Os preços futuros da soja subiram hoje na Bolsa de Chicago. Os contratos de maio, terminaram o pregão cotados a US$ 9,30 por bushel, em alta de 4,50 cents ou 0,49%. Segundo analistas, o mercado recuperou-se com base em fundamentos do mercado norte-americano e no esgotamento do movimento de vendas da semana passada. Os ganhos foram limitados, contudo, pela alta do dólar e o recuo do petróleo. "O mercado encontrou uma área de valor e continua a se sustentar acima das mínimas de fevereiro. O aperto nos estoques domésticos dá suporte, embora os estoques mundiais sejam elevados, a previsão é de que os estoques de passagem americanos fiquem abaixo de 200 milhões de bushels esse ano. Além disso, o resultado do esmagamento de soja em fevereiro ficou acima do esperado, o que animou o mercado.
Segundo relatório divulgado hoje pela Associação Nacional dos Processadores dos Estados Unidos, as indústrias norte-americanas processaram 4,04 milhões de toneladas em fevereiro, contra 4,42 milhões de toneladas no mês anterior e 3,5 milhões de toneladas em igual período de 2009. De todo modo, o cenário ainda é baixista para o mercado de soja. O avanço da colheita na América do Sul e as preocupações relacionadas à demanda futura da China pesam sobre as cotações.
segunda-feira, 15 de março de 2010
SOJA: CHICAGO FECHA COM PEQUENA ALTA COM FUNDAMENTOS DOS EUA.
MILHO/IMEA: PLANTIO DA SAFRINHA FINALIZADA EM MATO GROSSO.
O plantio do milho safrinha está praticamente concluído em Mato Grosso, conforme o levantamento semanal divulgado hoje pelo Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea). As boas condições climáticas favoreceram o avanço do plantio ao longo da semana passada. Até agora foram semeados 99,1% dos 1,811 milhão de hectares de milho previstos para esta safra. Na mesma época do ano passado 90,3% da área estava cultivada. Segundo o Imea, o mercado na semana passada manteve a tendência de baixa, com baixo volume de negócios. A melhor indicação de preços do milho dos últimos dias foi reportado em Alto Araguaia, a R$ 10,80/saca, valor oferecido por empresas menores. Os preços indicados em Sorriso pelos compradores não superaram R$ 6,50/saca, sendo que a expectativa dos vendedores é de no mínimo R$ 8,90/saca. Em Rondonópolis os preços na semana se mantiveram estáveis, na faixa de R$ 9,50/saca, sem comentários sobre negócios. Em relação à projeção divulgada pelo Imea sobre a perspectiva de crescimento de 95% na produção mato-grossense de milho nos próximos dez anos, os técnicos da instituição argumentam que a confirmação desta tendência depende da expansão dos segmentos de suínos e aves. O Imea prevê crescimento de 180% na suinocultura e 137% na avicultura de Mato Grosso nos próximos dez anos. "O milho é um produto de baixo valor agregado e o impacto dos custos de armazenamento e transporte são grandes, ou seja, precisamos criar um forte mercado interno para garantir o desenvolvimento sustentável desta cadeia", dizem os técnicos.
EVOLUÇÃO DO PLANTIO DO MILHO SAFRINHA EM MATO GROSSO
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ÁREA (HA) 10-03-09 11-03-10 VARIAÇÃO
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Noroeste 80.150 81,6% 99,5% 17,9%
Norte 8.700 98,0% 100,0% 2,0%
Nordeste 71.000 98,1% 100,0% 1,9%
Médio-norte 853.000 98,9% 98,8% -0,1%
Oeste 283.900 93,0% 99,4% 6,4%
Centro-sul 96.000 91,6% 99,7% 8,1%
Sudeste 418.400 74,0% 99,1% 25,1%
Mato Grosso 1.811.150 90,3% 99,1% 8,8%
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CÂMBIO PREVISÃO PARA FIM DE 2010 A R$ 1,81.
O mercado manteve todas as previsões para o câmbio em 2010 e em 2011. De acordo com a pesquisa Focus apresentada hoje pelo Banco Central, a mediana das previsões para a cotação da moeda norte-americana ao final deste ano seguiu em R$ 1,81. Quatro semanas atrás, a estimativa era de R$ 1,80. Para 2011, a previsão para a taxa de câmbio no fim do ano que vem manteve-se em R$ 1,85. Há um mês, as estimativas dos analistas estavam em iguais R$ 1,85. A mediana das previsões para a taxa média de câmbio no decorrer de 2010 permaneceu em R$ 1,83. Para 2011, a estimativa de dólar médio foi mantida em R$ 1,84. Quatro semanas antes, analistas previam taxa média de R$ 1,83 para os dois anos.
Depois da experiência gerada pela crise internacional no final de 2008, o Ministério da Fazenda cada vez mais procura monitorar e identificar claramente quais os fatores que levam à valorização do real ante o dólar. Segundo uma fonte próxima ao ministro Guido Mantega, a partir dessa análise mais acurada que a política econômica deve ser acionada, com o intuito de evitar distorções no mercado e suavizar tendências no câmbio.Essa fonte lembrou que, em 2008, o dólar atingiu a marca de R$ 1,55, o que, em sua visão, ocorreu por conta da disseminação de operações com "derivativos tóxicos" no mercado de câmbio. Quando a crise estourou e elevou o dólar, essas operações, que não foram previamente identificadas, provocaram graves perdas para grandes empresas como Sadia e Aracruz, entre outras, e realimentaram a escalada do dólar contra o real. A visão da Fazenda hoje, mais do que se preocupar com o nível da taxa de câmbio, é de prevenir situações desse tipo ou similares, como um excesso de fluxo de dólares para ganhar com arbitragem de taxa de juros - o que ficou claro com a taxação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de dólares para renda fixa e ações. Também há uma preocupação da Fazenda com a tendência de valorização da moeda brasileira. Esse integrante do governo avalia que o mercado, desde a instituição do IOF no final do ano passado, tem trabalhado com um "piso" de R$ 1,70 e, por isso, dificilmente o dólar cairia abaixo desse valor. Mas a intenção não é atuar para desvalorizar o real, porque uma moeda depreciada também gera custos para a economia, e também não é trabalhar com um câmbio fixo, que já gerou diversas crises no Brasil. "A arte é fazer uma administração para suavizar tendências e, mais que isso, evitar distorções indevidas. Mas não tem fórmula pronta para isso", disse. A fonte pondera também que, embora seja um elemento importante, o câmbio não deve ser visto como uma panaceia, que vai resolver todos os problemas do setor exportador. "O câmbio não é solução de tudo", disse, explicando que é preciso atacar problemas de ordem tributária e também melhorar a condição de crédito para o exportador - nesse último caso, cita os estudos do governo para criação de um Eximbank, que vai ajudar especialmente as pequenas e médias empresas a exportar.
Além disso, a fonte tenta desmistificar a tese de que o Brasil está se tornando um mero exportador de produtos primários. Mesmo porque, explica, a queda na participação dos manufaturados nos últimos anos teria mais a ver com a expansão mais acelerada dos bens primários e não com uma queda real nas vendas de manufaturados.
Nesse sentido, a fonte destaca que é um erro tratar a exportação de produtos agrícolas como a soja, que cresceu muito nos últimos anos, como algo sem valor agregado. Segundo a fonte, a soja brasileira é produzida com os maiores níveis de produtividade do mundo, fruto de 50 anos de investimentos em tecnologia liderados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "Isso não quer dizer que não se deva trabalhar para aumentar as exportações de bens de maior tecnologia. Mas nesse caso, deve-se trabalhar em tributos. Não é o câmbio sozinho que vai resolver o problema", disse.
Sobre as críticas à continuidade da política de acumulação de reservas internacionais, por conta do custo fiscal que ela gera, a fonte esclareceu que a lógica do governo é: o nível das reservas depende do fluxo de dólares para o País e que vale a pena fazer esse seguro contra crises.
Depois da experiência gerada pela crise internacional no final de 2008, o Ministério da Fazenda cada vez mais procura monitorar e identificar claramente quais os fatores que levam à valorização do real ante o dólar. Segundo uma fonte próxima ao ministro Guido Mantega, a partir dessa análise mais acurada que a política econômica deve ser acionada, com o intuito de evitar distorções no mercado e suavizar tendências no câmbio.Essa fonte lembrou que, em 2008, o dólar atingiu a marca de R$ 1,55, o que, em sua visão, ocorreu por conta da disseminação de operações com "derivativos tóxicos" no mercado de câmbio. Quando a crise estourou e elevou o dólar, essas operações, que não foram previamente identificadas, provocaram graves perdas para grandes empresas como Sadia e Aracruz, entre outras, e realimentaram a escalada do dólar contra o real. A visão da Fazenda hoje, mais do que se preocupar com o nível da taxa de câmbio, é de prevenir situações desse tipo ou similares, como um excesso de fluxo de dólares para ganhar com arbitragem de taxa de juros - o que ficou claro com a taxação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de dólares para renda fixa e ações. Também há uma preocupação da Fazenda com a tendência de valorização da moeda brasileira. Esse integrante do governo avalia que o mercado, desde a instituição do IOF no final do ano passado, tem trabalhado com um "piso" de R$ 1,70 e, por isso, dificilmente o dólar cairia abaixo desse valor. Mas a intenção não é atuar para desvalorizar o real, porque uma moeda depreciada também gera custos para a economia, e também não é trabalhar com um câmbio fixo, que já gerou diversas crises no Brasil. "A arte é fazer uma administração para suavizar tendências e, mais que isso, evitar distorções indevidas. Mas não tem fórmula pronta para isso", disse. A fonte pondera também que, embora seja um elemento importante, o câmbio não deve ser visto como uma panaceia, que vai resolver todos os problemas do setor exportador. "O câmbio não é solução de tudo", disse, explicando que é preciso atacar problemas de ordem tributária e também melhorar a condição de crédito para o exportador - nesse último caso, cita os estudos do governo para criação de um Eximbank, que vai ajudar especialmente as pequenas e médias empresas a exportar.
Além disso, a fonte tenta desmistificar a tese de que o Brasil está se tornando um mero exportador de produtos primários. Mesmo porque, explica, a queda na participação dos manufaturados nos últimos anos teria mais a ver com a expansão mais acelerada dos bens primários e não com uma queda real nas vendas de manufaturados.
Nesse sentido, a fonte destaca que é um erro tratar a exportação de produtos agrícolas como a soja, que cresceu muito nos últimos anos, como algo sem valor agregado. Segundo a fonte, a soja brasileira é produzida com os maiores níveis de produtividade do mundo, fruto de 50 anos de investimentos em tecnologia liderados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "Isso não quer dizer que não se deva trabalhar para aumentar as exportações de bens de maior tecnologia. Mas nesse caso, deve-se trabalhar em tributos. Não é o câmbio sozinho que vai resolver o problema", disse.
Sobre as críticas à continuidade da política de acumulação de reservas internacionais, por conta do custo fiscal que ela gera, a fonte esclareceu que a lógica do governo é: o nível das reservas depende do fluxo de dólares para o País e que vale a pena fazer esse seguro contra crises.
CBOT ABRE MAIS CEDO COM INÍCIO DO HORÁRIO DE VERÃO.
Desde ontem (domingo), os Estados Unidos estão em horário de verão. A bolsa CBOT em Chicago adiantou em uma hora a abertura do pregão eletrônico e viva voz para operações de futuros e opções para soja, milho e trigo, iniciando os trabalhos ás 11:30hs e encerramento as 15:15 hs horario de brasilia. Para o pregão noturno, abertura as 19:00 hs e encerramento as 09:00 hs.
quinta-feira, 11 de março de 2010
MILHO - APOIO A COMERCIALIZAÇÃO DO GRÃO EM ABRIL.
O Ministério da Agricultura vai iniciar em abril as operações de apoio à comercialização da safra de milho, acelerando o ritmo pela pressão da safrinha, com ênfase para os leilões de PEP no Centro-Oeste e AGF pontuais no Paraná e até em Santa Catarina. As informações são do coordenador geral de Cereais e das culturas anuais do Departamento de Abastecimento Agropecuário do Mapa, Sílvio Farnese, no intervalo da reunião da Câmara Setorial de Milho e Sorgo, no ministério. Segundo ele em 2009 foi feita sustentação para cerca de 10 milhões de toneladas e neste ano poderá superar as 11 milhões de toneladas chegando até a 15 milhões de t em uma situação extrema. O ministro da Agricultura e Pecuária, Reinhold Stephanes, disse que espera uma solução para o problema da paralisação dos leilões até a próxima segunda-feira, adiantando que também será buscada otimização na armazenagem e feitas remoções. Mas Farnese lembrou que não tem como remover o produto porque a armazenagem está praticamente esgotada. Na avaliação do ministro os estoques de milho não são tão altos, pois são suficientes para abastecer o mercado por cerca de 90 dias apenas. Pelos números da Conab das 5,3 milhões de toneladas dos estoque públicos do produto 2,9 milhões estão em Mato Grosso, 877,1 mil t em Goiás e 662,6 mil t no Mato Grosso do Sul.
SOJA - CHÍNA TEMORIZA MERCADO FUTURO NA CBOT.
O preço da soja caiu quinta-feira com preocupações sobre a demanda da China e notícias de declínio das exportações de soja E.U.A devido cancelamento das compras da semana passada. Trigo e milho escaparam da baixa, porque não é exportado para a China, disse o analista Vic Lespinasse. O aumento de 2,7 % nos preços de consumo da China no mês passado foi impulsionado por um salto de 6% nos custos dos alimentos, que é uma preocupação fundamental em um país onde as famílias pobres gastam até 40% dos seus rendimentos com alimentação. A China é um importante comprador de soja americana., o relatório de inflação despertou temores de que o país pode impor uma nova rodada de restrições no crédito, disse o analista. Além disso, o Ministério da Agricultura - USDA informou cancelamento de vendas de 115.000 toneladas de soja registradas na semana passada.
MILHO/CHICAGO-RUMORES SOBRE A SAFRA RECUPERA PERDAS.
Apesar dos fundamentos baixistas, os preços futuros do milho chegaram ao fim do dia perto da estabilidade na Bolsa de Chicago . Depois de trabalhar durante todo o dia em território negativo, os futuros foram capazes de se recuperar bastante. O contrato maio fechou em baixa de 0,25 cent ou 0,07%, cotado a US$ 3,6525/bushel. O mercado continuou enfrentando pressões por causa do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgado ontem. O USDA reduziu sua estimativa para exportações e elevou para estoques finais 2009/10. O analista John Kleist, da corretora Allendale, afirmou que a ampla oferta deverá "acabar com a esperança de um rali de primavera significativo". Sobre a única coisa altista no mercado, o analista Joel Karlin, da corretora Western Milling, comentou que há rumores de que os produtores não aumentarão a área plantada com milho neste ano em 3 ou 4 milhões de acres, necessários para manter os estoques finais em níveis confortáveis.Traders disseram que as perdas foram limitadas hoje por uma correção na relação de spreads entre milho e soja, já que a soja subiu ontem e caiu na sessão de hoje. Kleist não acredita que haja nada para estimular um rali no milho neste momento, mas compras comerciais poderão limitar a queda dos preços. Tecnicamente, o mercado é tido como baixista. Kleist explicou que traders devem começar a falar em milho a US$ 3,0/bushel, objetivo mais provável do que US$ 4,0/bushel. Mas analistas também notaram que o mercado se manteve acima da mínima de fevereiro, de US$ 3,59/bushel.
MILHO- NÃO HÁ HIPÓTESE DE REDUÇÃO DO PREÇO MÍNIMO.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou categoricamente, que não haverá diminuição do preço mínimo do milho."Não há nenhuma hipótese de redução do preço", garantiu. "Reduzir o preço mínimo do milho seria uma irresponsabilidade", avaliou. Ele argumentou que os estoques - públicos e privados - não chegam a 90 dias de consumo e que o grão é essencial para a atividade de carnes suínas, de aves e até da pecuária de confinamento. No último dia 25, a Agência Estado apurou que o Ministério da Fazenda pressionaria o Ministério da Agricultura a reduzir, ainda este ano, os preços mínimos de alguns produtos cujos valores de referência são considerados elevados na comparação com as cotações de mercado. Se isso ocorrer, será a primeira vez que se verificará uma redução do preço mínimo, desde a criação do instrumento. O milho está na lista da Fazenda, ao lado de trigo e feijão.
Hoje, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias do Milho (Abimilho), Nelson Kowalski, defendeu a diminuição, alegando que, com o preço menor, o produtor se sentirá desestimulado a plantar, o que reduzirá a oferta do produto no mercado. O atual Plano Safra estipulou o preço mínimo do milho em R$ 13,98 (saca de 60 quilos em Mato Grosso)."É preferível haver excedente de milho a correr o risco de diminuir a produção e faltar produto", disse Stephanes. "Se isso ocorrer, com certeza o preço vai lá para cima", acrescentou. Sem dar detalhes a respeito do volume da operação, o ministro disse ser "possível" a realização de Aquisição do Governo Federal (AGF) de milho.
SOJA: CHICAGO FECHA EM BAIXA DE 2,8%.
Um conjunto de influências negativas pesou sobre o mercado de soja nesta quinta-feira, de modo que os futuros atingiram o patamar mais baixo em uma semana na Bolsa de Chicago. O contrato maio caiu 27,50 cents ou 2,87% e fechou a US$ 9,3050/bushel. A redução de 15% nas exportações semanais de soja dos Estados Unidos refletiu o cancelamento de compras feitas anteriormente pela China. O movimento foi visto como um sinal de migração da demanda para a América do Sul. Traders aproveitaram para cobrir posições compradas na sessão de quarta-feira e embolsar os lucros. Ontem, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou estoques finais mais estreitos neste ano comercial. Um analista disse que a combinação de redução das exportações e os esforços da China no aperto do crédito vai desacelerar as compras de soja e pressionar o mercado americano. A China é o principal importador mundial da commodity. O avanço de uma colheita recorde na América do Sul e, consequentemente, a competitividade mais acirrada alimentaram sentimentos baixistas na sessão de hoje. A falta de notícias capazes de sustentar os preços permitiu o movimento de queda dos futuros. Outros mercados ajudaram a definir o tom pessimista e vendas técnicas aceleraram o recuo para além de áreas de suporte. Ordens automáticas de venda foram acionadas e o contrato maio registrou a mínima de US$ 9,30/bushel. Mas traders disseram que, apesar das perdas, o mercado segue dentro o amplo intervalo que vem ocupando no curto prazo. Preocupações sobre os atrasos de duas semanas na liberação do fornecimento brasileiro nos portos dão suporte neste momento, além da apertada balança de oferta e demanda nos Estados Unidos.Estima-se que fundos especulativos tenham vendido 7 mil lotes em soja, 2 mil lotes em farelo e 3 mil em óleo de soja. Veja abaixo como ficaram as cotações do complexo soja em Chicago.
quarta-feira, 10 de março de 2010
GRÃOS/EUA: PEQUENO IMPACTO DE RELATÓRIO DO USDA
As tão esperadas revisões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para as safras de milho e soja se mostraram relativamente sem importância para os mercados, de modo que os futuros deverão rapidamente se voltar para outros fatores, como o clima. A expectativa para produção de milho e soja nos Estados Unidos diminuiu modestamente, mas a oferta de ambos é suficiente para atender à demanda. Analistas acreditam que isso deve limitar qualquer impacto sobre as companhias que utilizam grãos. Em janeiro, o USDA adotou um movimento incomum e disse que reavaliaria produtores de vários Estados, pois a colheita tardia resultou em "significativa área plantada e não colhida". Agricultores de Illinois, Michigan, Minnesota, Dakota do Norte, Dakota do Sul e Wisconsin não conseguiram terminar de colher milho antes que a neve chegasse. O mesmo ocorreu em lavouras de soja de Georgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Virginia. Assim, a agência do governo reduziu sua estimativa de produção doméstica de milho da safra 2009/10 para 333,52 milhões de toneladas, ante os 334,03 milhões de toneladas previstos em fevereiro. Trata-se de um corte de 0,2%.
A produção de soja foi revisada para 91,42 milhões de toneladas contra 91,48 milhões de toneladas ou 0,1% a menos. Além de reavaliar a produção, o USDA elevou a projeção dos estoques finais de soja em 9,5% para 5,17 milhões de toneladas. No que diz respeito ao milho, aumentou os estoques finais em 4,7% para 48,96 milhões de toneladas. Também se acredita que os estoques globais de ambas as culturas sejam maiores do que o esperado em fevereiro.
O analista Darin Newsom, da Telvent DTN, comentou que os números de estoques finais mostram, no mínimo, que há milho e soja disponíveis para os usuários. Mesmo que haja um corte nos estoques, nesta época os importadores costumam começar a comprar da América do Sul, conforme a nova colheita chega ao mercado. Portanto, Newsom acredita que 190 milhões de bushels de soja devem ser o suficientes para o que resta do ano comercial 2009/10. Traders disseram que, de modo geral, os dados do USDA se mostraram baixistas para o milho e de neutros a levemente altistas para a soja. Mas os analistas esperam que a influência dos dados sobre o mercado tenham curta duração, por causa das preocupações com o clima.
O consultor Karl Setzer, da MaxYield Co-op, comentou que "o interesse está mais concentrado no ambiente, já que começam a ocorrer alagamentos no Cinturão do Milho". Produtores e participantes do mercado de grãos têm se preocupado há semanas com o derretimento da neve no Meio-Oeste, que pode provocar excesso de umidade, especialmente se coincidir com a época das chuvas. A consequência seria o atraso do plantio de primavera. Os campos que não foram colhidos na última temporada aumentam a incerteza, porque produtores não conseguiram preparar o solo para uma nova safra. Newsom reiterou que o clima é uma preocupação, embora ele acredite que os traders aguardarão para ver se os alagamentos realmente se tornam um problema. Eles não forçarão os preços antes de ter certeza, segundo o analista. As últimas duas temporadas começaram com campos úmidos e atrasos no cultivo, mas ambos os anos tiveram sólida produção de soja e milho. Outro tema que permeia o mercado é a possibilidade de novos cortes na estimativa oficial da safra de milho 2009/10. O USDA declarou hoje que a reavaliação dos campos ainda não foi finalizada. "As pessoas que ainda não colheram na Dakota do Norte ou na Dakota do Sul serão consultadas mais para frente", informou o USDA. O analista Lewis Hagedorn, do JP Morgan commodities, entende que "o fato de o USDA não ter reavaliado os produtores das Dakotas sugere a possibilidade de mais uma revisão da oferta para de 25 a 30 milhões de bushels". Os primeiros sinais para a safra 2010/11 virão à tona em 31 de março, quando o USDA divulga seu relatório de intenções de plantio, que dará indicações preliminares sobre as safras que os produtores pretendem plantar na primavera.
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