terça-feira, 4 de janeiro de 2011

CHINA/GRÃOS: PRODUTIVIDADE PREOCUPA E IMPORTAÇÃO É A SOLUÇÃO

O crescimento da produtividade no setor de grãos da China deve desacelerar nos próximos anos, e o milho é um "óbvio candidato" para o aumento das importações, informou o banco Standard Chartered em uma nota nesta terça-feira.
Mudanças na produção chinesa de grãos, mesmo em porcentuais pequenos, resultam em grandes alterações de volumes e valores no comércio global de alimentos. Embora variedades geneticamente modificadas possam aliviar um pouco da sensação de aperto na oferta, as importações ainda devem continuar sendo a solução para demanda por grãos da China. "Nós estamos preocupados com os grãos", disse Stephen Green, economista do Standard Chartered. "Tememos que serão prejudicados pela incapacidade de cultivar as terras rápido o suficiente com uma força de trabalho cada vez mais velha e uma escassez de água cada vez pior no norte da China."
O país insiste que mantém 120 milhões de hectares ou mais de terras aráveis, mas Green levantou dúvidas. "É provável que a extensão das áreas agrícolas continue em declínio, apesar das estatísticas oficiais", escreveu ele. Também é possível que a maior parte dos ganhos de produtividade provenientes do uso de fertilizantes já tenha sido registrada, acrescentou o economista.
No entanto, melhorias tecnologias, especialização, gastos do governo com pesquisa e uma liberdade maior para os produtores decidirem o que cultivar contribuíram com uma produtividade maior em algumas plantações, particularmente de vegetais e frutas, que requerem menos terras e trabalho.

CHINA/SOJA TERMINA EM ALTA POR DEMANDA.

Os futuros da soja fecharam em alta na Bolsa de Commodities de Dalian, no primeiro dia de negócios de 2011, acompanhando os fortes ganhos do óleo de palma nos mercados externos e a crescente demanda por óleo de soja com a aproximação do Ano Novo Lunar, pico da temporada de consumo.
O contrato setembro, o mais negociado, encerrou com valorização de 4 yuans, cotado a 4.535 yuans por tonelada, após ter operado entre 4.506 e 4.588 yuans por tonelada (6,608 yuans = US$ 1).
Na Bolsa de Derivativos da Malásia, as cotações do óleo de palma subiram para o maior nível em mais de 33 meses, guiadas por preocupações de que a oferta cairá depois de chuvas interromperem a colheita na Indonésia e na Malásia, principais países produtores.
Em um pregão com poucos negócios após um feriado de três dias, os investidores ignoraram o forte declínio da soja na Bolsa de Chicago que recuou na segunda-feira devido à previsão de chuvas na Argentina.
Uma perspectiva positiva para demanda antes do Ano Novo Lunar, em fevereiro, impulsionou os preços do óleo de soja no mercado à vista, afirmou o analista da Everbright Futures, Zhao Yan. Contudo, os preços da oleaginosa foram limitados por preocupações com políticas de aperto monetário, considerando que o governo prometeu combater a inflação por meio da liberação dos estoques de grãos e óleos comestíveis. Na próxima sexta-feira, o país leiloará 100 mil toneladas de óleos comestíveis, a primeira licitação de 2011.
O índice de preços ao consumidor chinês saltou 5,1% em novembro - maior patamar em 28 meses -, ainda que Pequim tenha reprimido atividades especulativas e adotado medidas para controlar a oferta de crédito.
Os preços futuros da soja na China acumularam alta de cerca de 13% em 2010, ante apreciação de mais de 30% na CBOT.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

CHICAGO/SOJA FECHA EM QUEDA COM PREVISÃO DE CHUVA NA ARGENTINA

Os futuros da soja negociados na bolsa de Chicago recuaram depois de atingirem a máxima (u$14,09 bu vencimento março), de 29 meses hoje, pressionados pelas previsões de que as chuvas vão aliviar o estresse das lavouras na Argentina, importante exportador da oleaginosa. O contrato janeiro da soja, primeiro vencimento, encerrou com queda de 23,50 centavos, ou 1,7%, cotado a US$ 13,7025 por bushel, depois de atingir a máxima de US$ 13,9950 -o maior valor para o primeiro contrato desde agosto de 2008. O março, de maior liquidez, caiu 24 centavos, ou 1,7%, para US$ 13,79.
O que pesou sobre o mercado foi a expectativa de que os produtores argentinos terão um alívio do clima quente e seco que vinha dando suporte aos preços recentemente. Áreas produtoras do sul deverão receber boas chuvas na terça e quarta-feiras e podem ter pancadas no próximo final de semana, disse John Dee, presidente da Global Weather Monitoring. A Argentina é o terceiro maior exportador de soja em grãos e o principal de produtos derivados.
Os futuros da soja subiram regularmente no ano passado com o forte apetite da China, maior importador de soja do mundo, mas o mercado acelerou os ganhos nas últimas semanas devido ao clima quente e seco na Argentina. A forte demanda global e problemas de produção na América do Sul colocam mais pressão sobre os EUA, maior exportador, para que produzam uma ampla safra em 2011. "O maior risco no momento é de vermos realização de lucros", disse Arlan Suderman, analista da Farm Futures.
Os derivados da soja fecharam em queda hoje, em meio à realização de lucros. O contrato março do farelo caiu US$ 4,90, ou 1,3%, para US$ 369 por tonelada. O março do óleo recuou 67 pontos, ou 1,1%, cotado a 57,70 centavos por libra-peso.

MILHO: CHUVAS NA ARGENTINA ACELERA REALIZAÇÃO DE LUCROS.
Chuvas em áreas de produção de grãos da Argentina estimularam realização de lucros na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira, pressionando as cotações dos contratos futuros de milho. Os lotes para entrega em março, os mais movimentados, terminaram o dia em baixa de 8,50 cents ou 1,35%, cotados a US$ 6,2050/bushel.
Segundo o analista da Northstar Commodity, Mark Schultz, participantes do mercado voltaram do fim de semana de feriado esperando encontrar sinais de menos calor e chances de chuva nas previsões do tempo da Argentina. Isso diminuiu as preocupações com a safra da América do Sul.
Assim, traders embolsaram lucros recentes e pressionaram as cotações. Schultz declarou que, com os preços em alta de quase 20% nas últimas seis semanas, os participantes também estão questionando a demanda. Para produtores de carne bovina e suína, "não funciona alimentar com milho neste momento".
Apesar das preocupações com a irregularidade de chuvas na Argentina, a Bolsa de Rosário praticamente manteve sua estimativa de produção da safra de milho. A estimada é de 21,3 milhões de toneladas, ante previsão de 21 a 22 milhões de toneladas divulgada anteriormente.
Cerca de 89% do plantio de milho foi finalizado no país, mas o tempo seco e as expectativas de chuva abaixo da média ao longo do verão reduziram os prospectos de rendimento.

MILHO: EXPORTAÇÃO BRASILEIRA BATE RECORDE DE 10,8 MILHÕES/TONS

As exportações brasileiras de milho totalizaram 10,8 milhões de toneladas em 2010, volume 39% maior que as 7,76 milhões de tons embarcadas no ano anterior, de acordo com dados compilados a partir de informações divulgadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Segundo a Secex, em dezembro as exportações do cereal atingiram 1,925 milhão de toneladas, 5,5% mais que as 1,825 milhão de tons embarcadas em novembro. Na comparação com as 1,238 milhão de toneladas de dezembro de 2009 o aumento foi de 55,5%. A comercialização do cereal ganhou impulso no segundo semestre de 2010 após a realização dos leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP). No ano, a receita dos embarques foi de US$ 2,157 bilhões, 51,4% mais que os US$ 1,424 bilhão de 2009.
Em dezembro, a receita das exportações totalizou US$ 441,8 milhões, com um preço médio de US$ 229,5 por tonelada, ante US$ 401,7 milhões, com preço médio de US$ 220,1/t em novembro. Em dezembro de 2009, a receita foi de US$ 222,8 milhões, com preço médio de US$ 180/tons.

DÓLAR CAI PARA MENOR VALOR DESDE 1º/09/2008

Um novo ano começou, mas o cenário para o mercado de câmbio doméstico parece o mesmo visto na última semana de 2010. O dólar continuou se desvalorizando ante o real, influenciado, sobretudo, pela retomada do apetite por aplicações de risco, como as bolsas de valores. No fechamento, a moeda norte-americana no balcão valia R$ 1,650, em queda de 0,84%. Esse é o menor patamar desde o dia 1º de setembro de 2008, antes da explosão da crise financeira internacional.
Segundo um operador, dezembro é tradicionalmente um mês de saída de dólares do Brasil, para que as empresas fechem seus balanços no exterior. "Mas os recursos voltam em janeiro", afirmou. Não obstante, segundo a mesma fonte, a conjuntura está positiva neste início de ano. "Assim, o apetite por risco cresce e pode estar vindo dólar para a Bovespa", lembra. O Ibovespa subiu 1,41%, aos 70.283,34 pontos.
Na BM&F, o dolar pronto também fechou no vermelho, em queda de 0,84%, a R$ 1,6490. O volume de negócios registrado na clearing de câmbio da BM&F foi de US$ 2,752 bilhões, com cerca de US$ 2,432 bilhões concentrados em D+2. O dólar futuro com vencimento em fevereiro caia a R$ 1,658 (-0,84%), tendo movimentado US$ 12,842 bilhões. No total, os sete contratos negociados até as 16h37 - todos em baixa -, movimentaram US$ 12,928 bilhões.
O Banco Central voltou a fazer dois leilões de compra de dólares hoje. No primeiro deles, já no início da tarde, a taxa de corte foi de R$ 1,6520. Quase no fechamento do pregão, o BC voltou ao mercado e a taxa de corte foi de R$ 1,6498.
Os dados positivos vindos do exterior apenas reforçaram o sentimento positivo que predominava desde o início do dia e as bolsas internacionais operam em alta. Nos Estados Unidos, por exemplo, o governo informou que os gastos com construção subiram pelo terceiro mês consecutivo em novembro. Os gastos com construção avançaram 0,4%, ante a previsão de alta de 0,2%. O euro estava praticamente estável ante a moeda norte-americana, a US$ 1,3381, de US$ 1,3385 no fim da tarde de sexta-feira. O dólar avançava a 81,59 ienes, de 81,16 na sexta-feira.

CLIMA DEFINIRÁ SAFRA E RITMO DE COMERCIALIZAÇÃO DE SOJA.

Os produtores brasileiros, que começaram o plantio da soja de olho no céu, por causa do atraso das chuvas, permanecerão atentos ao clima até o final da colheita, preocupados com os efeitos do fenômeno climático La Niña. As previsões são de chuva no período da colheita no Centro-Oeste e estiagem na região Sul, fatores que podem provocar quebra da produtividade das lavouras.
Os agricultores ainda guardam lembrança da última passagem do La Niña, na safra 2008/09, quando o Brasil produziu 57,2 milhões de toneladas de soja, volume abaixo da expectativa inicial de colheita de 60 milhões de toneladas. Naquela safra, as regiões Sul e Centro-Oeste registraram forte estiagem e o Nordeste, chuva em excesso. A safra seguinte atingiu o recorde de 68,7 milhões e, em 2010/11, a expectativa é de produção de 68,5 milhões de toneladas, segundo o levantamento de dezembro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Enquanto em Mato Grosso a estiagem atrasou o plantio em duas semanas, no Rio Grande do Sul o clima foi favorável e os produtores gaúchos correram contra o tempo. "A pressa deve à expectativa em relação ao La Niña", afirmou Ricardo Núncio, assessor técnico da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), o terceiro maior produtor brasileiro.
Sustentação pelo clima - O aspecto positivo é que as preocupações com o clima na América do Sul estão contribuindo para dar sustentação aos preços da soja na Bolsa de Chicago, pois o mundo depende cada vez mais da safra sul-americana para atender à crescente demanda mundial, que avança num ritmo mais acelerado que a produção. Segundo os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), nos últimos dois anos a produção mundial de soja cresceu 24% e atingiu 257,36 milhões de toneladas, enquanto as exportações aumentaram 26%, para 97,15 milhões de toneladas.
Somente a China aumentou suas importações de soja em 39% nos últimos dois anos, para 57 milhões de toneladas. A expectativa dos traders é de que a China continue sendo um forte comprador. O país asiático tem comprado soja a um ritmo recorde em 2010 para usar como ração, visando a atender à demanda de uma crescente classe média, que consome cada vez mais proteína animal.
A voracidade da demanda chinesa impediu que a colheita da safra recorde de 91,85 milhões de toneladas de soja nos Estados Unidos pressionasse os preços da soja no mercado internacional. Os relatórios do USDA mostram que em apenas três meses do atual ano safra norte-americano, que começou em setembro, as exportações atingiram 32,7 milhões de toneladas, que correspondem a 75% das 43,4 milhões de toneladas previstas até agosto do próximo ano. Os Estados Unidos são os maiores produtores mundiais de soja, vindo em segundo lugar o Brasil e, em terceiro, a Argentina.
No início do atual ano-safra, em agosto, a corretora Newedge trabalhava com a perspectiva de preços na Bolsa de Chicago na faixa de US$ 10 por bushel. O forte ritmo das exportações norte-americanas, que impulsionou as cotações dos futuros, levou a corretora a rever suas projeções e agora prevê preços entre US$ 10,50 a US$ 13,50 ao longo da safra.
Como grande parte da soja norte-americana está comercializada, nos próximos meses os preços da soja no mercado internacional oscilarão ao sabor do clima na América do Sul, "pois, como é ano de La Niña, existe a expectativa de acontecer uma estiagem, e qualquer quebra de produção mexe com o mercado", diz Otmar Hubner, agrônomo do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), Estado que é o segundo maior produtor. Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), lembra que o período mais crítico para a lavoura é no começo do ano. "A preocupação é que (a estiagem) não aconteça em janeiro, em que a suscetibilidade das lavouras é maior, na fase de florescimento. Existe uma preocupação muito grande porque seria o ano de o produtor ganhar dinheiro com a soja por conta dos preços."
Comercialização - Os altos preços da soja na Bolsa de Chicago às vésperas do plantio da safra 2010/11 animaram os produtores brasileiros, principalmente de Mato Grosso. Eles comercializaram antecipadamente um volume maior do que o normal. Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), até novembro 57,4% da safra já estava comercializada, 27,4 % acima do registrado no mesmo mês do ano passado, quando as vendas atingiram 30% da produção esperada.
Em nível nacional, os produtores venderam até novembro 34% da safra de soja, ante 20% em igual período do ano anterior, conforme o analista da consultoria AgraFNP Aedson Pereira. "A gente vivenciou momentos de preços bem elevados, que, além de cobrir os custos, davam também margens muito boas, porque o preço do fertilizante estava mais em conta e o pacote tecnológico, mais barato", diz ele. Pereira estima que os custos de produção nesta safra estão entre 6% e 10% mais baixos.
Tradicionalmente, em função das chuvas de setembro Mato Grosso lidera a largada no plantio e colheita de soja no Brasil, o que não ocorreu em 2010 por causa do atraso das chuvas. Como a distância dos portos e os problemas logísticos encarecem os custos dos insumos e reduzem as margens na comercialização, os agricultores mato-grossenses, que cultivam em grandes áreas, dependem das vendas antecipada para bancar o plantio. Um levantamento da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) mostra que os agricultores financiam com recursos próprios 34% dos gastos com a lavoura. O restante é bancado pelos bancos (21%), revendas de insumos (33%) e tradings (8,7%).
Já os sojicultores do Paraná e do Rio Grande do Sul, mais capitalizados, com melhor estrutura de armazenagem e acesso a crédito, trabalham com a perspectiva de preços firmes na época da colheita, e tendem a administrar a comercialização. "Talvez venda em torno de 30% da safra na época da colheita e os outros 70% ao longo do ano, conforme a evolução do preço internacional. Perder dinheiro não vai, mas o produtor é conservador, prefere ver como vai se comportar o clima em janeiro e fevereiro", disse Núncio, da Fecoagro.
Atrasos - Em Mato Grosso, o atraso o plantio vai reduzir em 25% a disponibilidade de soja para comercialização neste mês de janeiro, de 4 milhões para 1 milhão de toneladas. Tradicionalmente, os produtores do Estado iniciam a colheita logo após o Natal e aproveitam os bons preços do início do ano, mas nesta safra a previsão é que os trabalhos se acelerem a partir da terceira semana de janeiro.
O analista Aedson Pereira, da AgraFNP, observa que uma das grandes preocupações dos importadores que compram soja no Brasil é com a entrega. "Mas não acredito em quebra de contrato, porque, por mais que demore, o que estiver pronto será entregue", disse ele, lembrando que, por conta da instabilidade climática, o produtor provavelmente fixou sua entrega mais para a frente do que o normal, para ter mais tempo para cumprir os contratos.

CHICAGO/SOJA TRABALHA EM BAIXA COM PREVISÃO DE CHUVA NA ARGENTINA

Os preços internacionais da soja estão recuando nesta segunda-feira na Bolsa de Chicago depois de alcançarem máximas em 28 meses. Previsões de curto prazo indicam que as chuvas reduzirão a pressão climática sobre a safra da Argentina. Os contratos com vencimento em março operam em baixa de 10,0 cents ou 0,71%, a US$ 13,93/bushel.
Preocupações com o calor e a irregularidade de chuvas na Argentina têm dado suporte aos futuros recentemente. As áreas de produção do Sul terão "chuvas bastante adequadas" na terça-feira e na quarta-feira, segundo o presidente da Global Weather, John Dee. Mas a umidade pode voltar a diminuir na próxima semana.

ARGENTINA: SECA REDUZ 7,5 MI/TONS DA SAFRA DE SOJA.

A forte estiagem que atinge a Argentina já compromete a produção em 50% das áreas produtoras de milho e soja do país. O cenário é preocupante também para a produção de leite e carne. Em novembro, a consultoria Agritrend previa uma colheita de 25,5 milhões de toneladas de milho e de 55 milhões de t de soja. Agora, a estimativa caiu para 23 milhões de t de milho e 47,5 milhões de t de soja. "Há um grande temor de que se repita o panorama climático da safra 2008/09, quando o rendimento foi muito baixo e produtores de soja e milho quebraram", disse o vice-presidente do Movimento Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (Crea), Juan Balbín.
O fenômeno climático La Niña vem ganhando mais força nas últimas semanas, reduzindo drasticamente o volume de chuvas. No sul de Córdoba, por exemplo, a situação passou de inundações no início de 2010 a uma dura seca nesse começo de 2011. Balbín ressalta que outros países produtores enfrentam adversidades climáticas - frio intenso nos Estados Unidos e inundações na Austrália - o que o deve impactar na produção global. "Hoje não temos uma resposta para isso, mas o que está claro é que ultimamente o risco empresarial e as possibilidades de quebra aumentaram significativamente", lamentou.
Segundo ele, a região argentina mais atingida pelos efeitos do La Niña é a central, a mais produtiva do país, e onde podem se repetir os rendimentos registrados em 2008/09, de 500 quilos de soja por hectare. "As alterações climáticas trazem uma perspectiva de novos preços das matérias-primas e um horizonte muito complicado para a alimentação do mundo e para os agricultores, porque serão muitos os que vão semear e colher uma quantidade insuficiente para pagar os gastos. Muitos podem não ter colheita", diz Balbín.
Os agricultores argentinos tiveram safras com altos rendimentos e preços remuneradores até a safra de 2008/09, cuja colheita foi seriamente afetada pela pior seca dos últimos 50 anos. As perdas deixaram dívidas para muitos produtores, que ainda não terminaram de pagá-las, segundo levantamento do Crea. "Se o rendimento da atual safra for baixo, vários produtores poderão falir porque muitos insumos foram comprados a crédito, que será pago com a colheita, pensando em rendimentos médios", alertou Balbín. Para o especialista, se o cenário se confirmar, produtores poderão cancelar investimentos para a próxima safra.
Quem também perde é o Fisco. Até novembro, as estimativas da consultoria Agritrend para as exportações de todos os cultivos eram de US$ 31,362 bilhões, o que renderia US$ 9,109 bilhões de retenções para o governo. Agora, a projeção é de exportações de US$ 30,530 bilhões, com arrecadação de US$ 8,830 bilhões.

CLIMA/FRENTE FRIA PROVOCA CHUVA NO BRASIL.

A primeira semana de 2011 deve apresentar uma condição tropical com chuvas na maior parte do País, em virtude da atuação de uma frente fria sobre o litoral da Região Sudeste. Um sistema de baixa pressão no interior, que transporta a umidade da Amazônia até o Sul do Brasil, também contribui para a ocorrência de chuvas isoladas nos próximos dias. As informações são da Somar Meteorologia, em seu primeiro boletim semanal de 2011.
O sócio diretor da Somar, Paulo Etchichury, comenta, no entanto, que a tendência para o mês de janeiro é de chuvas concentradas sobre as Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte, o que representa um padrão típico de verão.
Já para o Sul do Brasil, mesmo depois de dezembro ter sido relativamente chuvoso, por causa da presença do La Niña, a expectativa é de que as águas diminuam em janeiro, inclusive com o risco de alguns episódios de estiagens (12 a 15 dias sem chuva). No caso do sul do Rio Grande do Sul, que já enfrenta problema de seca desde outubro, mesmo com alguns episódios de chuvas nesta semana, a projeção é que o problema da falta de água se agrave ainda mais no decorrer deste mês.
2010 - De acordo com a Somar, o ano de 2010 termina com uma boa condição de umidade no solo em grande parte do País. As chuvas da última semana de dezembro se concentraram nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e o sul/oeste da Região Nordeste. O Sul do Brasil enfrentou um período de pouca chuva. As chuvas de dezembro, apesar de alguma irregularidade e má distribuição, de um modo geral representam uma condição satisfatória para o desenvolvimento das lavouras de verão, pastagens e recuperação hídrica. A exceção fica com o norte do Nordeste que vive a sua estação seca e o extremo sul do Rio Grande do Sul, que desde outubro enfrenta um período de escassez de chuva por causa do fenômeno La Niña.
Os índices de Água Disponível do Solo, no geral, mostram uma excelente condição de umidade do solo (acima de 90%) em grande parte do Brasil. Apenas no extremo sul do Rio Grande do Sul e no norte do Nordeste do Brasil é que o solo apresenta condições críticas de umidade do solo (abaixo de 20%).
Argentina - A última semana de dezembro confirmou o padrão de poucas chuvas irregulares e mal distribuídas sobre o território argentino. Apenas no extremo norte e próximo da Cordilheira dos Andes, entre a províncias de Salta e até Mendoza, o acumulado de chuvas na semana foi um pouco melhor, variando entre 35 e 50 mm.
Segundo a Somar, a previsão para a primeira semana de 2011 é de alguns episódios de chuvas isoladas. Isso deve ocorrer por causa da passagem de uma frente fria, associada a sistema de baixa pressão, que transporta umidade da Amazônia até a região central da Argentina.
No entanto, mesmo com a previsão de chuvas para esta semana, em virtude da presença do La Niña, a tendência é de que janeiro continue com um padrão de pouca chuva, inclusive com alguns episódios de estiagens (12 a 15 dias), o que deve agravar o problema de falta de água em algumas regiões, mantendo o risco para o desenvolvimento e produção das lavouras de verão.

PRODUTOR DE GRÃOS VAI RECUPERAR RENDA EM 2011 E 2012

A alta dos preços internacionais, provocada pelo aperto na oferta e elevação na demanda, deve garantir uma boa remuneração ao produtor brasileiro no primeiro semestre de 2011, quando a comercialização da safra 2010/11 ainda estiver em curso. Já no planejamento do ciclo 2011/12, que começará a ser cultivado em setembro, o produtor verá preços de insumos mais altos, mas a perspectiva ainda será de renda elevada, segundo analistas do setor.
Embora mais altos em 2011, os preços dos insumos não chegarão aos picos históricos registrados em 2008, na avaliação de André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult. Ele descarta um descontrole de preços de fertilizantes e defensivos. "Na próxima safra temos menos especulação e fundamentos mais sólidos que em 2008", disse. Por esse motivo e por causa da expectativa de manutenção dos altos preços dos grãos no mercado internacional, o analista acredita que a rentabilidade deve seguir favorável até o próximo ano. "Devemos atingir um pico de renda em 2011. E o ganho do produtor deve continuar bom até pelo menos 2012", afirma Pessôa. Para ele, a dúvida em 2010/11 fica para a produtividade da safra de verão. O fenômeno climático La Niña prejudicou o início do plantio da soja no Centro-Oeste e tem provocado uma estiagem no Rio Grande do Sul. O cultivo da safrinha de milho no início deste ano também pode ser adiado pelo atraso na implantação da soja, sob o risco de uma produtividade menor.
Insumos - Para Alexandre Mendonça de Barros, da MBAgro, o custo do pacote de insumos deverá crescer cerca de 20% para a safra 2011/12 por causa do aumento da demanda no Hemisfério Norte. "Já estamos vendo preços maiores dos fertilizantes no mercado internacional".
Segundo dados apresentados por ele durante o evento "Expectativas do Agronegócio para 2011", promovido em dezembro pelo Conselho Superior do Agronegócio, da Fiesp, o preço do MAP, um fertilizante fosfatado, muito utilizado na agricultura, subiu de US$ 350 para US$ 600 por tonelada neste ano. O valor do cloreto saiu de US$ 380 para US$ 500 nos últimos quatro meses. Em 2008, o MAP chegou a ser negociado por US$ 1.200 e o cloreto, por US$ 800 por tonelada.
Pessôa estima que a entrega de fertilizantes aos produtores brasileiros vai crescer para 25,2 milhões de toneladas em 2011, ante 24,2 milhões de toneladas neste ano. A compra de defensivos deverá alcançar US$ 7,2 bilhões em 2011, comparado com US$ 6,9 bilhões em 2010.
Fernando Pimentel, analista e sócio da Agrosecurity, avalia que o setor de insumos deve recompor os ganhos nos próximos meses. Isso porque quando a alta dos preços ocorreu, no segundo semestre de 2010, as compras de insumos já estavam feitas. "A indústria vai ajustar suas margens em 2011. Quem vai dizer a intensidade desse acerto será o mercado. Mas o custo vai subir com certeza", diz. A despeito disso, ele também está otimista: "2011/12 continuará a ser um bom ano para o produtor."
Rentabilidade - Fernando Muraro, da AgRural, diz que a rentabilidade em 2010/11 deve ser a segunda melhor da história para os produtores brasileiros de soja e milho. "Só perderão para 2008", diz. Em Mato Grosso, contudo, ele prevê renda recorde na soja de US$ 300 por hectare, em média. Em Cascavel (PR), praça usada por ele como referência, esse valor vai a R$ 880 por hectare (US$ 520/t, aproximadamente). No milho, a rentabilidade pode chegar a R$ 1.050,00 por hectare no Paraná, em média. "A tendência no milho é melhor que para a soja em 2011.
Os Estados Unidos têm estoques muito restritos e o Brasil vai terminar a safra 2010/10 com seis a sete milhões de toneladas em estoque. Será o menor volume armazenado em três anos", calcula. Com a forte retração na área plantada no País, o mercado estará mais apertado no próximo ano. Na média do ano, dependendodo tamanho da safrinha, o milho teria preços de R$ 24 a R$ 25 a saca de 60 quilos em Santos e Paranaguá. "Isso liquidaria R$ 16/saca em Mato Grosso, um preço remunerador", diz.
A taxa de câmbio deve seguir estabilizada nos atuais níveis até o período de colheita e comercialização da safra de grãos 2010/2011, de acordo com Mendonça de Barros, da MBAgro. Ele estima câmbio entre R$ 1,70 e R$ 1,75 no primeiro trimestre de 2011.

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