegue carregar
navios nessas condições", observa.
Por outro lado, ele pondera que a situação ainda não se aproxima de um caos logístico. "O Brasil possui sérias deficiências em toda a cadeia logística, e não tivemos mudanças significativas nessa área nos últimos anos. O País precisa adotar algumas medidas urgentes para melhorar sua competitividade, mas ainda não vivemos uma situação de caos", assegura o agente.

sexta-feira, 26 de março de 2010

SOJA: COLHEITA AVANÇA MAIS RÁPIDO NO RS.

Apesar dos problemas causados pelo clima durante o plantio, a colheita de soja está surpreendendo pelo ritmo mais rápido que o habitual no Rio Grande do Sul. A Emater informou que a colheita atingiu 15% da área semeada (3,976 milhões de hectares) nesta semana. Nas últimas cinco safras, em média a colheita havia chegado a 8% da área cultivada nesta época do ano. A safra tem uma expressiva parcela de 30% que está pronta para a colheita. Se o clima permanecer favorável, a colheita poderá terminar antes do esperado no Rio Grande do Sul, observou a Emater. O órgão de extensão rural prevê produção de 9,337 milhões de toneladas na safra 2009/10, 11,2% acima do volume obtido no ciclo anterior.
Nos últimos cinco dias, o Estado voltou a ter chuvas mais intensas, mas que oscilaram muito entre as regiões. As chuvas trouxeram alívio às regiões norte e noroeste do Estado, onde há lavouras ainda em desenvolvimento e que sofriam com a falta de umidade. No acumulado do mês, também houve variações acentuadas. Santa Maria, na região central, teve volume 83% abaixo da média em março. Em Santa Vitória do Palmar, no extremo sul, a precipitação superou a média em 38%.

quinta-feira, 25 de março de 2010

BUNGE REESTRUTURA GESTÃO NO BRASIL.

A multinacional Bunge extinguiu os cargos de presidente da Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes, preparando a empresa para uma reestruturação na gestão administrativa da multinacional. Com a reformulação, o presidente da Bunge Fertilizantes, Mário Barbosa, e o presidente da Bunge Alimentos, Sérgio Waldrich, deixam suas funções executivas e passam a compor o Conselho de Administração da Bunge Brasil.
Procurado pela Agência Estado, o diretor corporativo de comunicação e sustentabilidade da Bunge, Adalgiso Teles, confirmou a informação. "As presidências da Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes serão unidas em um único cargo, o de presidente da Bunge Brasil, ocupado pelo ex-ministro Pedro Parente", informou o executivo. Segundo Teles, a reestruturação tirará o foco da gestão por empresas e focará nas áreas de negócios em que a Bunge está presente, de forma mais integrada e horizontal. A reestruturação já foi divulgada internamente para os executivos da empresa ontem e deverá ser divulgada oficialmente ao mercado nos próximos dias.
Com a reestruturação, na prática, as empresas Bunge Alimentos e Bunge Fertilizantes se transformam em áreas de negócios embaixo do guarda-chuva da Bunge Brasil, juntamente com outras áreas como Agribusiness, Açúcar e Bioenergia e América Latina. Estas áreas de negócios terão vice-presidentes específicos que se reportarão ao presidente Pedro Parente. Estes profissionais já fazem parte da equipe da Bunge. Na área de fertilizantes, a gestão será de Ariosto Riva. Gilberto Tomazoni segue na área de Alimentos e Ingredientes e, na área de Agribusiness, o responsável será Murilo Santana. O vice-presidente de Açúcar e Bioenergia será Martinho Mota. Ricardo Brito, que veio do Grupo Moema, será presidente do Conselho de Administração de Bioenergia e não ocupará um cargo executivo. A divisão de América Latina terá como vice-presidente Daniel Maldonado. Pedro Parente será o único executivo a se reportar ao CEO mundial da Bunge, Alberto Weisser.
Waldrich, da Bunge Alimentos, e Barbosa, da Bunge Fertilizantes, deixam suas funções executivas na empresa depois de serem responsáveis pela consolidação da presença da Bunge no Brasil. Há 37 anos na Bunge, Waldrich foi responsável, por exemplo, pela fortalecimento da divisão trigo com a incorporação da J. Macedo. O executivo também foi um dos principais responsáveis pelo crescimento da Bunge na área de agribusiness e no fortalecimento da rede logística da multinacional, além de tomar as primeiras iniciativas em direção ao setor de açúcar e bioenergia. Barbosa chegou na Bunge em 1980 com a missão de vender a Bunge Fertilizantes. Ao contrário de sua missão inicial, ao longo de 30 anos, fez este negócio crescer e se consolidar para, somente agora, ser vendido à Vale, em uma negociação que se encontra atualmente em andamento.

segunda-feira, 22 de março de 2010

PERSPECTIVA: INCERTEZA SOBRE SAFRA DEVE SUSTENTAR GRÃOS.

Os preços futuros dos grãos devem continuar firmes na Bolsa de Chicago (CBOT) ao longo desta semana. Analistas acreditam que as especulações relacionadas ao tamanho da área plantada com soja, milho e trigo na safra 2009/10 norte-americana devem sustentar o mercado até o dia 31, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga do levantamento com a intenção do plantio naquele país. A avaliação é de que fundos e especuladores, que apostaram na queda dos preços dessas commodities,devem cobrir posições antes do relatório com o objetivo de minimizar seus riscos. Na sexta-feira, a Informa Economics revisou suas estimativas para o próximo plantio. Os analistas da consultoria apontaram que a área de soja vai atingir 78,63 milhões de acres (31,82 milhões de hectares), ante 77,9 milhões de acres (31,52 milhões de hectares) estimados em janeiro. No ano passado, os produtores plantaram 77,5 milhões de acres (31,36 milhões de hectares) de soja, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Já a área de milho foi estimada em 88,42 milhões de acres (35,78 milhões de hectares), ante 89,6 milhões de acres (36,26 milhões de hectares) na leitura de janeiro. O USDA afirmou que 86,5 milhões de acres (35,0 milhões de hectares) de milho foram plantados no ano passado. A Informa informou ainda que a área plantada com trigo chegará a 53,65 milhões de acres (21,71 milhões de hectares), ante 59,13 milhões de 2009 (23,93 milhões de hectares).
Em resumo, os produtores norte-americanos devem plantar mais soja e milho e menos trigo, na comparação com a safra 2009/10. Apesar da expectativa de aumento na área plantada nos Estados Unidos, os preços da soja tem se mantido sustentados pela ideia de que os estoques norte-americanos encerrarão a temporada em níveis bastante apertados, o que diminui consideravelmente o espaço para perdas na próxima safra. A relutância dos produtores brasileiros em vender e o bom desempenho das exportações dos Estados Unidos apenas aumentam a pressão sobre os estoques locais. No mercado de milho, a preocupação é de que o derretimento tardio da neve nos Estados Unidos provoque alagamentos e atrase o início do plantio em algumas regiões. Isso levaria mais produtores a optar pelo cultivo da soja, em detrimento do cereal. Ou seja, a área plantada na safra 2010/11 pode ser menor do que a estimativa a ser divulgada pelo USDA no próximo dia 31.

sexta-feira, 19 de março de 2010

CHINA SERÁ PRINCIPAL DESTINO DAS EXPORTAÇÕES,

A China deverá recuperar novamente a liderança como destino das exportações mensais do País nos próximos meses, após perder o posto para os Estados Unidos desde outubro do ano passado, segundo acredita o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Segundo ele, o mercado norte-americano não deverá acompanhar o aumento esperado de 11% para as vendas externas brasileiras este ano. Além disso, o executivo explica que a posição de líder da China nos resultados mensais das vendas externas, conquistada em abril de 2009, só foi perdida a partir do quarto trimestre do ano passado por causa da redução dos embarques de soja, que deverão ser retomados com mais força agora, quando sazonalmente aumentam as vendas externas do produto.
De acordo com Augusto de Castro, os números mostram claramente a "estagnação" no comércio entre Brasil e Estados Unidos desde o início do governo Lula. Segundo ele, enquanto em 2002, um ano antes do novo governo, os EUA eram destino de 25% das exportações do País, em 2009 a fatia tinha caído para 10%. Além disso, enquanto em 2009, em relação a 2002, as exportações totais do Brasil tinham aumentado 153%, as vendas com destino aos EUA subiram apenas 1,5%. Ainda segundo Augusto de Castro, como "nada mudou" em relação às promoções comerciais do Brasil para os Estados Unidos nos últimos meses e a crise econômica que ainda assombra a economia americana prossegue, ainda que em escala mais branda, a China vai retomar logo o posto de líder como destino das vendas externas brasileiras, como ocorreu entre abril e setembro do ano passado e no acumulado de 2009. Ele lamenta que o governo brasileiro não esteja investindo em promoções comerciais junto ao mercado dos EUA que, de acordo com ele, acumula cerca de US$ 2 trilhões anuais em importações. É um super mercado. A China compra basicamente nossas commodities, enquanto nos Estados Unidos haveria mais oportunidades para manufaturados, se houvesse maior manifestação de interesse em elevar o comércio com o país", afirmou. Segundo ele, com o câmbio atual, as empresas brasileiras produtoras de manufaturados estão sem condições de competir com os produtos chineses no mercado americano. Augusto de Castro ressalta que, além da perda de espaço nos Estados Unidos, o Brasil está também mudando a pauta de exportações para aquele destino, de manufaturados para commodities.
No primeiro bimestre de 2010, os principais produtos exportados para os Estados Unidos foram petróleo, café, ferro, calçados e partes de motores de automóveis. No caso da China, a lista inclui minério de ferro, petróleo, soja, óleo de soja e ferro-liga, entre outros. Para se ter ideia do potencial de crescimento da participação chinesa no total das exportações brasileiras nos próximos meses, vemos que, enquanto no primeiro bimestre deste ano as vendas de soja em direção aquele país totalizaram US$ 95,5 milhões em valor, somente em abril de 2009, por exemplo, quando a China tomou a dianteira no destino das vendas externas do Brasil, totalizavam dez vezes mais, ou US$ 961 milhões.

segunda-feira, 15 de março de 2010

MATO GROSSO COLHE SAFRA RECORDE, COM RENDA MENOR.

Um estudo divulgado pelo Ministério da Agricultura reforça as previsões pessimistas dos produtores rurais de Mato Grosso sobre a perspectiva de queda na rentabilidade do setor nesta safra. Segundo as projeções da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, apesar da previsão de colheita da maior safra de grãos da história, o valor da produção agrícola em Mato Grosso neste ano terá uma queda de 7,6% em relação ao ano passado e de 17% comparativamente aos resultados de 2008. A soja, que é o carro-chefe, com 66% do valor da produção da agricultura do Estado, deve apresentar uma queda de 3% na renda, mesmo com o aumento de 5,6% no volume a ser colhido, que pelas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve atingir 18,9 milhões de toneladas. O algodão, que é o segundo produto de destaque, com 16% do valor da produção, deve apresentar uma queda de renda de 11,8% em 2010. A renda do milho deve cair 15%, do arroz 17% e do feijão 62%. Com a baixa rentabilidade prevista para esta safra, o fantasma do endividamento volta a assombrar os produtores rurais, que esperavam melhores condições neste ano para renegociar seus débitos. A Federação de Agricultura de Mato Grosso estima que as dívidas do setor rural somam R$ 10 bilhões e que serão necessários dez anos para quitar o saldo devedor. Dados apurados pelo setor junto ao Ministério da Fazenda mostram que os agricultores de Mato Grosso devem cerca de R$ 1,906 bilhão em custeios prorrogados, mais R$ 1,396 bilhão no Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO)e outros R$ 43,8 milhões entre dívidas já renegociadas. Também existem débitos de renegociações antigas, como a securitização (R$ 1,204 bilhão), Pesa (R$ 1,332 bilhão), Prodecer (R$ 200 milhões) e Funcafé (R$ 2,451 milhões), além de dívida ativa com a União que chega a R$ 700 milhões.Uma das principais reclamações do setor diz respeito às dívidas feitas na aquisição de máquinas, cujo montante não foi divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que repassa os recursos para os bancos das montadoras. Os juros dos financiamentos contraídos em 2003 e 2004, cujas parcelas foram adiadas nos últimos anos, devem elevar as dívidas em 250% até o vencimento em 2017, segundo cálculos do senador Gilberto Goellner (DEM-MT). A baixa rentabilidade da agricultura, em ano de eleições, pode resultar numa nova onda de renegociação das dívidas no campo.

CÂMBIO PREVISÃO PARA FIM DE 2010 A R$ 1,81.

O mercado manteve todas as previsões para o câmbio em 2010 e em 2011. De acordo com a pesquisa Focus apresentada hoje pelo Banco Central, a mediana das previsões para a cotação da moeda norte-americana ao final deste ano seguiu em R$ 1,81. Quatro semanas atrás, a estimativa era de R$ 1,80. Para 2011, a previsão para a taxa de câmbio no fim do ano que vem manteve-se em R$ 1,85. Há um mês, as estimativas dos analistas estavam em iguais R$ 1,85. A mediana das previsões para a taxa média de câmbio no decorrer de 2010 permaneceu em R$ 1,83. Para 2011, a estimativa de dólar médio foi mantida em R$ 1,84. Quatro semanas antes, analistas previam taxa média de R$ 1,83 para os dois anos.

Depois da experiência gerada pela crise internacional no final de 2008, o Ministério da Fazenda cada vez mais procura monitorar e identificar claramente quais os fatores que levam à valorização do real ante o dólar. Segundo uma fonte próxima ao ministro Guido Mantega, a partir dessa análise mais acurada que a política econômica deve ser acionada, com o intuito de evitar distorções no mercado e suavizar tendências no câmbio.Essa fonte lembrou que, em 2008, o dólar atingiu a marca de R$ 1,55, o que, em sua visão, ocorreu por conta da disseminação de operações com "derivativos tóxicos" no mercado de câmbio. Quando a crise estourou e elevou o dólar, essas operações, que não foram previamente identificadas, provocaram graves perdas para grandes empresas como Sadia e Aracruz, entre outras, e realimentaram a escalada do dólar contra o real. A visão da Fazenda hoje, mais do que se preocupar com o nível da taxa de câmbio, é de prevenir situações desse tipo ou similares, como um excesso de fluxo de dólares para ganhar com arbitragem de taxa de juros - o que ficou claro com a taxação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de dólares para renda fixa e ações. Também há uma preocupação da Fazenda com a tendência de valorização da moeda brasileira. Esse integrante do governo avalia que o mercado, desde a instituição do IOF no final do ano passado, tem trabalhado com um "piso" de R$ 1,70 e, por isso, dificilmente o dólar cairia abaixo desse valor. Mas a intenção não é atuar para desvalorizar o real, porque uma moeda depreciada também gera custos para a economia, e também não é trabalhar com um câmbio fixo, que já gerou diversas crises no Brasil. "A arte é fazer uma administração para suavizar tendências e, mais que isso, evitar distorções indevidas. Mas não tem fórmula pronta para isso", disse. A fonte pondera também que, embora seja um elemento importante, o câmbio não deve ser visto como uma panaceia, que vai resolver todos os problemas do setor exportador. "O câmbio não é solução de tudo", disse, explicando que é preciso atacar problemas de ordem tributária e também melhorar a condição de crédito para o exportador - nesse último caso, cita os estudos do governo para criação de um Eximbank, que vai ajudar especialmente as pequenas e médias empresas a exportar.
Além disso, a fonte tenta desmistificar a tese de que o Brasil está se tornando um mero exportador de produtos primários. Mesmo porque, explica, a queda na participação dos manufaturados nos últimos anos teria mais a ver com a expansão mais acelerada dos bens primários e não com uma queda real nas vendas de manufaturados.
Nesse sentido, a fonte destaca que é um erro tratar a exportação de produtos agrícolas como a soja, que cresceu muito nos últimos anos, como algo sem valor agregado. Segundo a fonte, a soja brasileira é produzida com os maiores níveis de produtividade do mundo, fruto de 50 anos de investimentos em tecnologia liderados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "Isso não quer dizer que não se deva trabalhar para aumentar as exportações de bens de maior tecnologia. Mas nesse caso, deve-se trabalhar em tributos. Não é o câmbio sozinho que vai resolver o problema", disse.
Sobre as críticas à continuidade da política de acumulação de reservas internacionais, por conta do custo fiscal que ela gera, a fonte esclareceu que a lógica do governo é: o nível das reservas depende do fluxo de dólares para o País e que vale a pena fazer esse seguro contra crises.

quinta-feira, 11 de março de 2010

MILHO- NÃO HÁ HIPÓTESE DE REDUÇÃO DO PREÇO MÍNIMO.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou categoricamente, que não haverá diminuição do preço mínimo do milho."Não há nenhuma hipótese de redução do preço", garantiu. "Reduzir o preço mínimo do milho seria uma irresponsabilidade", avaliou. Ele argumentou que os estoques - públicos e privados - não chegam a 90 dias de consumo e que o grão é essencial para a atividade de carnes suínas, de aves e até da pecuária de confinamento. No último dia 25, a Agência Estado apurou que o Ministério da Fazenda pressionaria o Ministério da Agricultura a reduzir, ainda este ano, os preços mínimos de alguns produtos cujos valores de referência são considerados elevados na comparação com as cotações de mercado. Se isso ocorrer, será a primeira vez que se verificará uma redução do preço mínimo, desde a criação do instrumento. O milho está na lista da Fazenda, ao lado de trigo e feijão.
Hoje, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Milho (Abimilho), Nelson Kowalski, defendeu a diminuição, alegando que, com o preço menor, o produtor se sentirá desestimulado a plantar, o que reduzirá a oferta do produto no mercado. O atual Plano Safra estipulou o preço mínimo do milho em R$ 13,98 (saca de 60 quilos em Mato Grosso)."É preferível haver excedente de milho a correr o risco de diminuir a produção e faltar produto", disse Stephanes. "Se isso ocorrer, com certeza o preço vai lá para cima", acrescentou. Sem dar detalhes a respeito do volume da operação, o ministro disse ser "possível" a realização de Aquisição do Governo Federal (AGF) de milho.

quinta-feira, 4 de março de 2010

SAFRA 2019/20- SOJA E MILHO AVANÇA EM MATO GROSSO.

A produção mato-grossense de milho e soja deverá crescer, até 2020, 94,3% e 55,6%, respectivamente. As projeções são do Ministério da Agricultura, e fazem parte de pesquisa realizada pela Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) que aponta cenários de produção, participação no mercado mundial e dados regionais de 23 produtos da pauta agropecuária do País.
Na safra 2008/2009, o cultivo de milho em Mato Grosso era de 8,08 milhões de toneladas e passará, em 2019/2020, para 17,7 milhões de toneladas. A soja, por sua vez, sairá de 17,9 milhões de toneladas para 27,9 milhões de toneladas. A área de soja em Mato Grosso deverá ocupar mais 2,46 milhões de hectares, quase metade da expansão do cultivo da commodity no Brasil, que deverá crescer 5 milhões de hectares em 10 anos. O coordenador da pesquisa, José Garcia Gasques, explica que os motivos desse desenvolvimento no Estado serão as novas áreas e a introdução da soja em superfícies de pastagens degradadas. No Paraná, a soja deve ganhar aproximadamente 1 milhão de hectares e o Rio Grande do Sul deve manter a área quase inalterada. No Paraná, a produção de milho indica possível incremento de 50,2%. Em 2008/2009, o resultado foi de 11,1 milhões de toneladas e as projeções indicam que passará a 16,7 milhões, na safra 2019/2020. De acordo com as estimativas, o crescimento da área no Estado sulista será de 17%, saindo de 2,78 milhões de hectares para 3,25 milhões de hectares. Minas Gerais deve registrar aumento de 32,9% na quantidade produzida, passando de 6,45 milhões de toneladas para 8,57 milhões. A produção mineira, no entanto, terá a área reduzida em 7%, caindo de 1,28 milhão para 1,18 milhão.
As projeções para 2020 mostram que o Estado de São Paulo deverá expandir a produção de cana-de-açúcar em 50,3%, passando de 400,5 milhões de toneladas em 2008/09 para 602 milhões em 2019/2020. Por sua vez, a área com cana nesse estado deve expandir-se em 46%: deverá passar de 4,7 milhões de hectares em 2008/2009 para 6,8 milhões em 2019/2020. O estudo destaca a cana-de-açúcar, que vem crescendo em Estados sem tradição no cultivo, como Paraná, Mato Grosso e Minas Gerais. Esse último deve registrar incremento de 75% na cultura, passando de 56 milhões de toneladas, obtidas na safra 2008/2009, para 98,15 milhões, em 2019/2020.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

MT- PRODUTORES AUMENTAM ÁREA DE MILHO SAFRINHA.

Os produtores de Mato Grosso parecem desafiar a lógica. A área plantada com milho no Estado vai aumentar em 136 mil hectares (+8,1%) em relação a safra passada, apesar de uma série de fatores, como as dificuldades enfrentadas na safra anterior com a falta de armazéns no pico da colheita; os altos estoques remanescentes que ainda não foram escoados; e os baixos preços atuais que, numa época que poderia ser considerada entressafra, estão distantes do valor mínimo de garantia estabelecido pelo governo. O levantamento de intenção de plantio de fevereiro, divulgado ontem pelo Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostra que a área de milho safrinha deve atingir 1,811 milhão de hectares, ante os 1,774 milhão de hectares estimados em janeiro (+5,9%) e os 1,704 milhão de hectares previstos em dezembro (+1,7%). Em novembro do ano passado, em plena crise para escoamento da produção, muitos produtores sinalizavam com uma redução em relação aos 1,675 milhão de hectares cultivados na safra 2008/09. Um dos fatores que levou ao aumento do cultivo do milho safrinha foi a antecipação da colheita da soja nesta safra, que nesta semana atingiu 3,061 milhão de hectares, que corresponde a 50% da área cultivada, bem acima dos 35% observados em igual período do ano passado. Em termos absolutos, levando em conta também a expansão da área, a colheita está 1 milhão de hectares mais adiantada, o que favorece o plantio do milho, que tem um período determinado para ser semeado.
A explicação para as apostas no milho safrinha está na necessidade do agricultor de otimizar toda infraestrutura de maquinários da propriedade, com o cultivo de uma segunda safra após a soja. A tecnologia permite aos produtores obter uma das melhores produtividades no País. Há 20 anos as lavouras de milho produziam 40 sacas por hectare e, no ano passado, a média estadual ficou em 84 sacas por hectare, favorecida por um clima excepcional, que não deve se repetir este ano. Tanto que o Imea prevê uma queda de 10% na produtividade, para 76 sacas por hectare. Outro motivo que leva os produtores a plantar o milho é a confiança de que o governo continuará dando suporte à comercialização, principalmente com subvenção ao custo do transporte, para tornar viável o escoamento da produção. Como as regiões produtoras de Mato Grosso ficam distantes dos centros consumidores, o frete corresponde a 70% do preço final do cereal posto no destino.

SOJA: PARANÁ DEVE COLHER 13,6 MILHÕES DE TONELADAS

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) elevou sua estimativa para a produção de soja do Estado. De acordo com relatório divulgado, os agricultores devem colher uma safra recorde de 13,6 milhões de toneladas, ante 13,3 milhões na previsão anterior - o recorde anterior é de 11,8 milhões de toneladas, em 2008. O volume representa um crescimento de 46% em relação à colheita do ano passado, de apenas 9,32 milhões de toneladas. De acordo com os números mais recentes, a área plantada cresceu 10%, para 4,4 milhões de hectares, ante 4,01 milhões de hectares na safra 2008/09. Em relação à produtividade, a expectativa é de que sejam colhidos 3.093 quilos por hectare, um salto de 33% ante o rendimento da safra passada, que somou apenas 2.323 quilos por hectare por causa da forte estiagem.
Segundo Otmar Hubner, agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Seab, os bons resultados apurados neste início de colheita motivaram o órgão a rever para cima as estimativas da safra 2009/10. "Até agora, a produtividade média é de 3.300 quilos por hectare", revela. Segundo ele, a média ainda pode baixar devido à ocorrência de problemas com doenças como a ferrugem asiática e o mofo branco. "Tudo vai depender de como vai se comportar o clima daqui para frente. Somos bastante conservadores", afirma.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

MATO GROSSO PREVÊ MENOR RENTABILIDADE DA SOJA EM 3 ANOS.

A rentabilidade da soja na safra 2009/10 deve ser a menor dos últimos três anos. A expectativa é do presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Glauber Silveira. Ele acredita que o produtor que conseguir colher 50 sacas de soja por hectare nesta safra estará empatando com o custo de produção, que foi menor em virtude da queda de preços dos fertilizantes. Silveira diz que a economia nos gastos com adubo foi anulada em parte pelo aumento dos gastos com o controle da ferrugem, pois a média de aplicações aumentou nesta safra, passando de duas e meia para até quatro aplicações de fungicida. Outro fator que corrói as margens do agricultor é o frete. No caso da soja com origem em Sorriso, o frete até Paranaguá teve leve alta de 2,7% em reais em relação ao início da safra passada (de R$ 185/t em fevereiro/09 para os atuais R$ 190/t). Em virtude da queda de 37% no preço do grão (de R$ 39,50/saca em fevereiro/09 para os atuais R$ 25,50/saca), o peso do transporte no preço final da commodity passou de 28% para 46%. No ano passado, de cada 50 sacas produzidas por hectare, o produtor de Sorriso gastava 14 sacas para transportar a soja até Paranaguá, levando em conta o valor do frete deduzido pelas tradings nos cálculos dos preços com base na paridade de exportação em relação às cotações na Bolsa de Chicago.Nesta safra, o frete equivale a 22 sacas de soja. Além da questão do estreitamento das margens, a Aprosoja prevê uma redução na produtividade da oleaginosa.
Nos levantamentos de campo junto aos dirigentes regionais da entidade e produtores rurais, a Aprosoja constatou que o rendimento deve ficar na faixa dos 49 sacas por hectare, por causa da incidência da ferrugem e do excesso de chuva que atrapalhou a colheita em janeiro e na primeira quinzena deste mês. Silveira diz que algumas tradings estão relutando em receber lotes de soja com altos porcentuais de grãos ardidos por causa do excesso de umidade. Dados mais concretos estarão disponíveis nos próximos dias, pois na próxima quinta-feira (25) o Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgará mais uma estimativa de safra da soja e a partir de hoje duas equipes do Rally da Safra percorrem ao longo da semana os principais polos agrícolas de Mato Grosso para vistoriar o avanço da colheita e mensurar, por amostragem em campo, a produtividade das lavouras.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

SOJA: ROYALTY ANULA COMPETITIVIDADE DE OGMS.

O custo para se combater ervas daninhas nas lavouras de soja transgênica, resistente ao herbicida glifosato, foi menor do que em plantações convencionais este ano, aponta estudo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Se na safra 2008/09 o manejo da soja tradicional era 23% mais barato, na safra 2009/10 ele custou, em média, 108,5% a mais do que o da soja geneticamente modificada. No entanto, os ganhos do sojicultor que plantou transgênicos foram praticamente anulados pelo pagamento dos direitos de patente da tecnologia. A maior competitividade dos organismos geneticamente modificados (OGMs) deve-se principalmente ao comportamento distinto dos preços dos herbicidas, o agrotóxico usado no controle das plantas invasoras. Entre abril e agosto do ano passado, quando os agricultores fecharam a compra desse produto, o preço do glifosato havia caído 40% na média de todas as regiões pesquisadas pelo Cepea. A queda foi bem superior à observada em relação aos concorrentes clorimuron e lactofen, que recuaram 17,5% e 7,7%, respectivamente. Além disso, os herbicidas usados para o controle de folhas estreitas, como o haloxifop-p-metil e cletodim, ficaram mais caros, o que neutralizou parcialmente a queda dos preços dos herbicidas utilizados na primeira pulverização das lavouras convencionais. Com isso, o custo de se controlar o surgimento de plantas daninhas em lavouras convencionais foi até 176% maior em Cascavel, no Paraná, 121,6% em Dourados, em Mato Grosso do Sul, 104,8% em Rondonópolis, em Mato Grosso, e 88,9% na cidade goiana de Rio Verde. Contudo, tamanha vantagem é praticamente anulada quando se contabiliza o pagamento do royalty na comercialização do grão. Em Cascavel, por exemplo, o custo operacional médio da safra foi de R$ 1.196 por hectare, no caso da soja transgênica, e R$ 1.141,90 por hectare, na soja convencional - uma vantagem de 4,8% para a convencional, conforme cálculos do Cepea. "Portanto, a expressiva queda do glifosato na safra 2009/10 não foi suficiente para reduzir o custo operacional da soja transgênica", conclui o Centro. Mesmo assim, a maior parte dos produtores optou por semear a soja geneticamente modificada pelas vantagens agronômicas que proporciona. Segundo o Cepea, os transgênicos garantem ao agricultor mais tempo para fazer o manejo das ervas daninhas depois que as plantações emergem. Além disso, o glifosato é mais eficaz que outros herbicidas no combate a algumas plantas invasoras.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

IMPOSTO/IMPORTAÇÃO DE ETANOL É MANTIDO EM 20%

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, informou que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) retirou de pauta a discussão sobre a redução da alíquota do imposto de importação do etanol e que, por isso, a alíquota de 20% será mantida até junho. O ministro disse que "é bem provável" que a alíquota seja reduzida para zero a partir de julho. Segundo Stephanes, a redução da alíquota, se votada agora, não teria influência no mercado doméstico. Ele explicou que a safra de cana começa a ser colhida em março e até que alguma empresa importe o etanol, o país já teria álcool suficiente. Ele disse acreditar que o mercado de álcool já deve se regularizar a partir de abril e, com isso, os preços devem baixar. Conforme o ministro, a Camex deve colocar o assunto em pauta novamente na reunião de junho. Stephanes disse também que a alíquota do imposto de importação do etanol tem validade de seis meses e terminaria em junho. Para o ministro, a redução da alíquota é mais uma medida diplomática para pressionar os Estados Unidos a baixar também a sua alíquota do etanol.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

SOJA: DEMANDA DEVE REVERTER VIÉS DE BAIXA.

A demanda pela soja deve reverter o viés de baixa dos preços da commodity diante da previsão de safras
recordes do grão em 2010, avaliou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli. "Espero que seja só um viés e que não se concretize", disse o executivo. Segundo ele, a sustentação do mercado este ano virá principalmente do forte consumo chinês, em torno de 42 milhões de toneladas e do mercado europeu.Analistas que apostam na perspectiva de baixa nos preços internacionais da soja justificam a posição com as grandes safras dos Estados Unidos, de 93 milhões de toneladas, do Brasil, entre 65 e 66 milhões de toneladas, e da Argentina, de 51 milhões de toneladas. "A China deve sustentar o mercado e a Europa ajudará, mantendo um volume alto de importação", disse Lovatelli. "Mas haverá, sim, um estoque de passagem grande para a próxima safra", completou.
Sobre a safra brasileira, o presidente da Abiove já contabiliza como certas as 18,7 milhões de toneladas em Mato Grosso, onde a colheita avança, mas prevê possíveis perdas no Paraná e em São Paulo, em decorrência dos problemas climáticos.Se não houver perdas de safra, os estoques mundiais de passagem devem atingir a marca de 59,8 milhões de toneladas, de acordo com o último relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Trata-se do segundo maior volume da história ficando atrás apenas das 62,65 milhões de toneladas registradas ao fim da temporada 2006/07.
Por outro lado, o consumo total mundial deve ultrapassar a marca de 234 milhões de toneladas este ano e bater recorde. Por isso, o crescimento do volume armazenado não deve garantir um conforto muito maior em relação à demanda. De acordo com os números do USDA, os estoques não devem responder por mais do que 25% do consumo global de soja. Embora ligeiramente maior do que o observado na média da última década (22%), o porcentual ainda é inferior ao observado na temporada 2006/07 (28%) e semelhante ao da safra 2005/06.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

CÂMBIO ANIMA AGRONEGÓCIO, MAS PREÇO ANULA RECUPERAÇÃO.

A reação do câmbio anima o agronegócio, que vê maior competitividade na exportação. Entretanto, os efeitos da alta recente do dólar ainda não foram sentidos ou acabaram anulados pela queda de preço das commodities em janeiro. É o caso do café e da soja. Para alguns setores, como o de carnes, o dólar - que chegou a R$ 1,89 e hoje caiu a R$ 1,83 - ainda não é o ideal. "Com a taxa de câmbio acima de R$ 2,00, você começa a ter uma reação mais significativa, até psicológica", diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Gianetti da Fonseca.
Para o setor exportador de café, a alta cambial foi anulada pela queda das cotações dos contratos futuros na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Ao longo do mês passado, a moeda norte-americana apresentou valorização de 8%. No mesmo período, porém, o contrato futuro de café para março, o mais negociado, teve queda de 7%, recuando de 141,85 cents por libra-peso para 131,70 cents por libra-peso. A pesquisa semanal Focus, do Banco Central, mostra que a mediana das previsões para a taxa média de câmbio no decorrer de 2010 é de R$ 1,78. Principal item da pauta de exportação do agronegócio, a soja tem os preços pressionados no mercado interno. Na Bolsa de Chicago onde se forma o preço de referência internacional da commodity, os contratos futuros da oleaginosa para entrega em maio caíram mais de US$ 1,20 (-12,2%) em janeiro, para US$ 9,24 o bushel ou US$ 20,3 a saca de 60 quilos.Os preços domésticos da soja desabaram, em média, 15% nas principais praças de negociação.
O analista Leonardo Menezes, da consultoria mineira Céleres, afirma que há um efeito gangorra no mercado da oleaginosa. "De um lado, o dólar sobe e ajuda a sustentar os preços domésticos. Do outro, os preços internacionais caem e exercem um efeito contrário", explica. A pressão sobre as cotações internas é agravada pelo início da colheita de uma safra recorde no Brasil. "Embora ainda positivos, os prêmios pagos ao produtor estão se deteriorando diante da expectativa de uma oferta realmente grande", observa.
Steve Cachia, analista da corretora paranaense Cerealpar, reforça: "Não fosse a reação do dólar, mercado interno teria sido ainda mais afetado", assegura. O analista também chama a atenção para o fato de que as razões que levaram o dólar a se valorizar foram as mesmas que ajudaram a derrubar os preços internacionais de várias commodities, o que contribuiu para anular os efeitos positivos de um câmbio mais fraco no Brasil. "É claro que a produção recorde pesa, mas a queda da soja em Chicago também é o resultado de um movimento da maior aversão ao risco entre os investidores", observa Cachia. "Se fizermos uma correlação, veremos que ações, commodities e moedas de países emergentes caíram, e apenas o dólar subiu em janeiro. Os analistas não acreditam que, por ora, o movimento do câmbio tenha efeito significativo sobre as exportações do grão.
O analista especializado no setor de alimentos Rafael Cintra, da Link Investimentos, ressalta a importância da estabilidade da taxa de câmbio para as exportações de carnes. "A volatilidade do câmbio é o que mais prejudica os exportadores, que não conseguem repassar o movimento do dólar para os preços internacionais com rapidez. Fica difícil o planejamento. Mas, se a taxa de câmbio permanecer no patamar atual, poderá provocar algum efeito positivo sobre as exportações mais para frente", afirma. Para o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, "o câmbio ao redor de R$ 1,85 não é nada extraordinário, mas é melhor do que o R$ 1,70 anterior e pode ajudar na retomada das exportações".
A analista Lygia Pimentel, da Scot Consultoria, diz que o principal fator de influência sobre as vendas externas de carnes é a recuperação da economia internacional, que estimula a demanda, mas destaca que o câmbio pode ter alguma influência positiva. "O dólar mais valorizado tende a ajudar, pois torna a carne brasileira mais competitiva, mas não é o principal fator de estímulo às exportações. Se a demanda aumentar de forma significativa, os importadores vão procurar o Brasil, independente do câmbio. Não tem mais como fugir da carne brasileira", afirma.

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